Apesar da maturidade do setor, BB revela otimismo com Copasa

Analista estipula preço-alvo de R$ 32,50 para os papéis da companhia; destaque são investimentos do PAC II no setor

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SÃO PAULO – De olho nas possibilidades de expansão da companhia, por conta da perspectiva de incremento nos investimentos em infra-estrutura no país nos próximos anos, a BB Investimentos atualizou suas projeções para a Copasa (CSMG3). 

Se mostrando otimista em relação a empresa, Letícia Soares Campos, analista da corretora, calculou um preço-alvo para dezembro de 2010 de R$ 32,50, com recomendação de manutenção. “Existem boas oportunidades para as empresas no médio prazo haja vista a presença de demanda reprimida em serviços de esgotamento sanitário, decorrente do déficit no atendimento à população’, nota a analista. 

Maturação
Letícia admite que o setor de saneamento básico nacional já se encontra relativamente maduro, o que em outras palavras significa que seu crescimento não apresenta grande ligação à expansão do PIB e da renda. 

“Com tudo isso, nos últimos anos, o setor tem sido alvo de pesadas injeções de capital, tanto do setor público, quando do privado, motivadas pela necessidade de investimentos na área de infraestrutura, principalmente em função da realização da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos”, escreve, ressaltando que o segmento deverá receber cerca de R$ 35 bilhões em investimentos do PAC II até 2014. 

Passando para o caso mais específico da Copasa, a analista argumenta que a empresa ainda tem espaço para crescer dentro de Minas Gerais, seu estado de atuação, uma vez que restam 240 municípios sem atendimento. Além disso, a empresa não está operando plenamente mesmo nos municípios em que possui concessão, atualmente com atendimento estimado em 98% em água e 83% em esgotamento sanitário. Ela estima que com o atendimento pleno de todas as concessões seriam adicionados cerca de 235 mil habitantes em serviços de abastecimento e 837 mil em termos de coleta de esgoto. 

Tarifas
A companhia também conta com perspectivas animadoras em relação ao reajuste de suas tarifas. Apesar de ter sido prejudicada pela ausência de reajuste tarifário pelo período de 22 meses, e do aumento de 3,96% ter ficado abaixo do inicialmente previsto, a Copasa atualmente encontra-se em situação mais confortável, aponta Letícia. 

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“Embora instituída tardiamente, o processo de criação da ARSAE (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais) e os estudos técnicos e audiências públicas para determinação do reajuste tarifário foram relativamente rápidos e trouxeram mais transparência e credibilidade para a empresa”, um dos grandes problemas enfrentados por companhias do setor. Está agendado para o segundo semestre a discussão da alteração da metodologia que será adotada nos processos de revisão tarifária da empresa.

Riscos
Por fim, a analista da BB Investimentos lista quais são os fatores que impactam negativamente o desempenho da Copasa. Segundo ela, os contratempos de ordem regulatória são os que mais prejudicam a empresa. 

A Copasa está sujeita a um risco político por ser empresa de ingerência governamental, aponta Letícia. Indefinições do marco regulatório do setor, como a titularidade dos ativos das regiões metropolitanas e a implementação efetiva da nova fórmula de cálculo do reajuste tarifário são os outros grandes riscos que impactam o desempenho da companhia.