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SÃO PAULO – Após o Tribunal Regional Federal de Brasília cassar a liminar que impedia a realização do leilão de energia da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, confirmado para a próxima terça-feira (20), dois consórcios confirmaram sua participação no evento.
O Nova Energia, consórcio formado por nove empresas com destaque para a estatal Chesf (Companhia Hidrelétrica do São Francisco), e o Belo Monte Energia, formado por seis empresas, entre as quais a também estatal Furnas, entregaram, nesta sexta-feira (16), R$ 190 milhões cada para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para garantir sua participação. O valor, avalizado pelo Banco Bradesco, equivale a 1% do total da usina, de R$ 19 bilhões.
Uma simulação do leilão ocorrerá neste sábado (17) com participação exclusiva dos consórcios. Ganhará a licitação quem oferecer o menor preço do megawatt-hora a ser produzido pela usina. O preço teto estipulado pelo Ministério de Minas e Energia é de R$ 83 – valor considerado muito baixo por algumas empresas que se retiraram da disputa.
Satisfatório
Para Nelson Hubner, o diretor-geral da Aneel, a participação destes dois consórcios é uma resposta “muito satisfatória”. De acordo com ele, um empreendimento do porte de Belo Monte nunca vai ter um número imenso de concorrentes. “Não é uma pequena central. É uma usina de 11 mil megawatts”.
“Existe sempre um jogo de pressão. Mas esta foi uma boa resposta. A gente tem um modelo forte, mas o que nos preocupa é a pressão contra usinas hidrelétricas neste país. Cada leilão desse é uma dificuldade louca”, afirmou Hubner.
“Esse é um projeto que estamos discutindo há 20 anos com a sociedade, com todo o mundo. Ele foi praticamente todo refeito para atender a todos os condicionantes. As questões ambientais e sociais foram profundamente tratadas nos estudos”, disse, por fim, o diretor-geral da agência, referindo-se principalmente as medidas tomadas para proteger a população indígena da região do Rio Xingu, onde a usina será construída, no Pará.