Destino da bolsa dependerá do duelo entre força doméstica e pressão externa

Apesar das perspectivas positivas para o cenário interno, notícias negativas vindas do front internacional devem atrapalhar

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SÃO PAULO – Após começar o mês de abril na expectativa de superação do recorde histórico do Ibovespa, o investidor inicia maio preocupado. As quedas recentes deixaram o mercado em estado de alerta e em posição mais defensiva e menos propensa a tomada de risco.

Levando por base as perspectivas dos analistas, se dependesse de suas próprias pernas, a bolsa brasileira teria pela frente um mês positivo. “Os fundamentos da economia brasileira e a expectativa de crescimento dos resultados corporativos nos deixam convencidos da avaliação positiva sobre os investimentos no Brasil”, aponta Mônica Araújo da Ativa Corretora. Por aqui, grande atenção deve ser despendida na condução da política monetária, aposta o BB Investimentos.

Mas se o panorama interno é favorável, de onde vem então a preocupação dos investidores? A resposta é simples e já sabida pela maioria do mercado: de fora. São as notícias do cenário internacional, notadamente da Europa, que trazem pressões baixistas para os mercados globais, incluindo o brasileiro.

No que ficar de olho
Em primeiro lugar aparece a situação das contas fiscais das economias europeias, tema que tem injetado pessimismo nos mercados nas últimas semanas, mesmo após a aprovação do resgate à Grécia. O temor agora é de contágio sobre as outras economias do continente com uma situação fiscal mais apertada, com destaque para os PIIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha). As ações das agências de classificação de risco, que tem reduzido ou colocado em perspectiva negativa as notas soberanas destes emissores, esquentam a discussão.

Os EUA também dão sua contribuição, com os mercados atentos à recém acusação de fraude envolvendo o Goldaman Sachs e a reforma do sistema financeiro prometendo trazer volatilidade adicional para os negócios.

Mas ao ver dos analistas, a questão-chave para a trajetória dos mercados em maio será a condução das políticas econômicas na China. Procurando combater o superaquecimento de sua economia, as autoridades chinesas adotaram diversas medidas para frear o crescimento do país, o que pode trazer consequências negativas para a economia brasileira.

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Olho nos nomes ligados a commodities
“Para o Brasil, uma freada no consumo chinês poderá significar uma corrosão nos preços das commodities e isso impactará diretamente o Ibovespa”, destaca a equipe de análise da Coinvalores. Lika T. Takahashi, do Banco Fator, mostra a mesma preocupação com o desempenho das empresas brasileiras ligadas as matérias-primas.

“Desta forma, continuo underweighted em commodities, mas ainda com preferência para a Vale (VALE3, VALE5) em detrimento das siderúrgicas, razoavelmente precificadas, e de Petrobras (PETR3, PETR4), em função das incertezas em relação ao processo de capitalização”, revela. 

“Um grande diferencial para essa expectativa de performance para o Ibovespa pode ser a capitalização da Petrobras, que diante das decisões tomadas no final de abril, deverá realmente ocorrer gerando ainda mais insegurança para o trading de curto prazo na bolsa brasileira”, afirma, por fim, Mônica Araújo, corroborando com a opinião de Lika.