Telesp: aposta é de fraco resultado trimestral, com queda na base de linhas fixas

Maior participação de serviços de menor rentabilidade na composição das receitas deve voltar a pressionar

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SÃO PAULO – Com a expectativa de novo recuo na base de telefonia fixa e maior participação de serviços de menor rentabilidade na composição das receitas (como banda larga e TV por assinatura), as corretoras Ativa e Brascan esperam que o resultado do segundo trimestre da Telesp (TLPP4), cuja divulgação está agendada para a manhã de quarta-feira, traga números inferiores aos vistos entre abril e junho de 2009.

Com tom pouco otimista, Luciana Leocadio, analista da Ativa, lembra que nos últimos trimestres os números da empresa têm se deteriorado, com queda de linhas fixas em serviço e de receitas, a despeito do crescimento da base de acessos de banda larga.

A analista da Brascan Corretora Beatriz Battelli adiciona ainda aos fatores de pressão sobre a receita da empresa maiores gastos relacionados a melhorias de atendimento e serviços de terceiros e aumento da competição.

Expectativas
“Não esperamos recuperação significativa nos resultados da companhia neste trimestre. Acreditamos que os números a serem divulgados ainda ficarão em um patamar bastante inferior ao do mesmo período do ano passado”, enfatiza a analista da Brascan, em relatório.

As projeções médias das duas corretoras apontam para uma receita líquida de R$ 3,9 bilhões, quase 1% menor que a vista no 2T09. Para a margem Ebitda (que mede a relação percentual entre a geração operacional de caixa e a receita líquida), a média das estimativas aponta recuo de 5,8 pontos percentuais.

Projeções para os principais indicadores 
(em R$ milhões) 2T10E 2T09 Variação
Receita Líquida 3.901 3.935 -0,86%
Ebitda 1.307 1.548 -15,57%
Margem Ebitda 33,5% 39,3% -5,8 p.p.
Lucro Líquido 455 545 –16,51%
Projeções para os dados operacionais
(em mil) 2T10E 2T09 Variação
Linhas fixas em serviço 11.136 11.474 -2,95%
Acessos de Banda Larga 2.927 2.727 +7,33%
Acessos de TV por assinatura 473 514 -7,98%

Apesar da leitura negativa para os resultados do segundo trimestre, a Brascan ressalta alguns pontos positivos que justificam o investimento nas ações da Telesp, como: elevada expectativa de dividend yield (estimado em 11,7% para 2010 pela corretora), “o que torna as ações da companhia bastante defensivas”; e uma possível operação envolvendo a fusão entre Telesp e Vivo, “o que suscitaria em sinergias relevantes”.

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Neste segundo ponto, Beatriz diz acreditar que apesar do impasse envolvendo a oferta feita pela Telefónica para a aquisição da participação da Portugal Telecom na Vivo, a empresa espanhola deve buscar novas alternativas para integrar seus ativos de telefonia fixa e móvel no Brasil.

A Brascan recomenda a compra das ações da Telesp, com preço-alvo de R$ 52,35. Já a Ativa tem recomendação neutra aos papéis, com target (para junho de 2011) de R$ 41,50.