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SÃO PAULO – Envolvida naquele que já é considerado o maior desastre natural da história dos Estados Unidos, as ações da British Petroleum voltam a subir nesta quinta-feira (3), face ao sucesso do primeiro passo da nova tentativa da empresa de conter o vazamento de óleo bruto no Golfo do México.
A companhia conseguiu cortar o tubo principal do poço responsável pelo vazamento. O novo plano da empresa, colocado em prática nesta manhã, pretende colocar um tampão sobre o vazamento, fazendo com que o óleo seja transportado para navios na superfície.
Esta não é a primeira vez que a BP tenta estancar o derramamento de óleo bruto, com o fracasso da operação top kill no início da semana. No entanto, a nova tentativa começa a tomar proximidade de um desfecho favorável, fato que impulsiona, em partes, a euforia em torno dos papéis da petrolífera, levando à alta de 0,60% nas ações negociadas em Londres.
Rebaixamento
A despeito do otimismo do mercado com a nova tentativa da BP para conter o vazamento de óleo bruto, agências de classificação de risco já rebaixaram o rating da empresa, considerando os impactos negativos do desastre para seu perfil de crédito. Para os analistas, a maior preocupação faz referência aos custos que a limpeza da região do golfo do México acarretarão para os balanços da companhia.
A Moody’s Investors diminuiu em um nível o rating de crédito da BP – de “AA1” para “AA2” – segundo relatório publicado nesta sessão. Já a Fitch rebaixou a classificação da petrolífera de “AA+” para “AA”. Ambas as agências atribuíram perspectiva negativa à BP, fato que alerta para a possibilidade de novos rebaixamentos no futuro.
Consequências
Os impactos negativos mencionados por analistas da Moody’s e da Fitch já começam a dar sinais, sendo um deles a possibilidade de que a companhia precise vender seus ativos mais valiosos para cobrir seus custos com limpeza e responsabilidade sobre o derramamento de petróleo ocorrido no último dia 20 de abril.
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Um desses ativos seria a participação que a companhia detém no maior campo de petróleo dos Estados Unidos, localizado no Alasca. Além da venda, a distribuição dos lucros da companhia também já é sinal de preocupação.
Os senadores Ron Wyden, de Oregon, e Charles Schumer, de Nova York, afirmaram que a companhia deveria suspender o pagamento de dividendos antes que os custos com a limpeza e responsabilidades pelo desastre fossem definidos. No ano passado, a BP pagou o equivalente a US$ 10,5 bilhões em dividendos, segundo relatório anual da companhia.
Próximos passos
O presidente norte-americano Barack Obama viajará novamente para a costa da Louisiana nesta sexta-feira (4) para verificar o andamento dos procedimentos de limpeza da região, segundo comunicado enviado pela Casa Branca nesta quinta.
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Por sua vez, o CEO (Chief Executive Officer) da BP, Tony Hayward, fará um pronunciamento aos acionistas na próxima sessão, diante das especulações de que ele seja obrigado a abandonar o cargo por conta de pressões relacionadas ao incidente no Golfo do México.
Na próxima sexta-feira, acionistas da BP e analistas terão a oportunidade de ouvir as colocações de Hayward por meio de teleconferência agendada pela companhia.