Máxima Asset lança fundo de investimentos em debêntures conversíveis

Em entrevista à InfoMoney, diretor de relacionamento fala ainda sobre estratégia de gestão e escolha dos ativos em carteira

Publicidade

SÃO PAULO – Com pouco mais de R$ 1 bilhão de ativos sob gestão, a Máxima Asset acaba de lançar um fundo de investimentos em debêntures conversíveis em ações, mas com uma estratégia diferenciada. O Brazil Growth, como é chamado o produto, não visa o rendimento do ativo enquanto renda fixa, mas sim uma participação futura em empresas com potencial de crescimento acima da média. 

Em entrevista à InfoMoney, Eduardo Villela, diretor de relacionamento da gestora de assets, fala sobre a estrutura da instituição, controlada pelo Banco Máxima, e os produtos oferecidos, que focam o mercado de juros e participações ativas em companhias abertas small caps, como a João Fortes Engenharia e a Plascar. 

Portal InfoMoney: Existe um banco Máxima, uma corretora Máxima e uma gestora de recursos Máxima. Como funciona essa estrutura?

Eduardo Villela: São três empresas que são ligadas. O Banco Máxima tem a matriz no Rio de Janeiro e algumas pessoas trabalhando em São Paulo e a Máxima Corretora é o inverso: hoje o principal escritório da corretora está em São Paulo e desde março e abril, inauguramos um escritório no Rio de Janeiro. A gestora, por enquanto, está concentrada no Rio de Janeiro.

Mas o banco é o controlador das duas empresas, tanto da gestora quanto da corretora.

Você acha que essa estrutura facilita as operações de vocês?

Continua depois da publicidade

A gestora atua de forma independente. Estar ligado a uma instituição financeira tem os dois lados da moeda. Alguns investidores podem entender que o fato de se estar ligado a uma instituição financeira pode causar algum conflito de interesses entre seus investimentos. Por isso nos foi exigida há algum tempo a separação das atividades da gestora de recursos de terceiros da instituição financeira.

“A gestora atua de forma independente,
mas estar ligado a uma instituição
financeira tem os dois lados da moeda”
 

Ao mesmo tempo isso traz um pouco mais de peso, um pouco mais de responsabilidade com relação à preservação do nome, da marca do grupo. Hoje, isso para a gente é positivo, mas não tenho tanta certeza se para todas as instituições isso é positivo. Acho que o sistema financeiro do Brasil é entendido como sólido e bem regulado, com o Banco Central acompanhando de perto as atividades que o banco desenvolve, ter uma asset ligada eventualmente traz valor. 

Apesar de vocês serem uma estrutura de recursos independente, vocês têm algum tipo de relacionamento com a estrutura do banco?

Continua depois da publicidade

Sim. Na parte da captação dos clientes, do relacionamento dos clientes, a ideia é que venhamos a intensificar esse relacionamento conjunto, entretanto, sem abandonar a ideia da independência. Não temos nenhuma obrigação formal de contribuir na distribuição dos produtos do banco. isso é meramente sinérgico. Formalmente com nossos clientes, estamos interessados em investir os recursos dos fundos de investimento por nós geridos. 

Quais os principais produtos que vocês oferecem?

Vou separar em três categorias: a primeira é a dos fundos exclusivos. A maior parte dos recursos desses fundos, por volta de R$ 400 milhões, é dedicada a investidores institucionais, e aqui eu chamo os institucionais de fundos de pensão. Esses fundos têm características próprias desenhadas de acordo com interesses e objetivos de cada um desses clientes. Temos ainda fundos exclusivos para investidores não institucionais, em que a elaboração do produto também depende do perfil do cliente.

Continua depois da publicidade

Uma segunda categoria são os fundos coletivos ou abertos ao público em geral. No público geral, obviamente pode haver uma segmentação por tipo de investimento, mas não há uma restrição específica. Você só qualifica o investidor em função do volume mínimo de aplicação.

E o terceiro segmento é um fundo específico nosso e que ganhou bastante tamanho. É um fundo de small caps, um fundo de participações em companhias small caps, chamado Máxima Participações. 

Que tipo de investimento vocês realizam com cada um desses produtos?

Continua depois da publicidade

Nos exclusivos, temos uma atuação relevante nos fundos de crédito privado e estratégia no mercado de juros com orientação macroeconômica. Ou seja, é uma categoria de renda fixa, mas a estratégia que procuramos implementar é com foco no comportamento do mercado de juros, tendo como base perspectivas macroeconômicas.

Nos fundos coletivos, para os investidores em geral, o carro-chefe também é um fundo com essas características. Para isso, temos um time dedicado a esse tipo de estratégia.

E no último segmento, o fundo de participação em companhias abertas classificadas como small caps, visamos empresas de médio tamanho, com valor de mercado de até R$ 800 milhões, R$ 1 bilhão. 

Nesse fundo de small caps, qual o nível de participação de vocês nessas empresas? Vocês participam do Conselho de Administração, ajudam na tomada de decisões?

“Nosso objetivo é efetivamente ter
uma participação relevante nas
companhias e ter uma atuação ativista”

Sim, esse é o objetivo desse produto, que hoje tem um pouco mais de 400 milhões e é direcionado a companhias abertas. O objetivo dele é efetivamente ter uma participação relevante nas companhias em que investe e ter uma atuação, como o mercado acabou chamando, ativista dentro das companhias. Ou seja, nossa participação vai efetivamente permitir que tenhamos assento no conselho e façamos uso disso para que a companhia tenha o desempenho que esperamos que ela tenha.

Em que empresas vocês possuem participação?

As mais relevantes que divulgamos são a João Fortes Engenharia e a Plascar. 

Existe um período determinado de tempo durante o qual vocês mantêm os investimentos nas empresas?

Não tem um período determinado. Mas, na visão do cenário brasileiro, são períodos de médio e longo prazo, que vão de três a cinco anos. É um período suficiente para que os investimentos que venhamos a fazer nas companhias maturem e tenham um retorno diferenciado em relação a retorno de mercado. 

Quais os critérios de escolha das empresas em que vocês vão investir?

São cinco critérios que temos que enxergar nas companhias para que comecemos a fazer os investimentos. Um deles é a existência de uma pulverização das participações no mercado, ou seja, não adianta querer comprar participação relevante em uma companhia com participações concentradas em poucos agentes. Para esse agente alienar a participação dele, exigiria um prêmio nessa negociação, o que tira, portanto, o potencial de valorização do ativo.

Outro critério é a nossa percepção de que existe um potencial de retorno expressivo naquela ação, seja por uma razão de liquidez ou pela empresa não ter conseguido divulgar ao mercado informações relevantes a seu respeito, para que se perceba valor naquela companhia.

O terceiro critério é que exista um alinhamento da gestão ou do controlador em relação aos nossos objetivos e interesses, com o nosso objetivo de fazer com que a companhia se valorize. Então, que não haja conflito de interesses entre o controlador e a companhia.

Outro fator relevante é a análise do negócio em particular, a avaliação do setor que esse negócio está presente, se aquele negócio está inserido em um contexto de valorização no médio e longo prazo. Se entendemos que determinado setor não apresenta uma trajetória de crescimento, preferimos não atuar. Por mais que haja companhias de grande valor, por outros motivos, isso pode ser prejudicado.

E o quinto critério é um pouco de timing de mercado, um pouco de entender a dinâmica do mercado naquele momento.

Nós temos um comitê de investimento para esse fundo, composto por cinco pessoas da asset e representantes dos cotistas dos fundos. Mas a asset tem o poder de resolver qual investimento quer fazer ou não. Apesar de termos transparência com nossos investidores e gostar de que eles estejam próximos da gente, em última instância, a decisão compete exclusivamente à asset. 

Em que empresas ou setores vocês estudam iniciar novas participações?

“Temos interesse pelo setor de
infraestrutura, incluindo energia,
logística e transportes”
 

O setor imobiliário é um de que temos aproximação, com o investimento na João Fortes. E, em concordância também com os principais investidores desse fundo, que são os institucionais, temos interesse pelo setor de infraestrutura, incluindo energia, logística (armazenamento, transporte e distribuição) e transportes. 

Quais desses produtos oferecidos apresentam maior procura pelos clientes?

Entre os fundos coletivos, o que a gente entende que tem maior valor agregado e capacidade de crescimento é o Máxima Advanced. É um fundo daquele tipo que citei anteriormente, com foco no comportamento do mercado de juro, orientado em perspectivas econômicas. 

A instituição procura buscar novos perfis de clientes?

Temos, nosso foco é crescimento. Hoje temos mais de R$ 1 bilhão em patrimônio administrado, que já é um tamanho razoável, mas em relação ao mercado ainda é uma asset em crescimento. Minha atividade hoje concentra-se em aumentar os valores administrados pela gestão. Nossa equipe está preparada para dobrar o volume de gestão, mas nossa área de relacionamento é bastante enxuta. Então, entendemos que vamos nos apoiar na distribuição de terceiros para fazer crescer nossos volumes.

E de que maneira vamos fazer isso? Buscando os próprios alocadores e distribuidores. Estamos em contato com os principais bancos que possuem áreas formalmente constituídas de alocação de fundos de terceiros, para que eles aprovem a qualidade de nossa gestão e a qualidade do risco de nossos fundos. Estamos buscando esse espaço de ser qualificados para fazer parte desse portfólio potencial de alocação.

Temos ainda foco em family offices, escritórios que dão atendimento a pessoas com alto poder de riqueza e que, em vez de atuar diretamente no mercado, compram cotas em fundos.

Nossa estratégia, então, não é ir direto ao cliente, mas ir por intermédio de alguém que já tenha o cliente dentro de si, de maneira de otimizar nossa capacidade de atração. 

E vocês trabalham com investidores estrangeiros?

Brasil realmente está na moda. Nos últimos cinco anos, o fluxo estrangeiro foi enorme e a Máxima dedicou pouco de sua atividade em estreitar relacionamento com estrangeiros. Esse é o ponto principal de sinergia entre o Banco Máxima e a Máxima Asset, que comentamos anteriormente. O banco constituiu este ano uma área internacional e entre as intenções está o estreitamento das relações com estrangeiros. A Máxima Asset pega carona e vai demonstrar ideias e oportunidades de investimento no Brasil por intermédio de fundos de investimento. 

Que projetos a Máxima Asset possui para este ano e os próximos?

“Acabamos de montar um fundo
que fará seus investimentos na
forma de debêntures conversíveis”
 

No médio prazo, buscamos a continuidade do processo de consolidação e crescimento do nosso negócio, queremos aumentar os volumes investidos do fundo orientado para o mercado de juros local com orientação macroeconômica e do fundo de participação em companhias small caps.

No curto prazo, acabamos de montar um fundo que se chama Brazil Growth, que é um fundo um pouco parecido esse fundo de small caps, focado no crescimento dessas empresas. Mas esse fundo novo fará seus investimentos na forma de debêntures conversíveis. Ele já possui um patrimônio perto de R$ 100 milhões.

Investimento em debênture conversível é uma coisa nova; ele consiste em obtermos a debênture conversível e, lá na frente, quando ela se converter em ações, conquistarmos participação significativa na empresa. A estratégia não é comprar crédito e carregar a debênture pelo retorno enquanto renda fixa, mas sim observar que a conversão da debênture em ações nos permitirá ter acesso àquela companhia com uma participação relevante. Obviamente, também procuramos companhias com potencial de retorno e crescimento acima da média.