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SÃO PAULO – Nos últimos dias estourou uma grande “bomba” no colo do governo e que está respingando diretamente na Petrobras (PETR3; PETR4). Não há como negar, os combustíveis estão realmente caros e pagar quase R$ 5 na gasolina é difícil para todo mundo, mas se tem alguém que não é culpado por isso é a Petrobras.
Desde 3 de julho de 2017, a companhia usa uma política de reajustes de preços que segue o cenário internacional, e tanto analistas quanto o próprio mercado financeiro já mostraram que isso é positivo para a empresa. É só olhar para a alta das ações da companhia neste período, que chega a 96% no caso dos papéis preferenciais e 113% para os ordinários. Infelizmente o preço alto é ruim para os consumidores, mas é inevitável e a Petrobras não tem controle total sobre isso.
Em resumo, a alta dos preços dos combustíveis está relacionada a dois fatores: petróleo e dólar. No primeiro caso, a commodity saltou de cerca de US$ 50 quando a Petrobras lançou sua nova política, para mais de US$ 70 nos últimos dias. Neste mesmo período, o dólar saiu de R$ 3,20 para R$ 3,65. Ou seja, reclamar da Petrobras pela alta da gasolina é como culpar o padeiro pelo pãozinho estar mais caro por conta da alta do trigo.
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O fator neste caso, passa a ser mais político do que financeiro, e isso traz péssimas memórias para os investidores. Ainda no fim do primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, o governo, buscando elevar sua popularidade antes da disputa das eleições de 2014, criou uma política em que os preços dos combustíveis eram mantidos baixos. O resultado até deixou a população feliz, mas praticamente quebrou a Petrobras, que tinha que arcar do próprio bolso a venda da gasolina abaixo do preço de custo, fato que prejudicou a empresa tanto quanto a corrupção investigada pela Lava Jato.
Voltando para 2018, o governo se vê em um cenário bastante complicado: o presidente Michel Temer tem uma rejeição de 70%, e, na avaliação do Planalto, uma parte disso é culpa da alta dos combustíveis. A maior parte da população não pensa na Petrobras quando vai abastecer, mas o quanto os valores estão pesando no seu bolso, o que gera insatisfação diante do cenário atual. E aí está o dilema: como o governo pode reduzir o preço da gasolina e do diesel e ganhar apoio do povo sem prejudicar a Petrobras?
São duas possibilidades:
1) Cortar impostos: hoje os impostos representam cerca de 45% dos custos do combustível, considerando as taxas estaduais e federais. Este pode parecer o caminho mais fácil, já que não afetaria a Petrobras e deixaria as pessoas felizes, mas aí pesa a situação fiscal do governo. Tanto em nível federal quanto estadual, não há espaço para uma redução de receitas, o que inviabiliza esta solução.
2) Nova política de preços da Petrobras: Nesta opção, a estatal seria obrigada a reduzir seus preços, algo que já foi provado nos últimos anos que não dá certo. O CEO da companhia, Pedro Parente, já deixou claro que se o governo intervir na empresa, ele irá renunciar ao cargo. Para os analistas do Itaú BBA, há pouca chance disso acontecer, mas existe uma possibilidade que pode ser a melhor solução.
Em relatório para clientes nesta terça-feira (22), o Itaú destaca que o que podemos ver é uma política de preços semelhante ao que foi feito com o GLP (gás liquefeito de petróleo), em que foram criados mecanismos para tornar os ajustes mais previsíveis e menos frequentes. Por outro lado, os analistas ressaltam que existem grandes diferenças nos dois mercados e as mesmas regras não podem simplesmente ser aplicadas de um para o outro.
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É para ficar com medo?
Desde a notícia de que o governo está realizando reuniões de emergência com ministros os investidores entraram em um “modo cautela” e as ações da Petrobras engataram uma queda acentuada. Mesmo assim, o Itaú BBA destaca que a notícia, apesar de trazer volatilidade no curto prazo, não é motivo para pânico. Segundo os analistas, o cenário não deve seguir na linha de uma intervenção do governo na política de preços da estatal.
Nesta manhã, Parente deixou claro que o governo não quer fazer esta mudança. “Ficou esclarecido na reunião que, em hipótese nenhuma, em nenhum momento, passou pela cabeça do governo pedir qualquer mudança na política de preços da Petrobras. Não houve discussão em relação à política”, disse ele antes de participar de uma reunião com ministros e o presidente Michel Temer.
Não é só a Petrobras
Há ainda um outro setor que pode ser prejudicado por este debate, o de distribuição de combustíveis, representado por três empresas na bolsa: Ultrapar (UGPA3), Cosan (CSAN3) e BR Distribuidora (BRDT3). No caso da dona da rede Ipiranga, os papéis desabaram 6% ontem e ligaram o alerta do mercado, mas para os analistas do Itaú BBA, não há o que temer.
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Para eles, a possível mudança nos preços dos combustíveis e a queda das ações não estão correlacionados, já que, primeiramente, isso teria impactado as três empresas, e tanto Cosan quanto BR Distribuidora não caíram ontem. Além disso, eles destacam que, mesmo que parece ruim, o impacto da redução nos preços seria marginalmente positiva, já que a demanda poderia aumentar em termos de volume. “Em nossa opinião, esse fluxo de notícias deve ser um não evento para as empresas de distribuição”, concluem.
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