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SÃO PAULO – Sem dúvida, o catalisador das fortes perdas nas bolsas globais nesta terça-feira (27) foi o corte nos ratings de Grécia e Portugal promovido pela agência Standard & Poor’s. A novidade não foi o elevado patamar das dívidas públicas destes países, já que os dados são conhecidos há algum tempo. Nem a ação por si só da S&P, já que nas últimas semanas assistimos uma série de notas soberanas serem reduzidas (no caso grego, Moody’s e Fitch o fizeram neste mês de abril). O que cresce no mercado é o sentimento de que a questão não está mais tão sob controle.
Embora por diversas oportunidades autoridades da Grécia tenham manifestado confiança numa resolução de curto prazo para a extrapolada dívida pública, a Alemanha resiste em promover suporte financeiro ao país. A percepção que fica é que ou a linha bilateral de crédito acordada entre União Europeia e FMI demore a chegar a Atenas ou que o país terá que no curto prazo correr para outras formas de financiamento, que sairiam com um custo elevado, já que o prêmio de risco não para de crescer.
Oposição política no caso, prospecto negativo para a economia e desconfiança na habilidade do governo local em dar uma resposta à crise fiscal foram os principais motivos apontados pela S&P para não só cortar a nota da Grécia em três patamares e levá-la ao nível especulativo, mas também mantê-la em perspectiva negativa.
A história envolvendo o corte da nota de Portugal tem um outro enredo. A interpretação é que o problema fiscal não se isola à Grécia, e contamina outras economias da Europa. Entre os emissores constantemente alvo de crítica por suas dívidas públicas em elevados patamares, aparecem Espanha, Itália, França, Rússia, Holanda e Irlanda, entre outros. Sem contar os historicamente AAA EUA, Japão e Grã-Bretanha. Em outras palavras, mais cortes de rating podem vir por aí, e economias antes vistas como imbatíveis não geram mais tanta confiança.
Com todas estas discussões à mesa, o mercado questiona se dificuldades em gestão das finanças públicas que resultam em crises fiscais – que por sua vez resultam em cortes de ratings – podem se agravar a ponto de virarem calote.
A consultoria CMA Vision, especializada em métricas de risco de crédito, tem um ranking dos emissores com maiores probabilidades de default. A Grécia lidera a relação, com o maior CPD (Cumulative Probability of Default) dentre os emissores relacionados. A metodologia da CMA considera as emissões de dívida mais voláteis, tomando por referência as variações percentuais nos CDSs de cinco anos.
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O país helênico bate até mesmo emissores tradicionalmente conhecidos por seus elevados níveis de probabilidade de defaul, Venezuela e Argentina.
| Emissor | Spread Médio | Probabilidade Cumulativa de Default |
| Grécia | 823,72 | 47,97% |
| Venezuela | 851,23 | 44,98% |
| Argentina | 852,61 | 43,97% |
| Paquistão | 673,50 | 36,75% |
| Ucrânia | 560,89 | 32,36% |
| Portugal | 385,89 | 28,43% |
| Iraque | 427,40 | 26,40% |
| Dubai | 430,68 | 25,89% |
| Islândia | 423,90 | 25,18% |
| Letônia | 354,11 | 21,90% |