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SÃO PAULO – O período de reserva para investidores e acionistas individuais começou nesta segunda-feira (21) para a nova oferta de ações do Banco do Brasil (BBAS3). Em meio a esse processo, o Barclays julga ser particularmente interessante a discussão que se refere à percepção geral de que os bancos privados devem, “por definição”, ser negociados com um prêmio em relação a seus pares públicos.
A instituição inglesa, no entanto, opta por não estabelecer um desconto específico, mas aborda os principais pontos resultantes do controle governamental sobre o Banco do Brasil. Com classificação overweight (expectativa de retorno acima da média do setor nos próximos doze meses) e preço-alvo de R$ 39,00 (upside de 38,4% em relação à cotação de fechamento de 21 de junho), o Barclays acredita que a principal vantagem do BB por ser um banco público é a força da marca.
Para Roberto Attuch e Fabio Zagatti, responsáveis pelo relatório, o benefício não é só pelo acesso privilegiado à folha de pagamentos governamental (e não só ao crédito consignado), mas também pela garantia implícita dada pelo governo, o que torna a base de depósitos do Banco do Brasil mais estável e barata do que a de outras instituições do setor. Além disso, o Barclays ressalta que também é bastante positivo para a marca o fato do banco carregar o nome do País.
Presença em regiões de rápida expansão
O Barclays ainda aponta a exposição aos empréstimos agrícolas como benéfica para o Banco do Brasil. Embora a carteira fique na ponta mais baixa do ROE (rentabilidade sobre o patrimônio líquido, na sigla em inglês), ela é a responsável por reforçar a presença do banco em algumas das áreas de crescimento mais rápido do Brasil, “já que a geografia econômica do País está mudando”.
Em relação aos empréstimos sociais, a teia de agências mais ampla contribuiu com o aumento dos custos apresentados pelo Banco do Brasil no passado, mas ao mesmo tempo coloca o banco em uma posição forte, “pois acreditamos que a maior parte do crescimento do País no futuro virá das classes C e D”, aponta o relatório.
Além disso, o banco pode operar com menos capital do que seus pares privados, já que acredita-se que o governo federal iria dar liquidez à instituição em casos de restrição de capital (embora o Barclays não acredite que esse é um cenário provável).
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A última vantagem apontada pelo Barclays é o melhor posicionamento na aquisição de outros bancos públicos, embora isso possa mudar no próximo governo. No entanto, os analistas afirmam que é muito difícil atribuir um valor a esse fator, em especial porque a avaliação de aquisições sempre – e essencialmente – depende do preço pago.
Interferência governamental
A interferência governamental é justamente o ponto que gera debate mais intenso, na opinião do Barclays. Pode-se argumentar, diz a instituição, que o Banco do Brasil serviu de instrumento da política anticíclica adotada pelo governo durante a crise de 2008. No entanto, “pensamos que essa estratégia se mostrou acertada”, anota o relatório, já que o banco ganhou market share sem apresentar “preços predatórios”. Por outro lado, não há garantia de que esse sucesso será repetido em ciclos futuros, ressaltam os analistas.
Ainda assim, o Barclays encerra o tópico lembrando que as reformas financeiras subsequentes ao Plano Real melhoraram “substancialmente” a governança corporativa no sistema, tanto em relação aos bancos públicos quanto em relação aos bancos privados.
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Valuation atrativo
Em resumo, o Barclays conclui que o valuation apresentado pela instituição ainda é atrativo e em linha com o desconto histórico médio de cerca de 20% a 25% em relação aos principais bancos privados, no caso o Bradesco (BBDC4) e o Itaú Unibanco (ITUB4).