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SÃO PAULO – O mercado doméstico se descola do dia de mau humor no exterior e, após abrir em queda, amenizou as perdas nesta sexta-feira (8) e passou a operar perto da estabilidade. Lá fora, o dia é pressionado pela derrocada das bolsas asiáticas após a China apresentar queda de 20% em suas exportações e elevar as preocupações sobre uma desaceleração do crescimento global.
Após abrir em queda, o índice acelerou as perdas após o relatório de emprego dos Estados Unidos apresentar resultado bem abaixo do esperado. A maior economia do mundo criou 20 mil vagas, enquanto analistas consultados pela Bloomberg esperavam a criação de 180 mil vagas. Porém, logo em seguida amenizou a queda, coincidindo mais uma vez com declarações de Bolsonaro sobre a Previdência.
Neste contexto, às 13h12 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha alta de 0,07%, aos 94.402 pontos, após chegar a 93.304 pontos na mínima do dia. O contrato de dólar futuro com vencimento em abril recuava 0,22%, a R$ 3,868, e o dólar comercial virou para queda de 0,57%, cotado a R$ 3,865 na venda, após superar os R$ 3,89 mais cedo.
No mercado de juros, o contrato futuro com vencimento em janeiro de 2021 recua 3 pontos-base, a 7,12%, enquanto o DI para janeiro de 2023 cai 5 pontos-base, para 8,27%. O mercado fica de olho na inflação medida pelo IGP-DI, que ficou em 1,25%, superando a projeção de 1,15% dos analistas compilados pela Bloomberg. Em janeiro, o indicador ficou em 0,07%.
Falando a repórteres em Brasília, Bolsonaro afirmou que se reformas não forem feitas agora, a tendência do Brasil é chegar “à beira do caos”. Ele reforçou ainda que o país não pode demorar um ano para aprovar a nova Previdência.
“Estamos buscando os parlamentares, apelando para o espírito patriótico deles […] Não podemos levar um ano para aprovar a reforma, vamos fazer de tudo para que não seja desidratada, mas respeitamos a autonomia do parlamento”, afirmou ele ressaltando que espera que a reforma seja aprovada na Câmara ainda neste semestre.
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Rodrigo Maia, presidente da Câmara, disse que pretende instalar na quarta-feira (13) a comissão de Constituição e Justiça – a primeira a debater a reforma da Previdência, que em seguida passará por uma comissão especial e por dois turnos de votação no plenário.
No exterior, as bolsas dos Estados Unidos operam em queda – e caso terminem o dia assim será o quinto pregão seguido de perdas – puxado pelo mercado asiático, onde os índices caíram cerca de 2%, com a bolsa de Xangai desabando 4,4% após dados fracos da economia e também pelo relatório de emprego.
Segundo dados da Administração Geral das Alfândegas chinesa, o país registrou uma queda expressiva de 20,7% em suas exportações em dólar em fevereiro em relação a um ano antes, contra uma alta de 9,1% no mês anterior. O resultado ficou 4,8% abaixo do que esperavam os analistas.
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Enquanto isso, as importações denominadas em dólar caíram 5,2% em fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado. Economistas lembram que por conta do Ano Novo Chinês, os dados de fevereiro tendem a ser distorcidos. Por outro lado, no acumulado de janeiro e fevereiro, as exportações ainda mostraram queda de 4,6%.
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Ainda no exterior, a economia dos Estados Unidos gerou 20 mil postos de trabalho em fevereiro. Esse é o pior resultado em 17 meses e veio bem abaixo da estimativa do mercado de criação de 180 mil vagas de trabalho no mês passado, segundo mediana do levantamento da Bloomberg.
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Conforme destaca o MarketWatch, o número de novos empregos nos setores não-agrícolas criados no mês passado ficou bem abaixo da previsão de 172 mil postos feitas pelo portal. Mas, ressalta a publicação, a desaceleração provavelmente foi exagerada por improbabilidades sazonais que não devem persistir.
O Departamento de Trabalho dos EUA informou também que a taxa de desemprego norte-americana teve queda, passando de 4% para 3,8%, enquanto a estimativa era de 3,9%. Já os ganhos médios por hora tiveram alta de 0,4% na comparação mensal, ante estimativa de alta de 0,3%.
Destaques de ações
As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
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| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| RADL3 | RAIADROGASILON | 66,78 | +6,37 | +16,85 | 80,98M |
| QUAL3 | QUALICORP ON | 15,48 | +3,89 | +20,09 | 10,89M |
| VVAR3 | VIAVAREJO ON | 4,58 | +3,85 | +4,33 | 31,87M |
| ESTC3 | ESTACIO PARTON | 26,93 | +3,58 | +13,34 | 29,03M |
| NATU3 | NATURA ON ED | 48,27 | +3,41 | +7,86 | 33,16M |
As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| CSNA3 | SID NACIONALON | 13,99 | -5,09 | +58,26 | 165,04M |
| SUZB3 | SUZANO PAPELON | 47,15 | -3,04 | +23,82 | 133,57M |
| GGBR4 | GERDAU PN ED | 14,53 | -1,36 | -1,30 | 67,46M |
| LOGG3 | LOG COM PROPON | 17,00 | -1,33 | -5,66 | 1,95M |
| PETR3 | PETROBRAS ON N2 | 28,84 | -1,30 | +13,54 | 133,80M |
| * – Lote de mil ações 1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) |
Reforma da Previdência
Na tarde de quinta, o presidente Jair Bolsonaro voltou às redes sociais, desta vez para defender a reforma da Previdência e acabou levando o Ibovespa a fechar com leves ganhos.
“Os avanços que o Brasil precisa dependem da aprovação da Nova Previdência. É a partir dela que o país terá condições de estabilizar as contas, potencializar investimentos, viabilizar uma rígida reforma tributária e enxugar ainda mais a máquina pública, reduzindo nossas estatais”, tuitou o presidente.
Enquanto isso, em entrevista ao Valor Econômico, o secretário de Previdência Social, Leonardo Rolim, afirmou que toda concessão que o governo fizer ao Congresso para garantir a aprovação da reforma da Previdência terá que ser compensada para que se mantenha a meta de economia de R$ 1 trilhão em dez anos. “Se for fazer concessões, tem que compensar para não baixar a meta. Não há uma folga grande”, disse.
Em meio a tudo isso, estrategistas e investidores estão se preparando para um período agitado com o início da tramitação do projeto de lei para a reforma, aponta a Bloomberg. Há relatos de que o ministro da Economia, Paulo Guedes, começou a negociar a reforma diretamente com os deputados devido à preocupação de que o governo tenha feito pouco progresso na divulgação da proposta no Congresso.
“Algo precisa acontecer antes que o otimismo comece a se esvair”, disse Brendan McKenna, estrategista de câmbio do Wells Fargo, para a Bloomberg. “Quando o projeto de lei for para a Câmara dos Deputados, eu gostaria de ver uma economia na área de pelo menos R$ 700 bilhões para colocar o Brasil em uma trajetória sustentável. Qualquer coisa abaixo disso e o real estará em apuros”.
Cenário externo
Enquanto isso, na “guerra comercial”, EUA e China ainda não marcaram uma data para uma reunião de cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping para resolver a atual disputa entre as duas maiores economias do mundo, uma vez que nenhum dos lados acredita que um acordo seja iminente, afirmou o embaixador americano para a China, Terry Branstad.
Em entrevista ao Wall Street Journal, Branstad disse que sequer há preparativos para um encontro entre Trump e Xi. Nos últimos dias, haviam surgido relatos de que os dois se encontrariam na residência de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, possivelmente no fim deste mês.
Segundo Branstad, negociadores dos dois países precisam reduzir ainda mais a diferença entre suas posições, inclusive no que diz respeito ao fechamento de um eventual acordo, antes que se iniciem preparativos para uma cúpula.
Já as bolsas europeias operam em queda seguindo o mau humor global e ainda sentindo o peso da fala do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, que na véspera anunciou uma nova rodada de empréstimos para aumentar os empréstimos nos bancos da zona do euro e, assim, estimular a economia real.
Draghi também disse que as taxas de juros continuarão nos níveis atuais pelo menos até o final do ano. O BCE também reduziu sua previsão de crescimento para a zona do euro de 1,7% para 1,1% para este ano.
Live de Bolsonaro
Previdência também foi assunto da live no Facebook realizada por Bolsonaro. Na fala, acompanhada pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, e pelo porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, ele também tratou de outros assuntos, como explicações sobre sua polêmica declaração em relação às Forças Armadas.
Bolsonaro disse esperar que a reforma “não seja muito desidratada” pelo Congresso Nacional. O texto, proposto pelo governo, já está na Câmara dos Deputados, que ainda formará as comissões para o início da tramitação, esperado para a próxima semana. Sugestões de alterações no texto já foram feitas por líderes de partidos em uma reunião com o presidente, na semana passada.
“Nós precisamos fazer uma reforma da Previdência. Afinal de contas, ela está mais do que deficitária. […] Nós pretendemos aprovar a reforma que está lá. Se bem que o Parlamento é soberano para fazer qualquer possível alteração. Só esperamos que ela não seja muito desidratada, para que atinja seu objetivo e sobre recursos para investirmos em emprego, saúde, segurança e educação”, disse Bolsonaro.
Sobre sua declaração de que a democracia e a liberdade só existem se as Forças Armadas quiserem, o presidente disse que foi mal interpretado e que as declarações foram distorcidas pela imprensa. O general Heleno afirmou ainda que as Forças Armadas são um “pilar da democracia e da liberdade”.
“Essa não é uma fala polêmica, as suas palavras foram de improviso e foram colocadas exatamente para aqueles que amam sua pátria, e que vivem diariamente a manutenção da democracia e da liberdade”, disse o ministro.
“De acordo com a tendência das Forças Armadas, de acordo com a determinação, isso acaba sendo o fator fundamental do regime político do país, e no caso do Brasil, é claro que as Forças Armadas são um pilar da democracia e da liberdade”, completou.
O presidente também comentou sobre a Medida Provisória que prevê o fim do desconto em folha da contribuição sindical. “O sindicato vai ter que emitir boleto e o trabalhador que achar que o sindicato está fazendo um bom trabalho, vai lá e paga. Esperamos que o Parlamento aprove essa medida, que fará justiça para todos”, explicou.
Após estes dois assuntos, Bolsonaro passou a fazer um giro rápido sobre diversos assuntos do governo. Ele afirmou que irá acabar com as lombadas eletrônicas no país e criticou o excesso de radares nas estradas, indicando que muitos deles não são feitos para diminuírem os acidentes, e sim para arrecadação com multas.
No fim, questionado por um internauta sobre a “abertura do BNDES”, Bolsonaro afirmou que terá uma “aula” para entender melhor as questões do banco de desenvolvimento e que chamará o presidente do banco, Joaquim Levy, para uma reunião.
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