Bolsas europeias caem forte, com percepção mais acentuada de risco fiscal

Crise abala a confiança dos mercados e investidores intensificam temores sobre risco de contágio para outros países

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SÃO PAULO – As bolsas europeias mais uma vez encerraram em queda nesta sexta-feira (7), em um movimento que se repetiu ao longo da semana, em resposta à intensificação dos temores sobre a crise da dívida grega e do risco de contágio para outros países do continente.

Além disso, a integridade dos sistemas operacionais norte-americanos foi posta em xeque após o Dow Jones chegar a recuar no intraday mais de 9% no pregão da véspera por uma possível ordem errada, intensificada por transações de alta frequência.

Em espera por respostas sobre as causas do pânico generalizado da véspera nos mercados globais, quando parte dos mercados na região já havia fechado, os investidores buscam avaliar os riscos efetivos envolvidos no agravamento da situação grega.

O índice CAC 40  da bolsa de Paris  apresentou desvalorização de 4,60% a 3.393 pontos, acumulando no ano forte baixa de 13,81%, enquanto o FTSE 100  da bolsa de Londres encerrou em baixa de 2,62%, atingindo 5.123 pontos e sua variação no ano acumula forte baixa de 5,36%. A Bolsa de Frankfurt, apresentou uma forte baixa de 3,27% , atingindo 5.715 pontos, acumulando uma fraca valorização de 4,07%.  A Bolsa de Milão, apresentou uma forte baixa de 3,27% , atingindo 18.846 pontos. A Bolsa de Madrid recuou 3,28% , passando a 9.046 pontos.

% Var Dia Pontos %Var 30D %Var Ano
 FTSE 100 -2,62 5.123 -11,09 -5,36 
 DAX 30 -3,27 5.715 -8,15 -4,07 
 CAC 40 -4,60 3.393 -15,75 -13,81 
 SMI -2,85 6.206 -9,32 -5,20 

Política em destaque
Neste contexto, os ministros de finanças do G7 – grupo que reúne sete dos países mais ricos – realizarão uma teleconferência para debater o agravamento da crise relacionada à Grécia, gerando expectativas em torno de medidas adicionais para ajudar o país europeu e acalmar os mercados.

Na Alemanha, a câmara baixa do parlamento alemão (Bundestag), análoga à Câmara dos Deputados no Brasil, aprovou a ajuda de € 22,4 bilhões à Grécia, correspondente à fatia do país no plano de resgate de € 110 bilhões definido pelos países da Zona do Euro.

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Entretanto, para a ajuda se concretizar, é preciso que as medidas sejam aprovadas pela Bundesrat, considerada a câmara alta do parlamento alemão, onde o governo da Chanceler Angela Merkel também possui apoio majoritário. E mesmo a aprovação não foi suficiente para conter a instabilidade dominante no mercado internacional.

No plano político, ganha destaque a eleição para o parlamento do Reino Unido, que consolidou a vitória do partido conservador. Entretanto, a frágil maioria conquistada causa incertezas em relação à formação do governo.

Bancos pressionam índices
Com a divulgação de prejuízo equivalente a £ 713 milhões no primeiro trimestre, o RBS (Royal Bank of Scotland) vê suas ações despencarem na sessão, com perda de 5,66%. A instituição foi a única dentre os grandes bancos britânicos a reportar prejuízo no primeiro trimestre de 2010.

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O agravamento dos temores em relação à situação fiscal europeia fez com que CDS (Credit-Default Swap) dos bancos europeus excedessem os níveis observados durante a quebra do Lehman Brothers, demonstrando que, na prática, o delicado momento pelo qual passa a economia europeia traz uma percepção de risco mais elevada do que a da crise de 2008.

Os CDSs do Markit iTraxx Fianancial Index, índice de 25 bancos e seguradoras, subiram 40 pontos-base, para 223 pontos-base, de acordo com o JPMorgan. Em 9 de março, o mesmo indicador apontava para 212 pb. Além disso, os CDSs de Grécia, Portugal, Itália e Espanha também subiram, encostando em seus recordes de alta.

Em Paris, o Crédit Agricole recuou 7,2% após declarar que a exposição a ativos na Grécia é de 2,4 bilhões. BNP Paribas e Société Générale também registram queda de, respectivamente, 5,68% e 8% nesta sessão. Em Frankfurt, Deutsche Bank também recuou 1,56%.

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Indicadores econômicos
Após a divulgação da criação de 290 mil vagas de trabalho nos Estados Unidos em abril, os índices acionários chegaram a reduzir perdas, para depois voltar a perder força. O número estava acima da expectativa dos analistas, embora o Departamento do Trabalho também tenha anunciado que a taxa de desemprego no país aumentou de 9,7% para 9,9% da PEA (População Economicamente Ativa).