A estatal chinesa que poderia “roubar” a Embraer da Boeing

Em relatório chamado "Embraer: E se... a China passar à frente da Boeing?", o Bradesco BBI aponta que a chinesa COMAC ainda poderia passar à frente da Boeing

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SÃO PAULO – Muitos veículos de comunicação destacaram durante a última semana que o “polêmico” acordo entre a Boeing e a Embraer (EMBR3) firmado no começo do mês deve ter o seu aval do governo – mas só em novembro, com a intenção de evitar críticas durante as eleições. A aprovação do governo brasileiro é a chave da negociação, já que ele possui uma “golden share”, que dá poder de veto em grandes decisões da companhia. 

Desta forma, o acordo finalmente pode resultar na formação de uma joint venture entre as duas companhias. Porém, há risco do acordo entre a americana e a brasileira não acontecer?

O Bradesco BBI fez uma análise sobre esse cenário hipotético e apontou, em relatório, que uma empresa poderia “roubar” a brasileira da Boeing.

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– As muitas incertezas que ainda existem sobre o acordo entre Embraer e Boeing

Em relatório chamado “Embraer: E se… a China passar à frente da Boeing?”, os analistas do banco apontaram que a chinesa COMAC ainda poderia passar à frente da Boeing para comprar 80% da unidade de aviação comercial da Embraer.

A equipe de análise, liderada por Victor Mizusaki, ressalta que o governo do gigante asiático tem investido no desenvolvimento de sua indústria aeroespacial através do programa “Made in China 2025”. Porém, as aéreas chinesas ainda são altamente dependentes de aeronaves e fabricantes de motores estrangeiros, levando inclusive à criação em 2016 de uma nova fabricante de motores chamada Aero Engine Corp of China. 

Nesse sentido, a COMAC poderia fazer uma oferta maior do que a Boeing pela Embraer para formar uma joint venture de aviação comercial, avalia o Bradesco BBI, ressaltando que a empresa é estatal e isso significa que ela tem reserva para transações estratégicas de fusões e aquisições como essa. Já a Boeing propôs pagar US$ 3,8 bilhões à brasileira para ter 80% da joint venture, o que não agradou nem um pouco o mercado, que esperava valores maiores na transação. 

Além disso, avalia Mizusaki, embora o portfólio não seja totalmente complementar, esse negócio poderia ser benéfico para a Embraer e para a COMAC. Isso porque, enquanto a Embraer poderia transferir sua tecnologia de desenvolvimento de produtos e certificação de aeronaves para a COMAC, teria em contrapartida novos pedidos da China. 

Porém, apontam os analistas, mesmo o OEM (ou a tradução, fabricante original do equipamento) chinês também enfrentaria obstáculos já impostos à Boeing – como o cronograma apertado, golden share e aprovação de acionistas – limitando o potencial de valorização em um ajuste de probabilidade de preço-alvo. Desta forma, o Bradesco BBI segue com recomendação neutra e preço-alvo de R$ 30. Sendo uma americana ou até mesmo uma chinesa a fazer o acordo com a Embraer, o cronograma é apertado e a decisão pode ser transferida para o próximo governo.

Vale destacar que, após cair 18% desde o acordo com a Boeing foi assinado em meio às insatisfações com os valores e incertezas sobre como se dará a integração, as ações da companhia chegaram a apontar para recuperação na última semana com encomendas contratadas por diversas empresas aéreas para a companhia, mas logo reverteu os ganhos e caminha para fechar a semana no zero. As incertezas seguem turvando o cenário sobre a Embraer – e os próximos passos tanto do governo quanto da própria companhia serão essenciais para definir os próximos passos da empresa na Bolsa. 

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.