Bolsas voltam a operar em baixa, com temor de crise e regulação

Novas regras aprovadas pelo Senado nos EUA e incertezas sobre situação europeia voltam a preocupar investidores

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A quinta-feira (20) não trouxe melhora no mau humor dos mercados visto ao longo da semana, com mais tensões vindas da Europa, em meio a crise fiscal no continente. Indicadores decepcionantes no Japão e nos EUA também não ajudaram. Por aqui, o Ibovespa seguiu o pessimismo externo e recuou 2,50%, a 58.192 pontos, menor patamar desde 8 de setembro de 2009. O volume financeiro totalizou R$ 7,95 bilhões. 

Destoando do clima negativo no mercado, os papéis do setor imobiliário mostraram forte avanço na sessão, liderando os ganhos do índice. Os papéis reagem à expectativa de que o bilionário norte-americano Sam Zell estaria levantando US$ 500 milhões para aumentar suas aplicações no setor no Brasil através da Equity International, firma de investimentos focada exclusivamente no setor de real state. O investidor estaria apostando que a alta nas taxas de juros não irá conter a demanda, como muitos analistas esperam, uma vez que a economia está crescendo no maior ritmo em duas décadas. 

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, confessou na noite passada à agência de notícias Bloomberg que a recente queda dos mercados mundiais pode fazer com que a estatal postergue sua oferta pública de ações programada para os próximos meses. Ainda sobre a estatal, foi assinado acordo de cooperação com a Galp Energia para desenvolver projetos na área de biocombustíveis em Portugal. A parceria já fora anunciada no último dia 5 de maio e foi ratificada esta semana em território português. Por fim, o secretário de petróleo e gás do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Coimbra, afirmou que o poço 2-ANP-1-RJS, conhecido como Franco, é o mais cotado para ser utilizado no processo de cessão onerosa da Petrobras. 

Com relação à Vale, segundo a agência Nikkei, a empresa, juntamente com a mineradora Rio Tinto, fechou um acordo oficial com as principais siderúrgicas do Japão, que vai praticamente dobrar os preços do minério de ferro entre abril e junho, na comparação anual. Os preços do pó do minério de ferro teriam sido fixados em cerca de US$ 110 por tonelada para o minério de ferro brasileiro.

A SulAmérica firmou a compra da participação na Brasilsaúde detida pela BB Seguros, subsidiária do Banco do Brasil, pela cifra de R$ 28,4 milhões. A fatia corresponde à totalidade da participação detida pelo Banco do Brasil, e representa 49,92% do capital da Brasilsaúde. As ações do Banco do Brasil recuaram 2,5%.

Agenda
O PIB do Japão avançou 4,9% no primeiro trimestre em temos anualizados, aquém da expansão de 5,5% prevista por analistas, contribuindo para a queda nos mercados asiáticos. Nos EUA, houve aumento acima do esperado nos pedidos de auxílio-desemprego na última semana, e o Leading Indicators veio abaixo do esperado em abril. Por outro lado, a atividade da Filadélfia surpreendeu positivamente no mesmo mês.

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Por aqui, o IPCA-15 acelerou frente ao mês anterior e apontou inflação de 0,63% em maio. O Ministério do Planejamento elevou suas projeções para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2010, sendo esperado agora um crescimento de 5,5% – a previsão anterior era de 5,2%.

A Nota de Mercado Aberto de abril, divulgada pelo Banco Central, revelou que o estoque total da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna avançou R$ 92,53 bilhões, ou 6,61%, na comparação com o mês anterior, para R$ 1,493 trilhão.

Noticiário
No velho continente, o dia é marcado ainda por protestos contra as medidas para conter o déficit fiscal da Grécia e da Espanha. Ainda sobre a Grécia, o FMI negou que tenha pedido ao governo do país que reduzisse os salários pagos ao setor privado, como fez com os funcionários públicos. O Fundo Monetário Internacional ainda afirmou que a Europa precisa de uma coordenação econômica mais forte.

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Ainda na Europa, pesou também a perspectiva de que Nicolas Sarkozy, presidente francês, possa juntar-se a Portugal e Espanha no time de países que aprovaram medidas de austeridade fiscal para controlar as contas públicas. A apreensão pela decisão da Alemanha quanto à sua contribuição no pacote de resgate orçado em US$ 1 trilhão ajudou a manter a aversão ao risco entre os investidores.

O fundo estatal Dubai World chegou a um acordo com credores para reestruturar US$ 23,5 bilhões em dívidas, à medida que procura tornar-se solvente em meio aos resquícios de uma crise de crédito. Após a reestruturação, o fundo deterá US$ 14,4 bilhões em dívidas, dos quais US$ 4,4 bilhões serão pagos em cinco anos e os US$ 10 bilhões restantes serão distribuídos durante os próximos oito anos.

Mercados nesta sexta-feira
O clima de aversão ao risco segue forte entre investidores e a manhã desta sexta-feira (21) é mais uma de trajetórias negativas nas bolsas europeias e nos mercados futuros norte-americanos.

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O PMI (Purchasing Managers Index) da Zona do Euro recuou para 56,2 pontos durante o mês de maio, abaixo dos 57,3 pontos vistos em abril e do previsto por analistas, enquanto que a confiança do empresário alemão caiu para 101,5 pontos, ao passo que o mercado esperava uma elevação para 101,9 pontos.

Se os indicadores não ajudam, o plano corporativo também não traz grande alívio. A British Airways revelou prejuízo líquido de 425 milhões em seu último ano fiscal e é destaque de queda em Londres. Em Wall Street, a Dell também revelou desempenho contábil abaixo do esperado e seus papéis caem forte no pré-market.

Vivo na mira da Telefónica
Por aqui, o noticiário é escasso. Um dos destaques fica para o setor de telecomunicações, após o site espanhol Cotizalia ter afirmado em reportagem que a Telefónica procurou o Credit Suisse em busca de apoio para a aquisição da Vivo (VIVO3, VIVO4).

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Citando fontes não identificadas, a publicação informou que a companhia espanhola procurou Fernando Abril-Martorell, presidente do banco de investimentos, por conta de suas boas relações com a Portugal Telecom, controladora da Vivo e empresa na qual o Credit Suisse possui 2% de participação.

JBS anuncia recall e suspensão de exportações
Dos rumores aos fatos, a JBS (JBSS3) enviou nota ao mercado nesta manhã informando seus acionistas de que autoridades norte-americanas detectaram a presença de Ivermectina (um vermífugo comumente aplicado ao gado) acima do limite permitido pela legislação do país em parte de seus produtos industrializados na planta de Lins, no interior paulista.

“Como conseqüência, a empresa está fazendo um recall desses produtos e enviando-os de volta ao Brasil. Adicionalmente, a planta de Lins está, no momento, desautorizada a fazer novas exportações ao mercado norte-americano, até que o problema seja esclarecido”, afirmou a JBS.

Ainda de acordo com a nota enviada, o impacto financeiro por conta da suspensão das exportações da planta de Lins deve ser “imaterial”, uma vez que outras plantas devem compensar a de Lins, atendendo normalmente o mercado norte-americano.

Recompra de ações do Paraná Banco
Na noite passada, o Paraná Banco (PRBC4) anunciou o encerramento de seu 6° programa de recompra de ações iniciado em 13 de outubro de 2009. No período, o banco adquiriu um total de 2.056.100 ações preferenciais de sua emissão, canceladas em reunião do Conselho de Administração.

O banco também anunciou um novo programa de recompra de ações, com o objetivo de maximizar a geração de valor para o acionista através “de uma administração eficiente da estrutura de capital”. O objetivo é recomprar 2.613.777 ações, que representam 10% do total de papéis em circulação no mercado.

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