Bolsas dos EUA repercutem indicadores ruins no cenário externo e fecham em queda

Falha da BP em conter o vazamento de óleo no Golfo do México e dados positivos no país também em pauta na sessão

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SÃO PAULO – Após uma tarde de ganhos, os principais índices acionários norte-americanos inverteram a tendência e fecharam o primeiro pregão de junho com mais de 1% de desvalorização. Os dados econômicos positivos divulgados nos Estados Unidos não foram suficientes para diminuir referências negativas trazidas por indicadores abaixo do esperado na China e Europa. A ineficiência do projeto da British Petroleum para conter o vazamento de óleo no Golfo do México também pesou nas perdas das ações na sessão.

Segundo o Departamento de Comércio, os gastos com construção civil nos Estados Unidos subiram 2,7% em abril, superando as expectativas do mercado, que giravam em torno de 0,1%, e o avanço de 0,4% registrado no mês anterior, segundo dados revisados. Já o ISM Index, publicado pelo Institute for Supply Management, mostrou que o nível de atividade industrial norte-americana atingiu 59,7 pontos em maio. A leitura também veio acima da previsão de analistas, que esperavam 59,4 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 Dow Jones -1,11 10.024 -8,94 -3,87 
 Nasdaq -1,54 2.222 -9,71 -2,06 
 S&P 500 -1,72 1.071 -9,77 -3,98 

Commodities em queda
Os ADRs (American Depositary Receipts) da British Petroleum despencaram 14,97%, após a empresa ter anunciado que a estratégia de “top kill” para conter o vazamento de óleo no Golfo do México falhou. Uma nova operação, que consistirá em serrar o tubo que vaza e acoplar uma válvula que bombeará o óleo para um navio-tanque na superfície, já teve início nesta terça-feira, segundo a conselheira da Casa Branca para assuntos de meio ambiente, Carol Browner. Desde o início do vazamento, há seis semanas, as ações da BP já perderam mais de um terço de seu valor (ou cerca de US$ 67 bilhões em valor de mercado).

Companhias que fornecem serviços para a BP também registraram grandes perdas. Halliburton e Anadarco Petroleum despencaram 14,82% e 19,55%, respectivamente. As ações da Transocean caíram 11,85%, enquanto os papéis da Cameron Internacional perderam 11,91%. As quatro empresas e a BP, contabilizam juntas uma perda cumulativa de quase US$ 40 bilhões ou 36,6% em valor de mercado desde que a explosão seguida de vazamento aconteceu no Golfo do México.

A Hewlett-Packard recuou 0,93%, após a companhia anunciar que gastará US$ 1 bilhão no relançamento de serviços de sua empresa, ao mesmo tempo em que despede 6.000 funcionários.

Na ponta compradora, as ações da Apple avançaram 1,48% após a companhia anunciar que dois milhões de Ipads já foram vendidos desde o lançamento nos EUA, há cerca de dois meses, e o lançamento em nove mercados internacionais no fim de semana passado. A empresa registrou o terceiro maior ganho da sessão no índice S&P 500.

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As ações da Prudential e AIG perderam 1,72% e 3,19%, na ordem. A AIG rejeitou um pedido de corte no preço de US$ 35,5 bilhões, pela AIA Group, para a compra da Prudential, alimentando especulações de que a aquisição seja cancelada e a AIG avance com o IPO da empresa, previsto para outubro.

Cenário Internacional
O PMI (Purchasing Managers’ Index) chinês, índice que mede a atividade manufatureira no país, caiu de 55,7 para 53,9 pontos na passagem de março para abril, ficando abaixo das estimativas de analistas, de 54,5 pontos.

O Bank of Canada elevou o juro básico do país de 0,25% para 0,50% ao ano. Assim, o Canadá tornou-se a primeira nação do G-7 a apertar a política monetária.

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Na Espanha, o banco Cajá Madrid pediu ao governo um financiamento de emergência que pode chegar a até € 3 bilhões para financiar as fusões que são avaliadas no setor bancário do país, segundo reportagem da agência Reuters nesta terça-feira. Ainda no cenário europeu, o desemprego na Zona do Euro atingiu o maior nível em 12 anos, chegando a 10,1% em abril.