Bônus de emergentes têm alta em yields após 18 meses de queda; Brasil é exceção

Enquanto o custo do crédito volta a subir nos mercados emergentes, País exibe trajetória inversa, detendo otimismo dos investidores

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SÃO PAULO – Diante do pessimismo que domina os mercados globais nos últimos dias frente à frágil situação fiscal europeia, os yields dos bônus dos mercados emergentes vêm sofrendo uma inversão em sua trajetória de recuo, exibindo sucessivas altas.

Logo, o custo do crédito para estes países volta a subir após um rali de 18 meses, que havia sido influenciado pela grande demanda dos investidores desde o final de 2008. Essa tendência, contudo, o Brasil parece não compartilhar.

Exemplos não faltam
A Argentina deve pagar yields de 11% em seus bônus este ano, de acordo com declarações da gestora Aberdeen à Bloomberg, valor 1 ponto percentual acima daquele que seria a meta do governo, de 10%. No mesmo sentido, a Ucrânia deve ver os yields subirem 0,25 ponto percentual em títulos de cinco anos, para 7,75%. A Polônia também assiste uma alta de 0,47 ponto percentual em seus bônus.

Além deles, Albânia, República Checa, e Indonésia, optaram por postergar seus empréstimos para momentos mais propícios, demonstrando os receios de que a captação possa custar muito mais do que o previsto.

Brasil na contramão
No entanto, o Brasil parece estar um tanto quanto alheio aos recentes temores, ao menos no tocante do mercado de crédito, sinalizando a percepção dos investidores de que o País seria uma opção mais segura em meio ao turbulento cenário.

Pela primeira vez neste ano, os yields pagos pelo governo brasileiro sobre títulos denominados em dólar ficaram abaixo daqueles pagos pelo governo da Rússia. Na última quarta-feira (5), os papéis em questão pagavam um retorno 2,18 superior àquele pago pelos Treasuries – referência no mercado -, enquanto que Moscou pagava 2,19 acima dos bônus norte-americanos. 

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Além disso, o risco-país – referência que condiz com o spread entre os yields pagos por um país em relação aos EUA – do Brasil caminha em trajetória decrescente, já sendo possível que o País obtenha empréstimos a preços mais baixo do que países com ratings superiores. A Rússia volta a ser exemplo nesse caso, tendo um custo mais caro ao mesmo tempo em que sua dívida tem um rating um nível acima do Brasil de acordo com a Standard and Poor’s e dois níveis conforme a classificação da Moody’s.

Bônus
Cabe lembrar que os bônus funcionam da seguinte forma: quanto maior é a demanda por eles, menor será o retorno pago por um governo. Ou seja, à medida que a percepção de risco de default de um país é elevada, a demanda por seus papéis decresce, fazendo com que seja necessário um desembolso muito maior para animar os investidores a emprestarem seu capital.