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SÃO PAULO – O risco de um ciclo mais célere de elevação nos juros nos Estados Unidos voltou a preocupar os investidores da B3. Nesta segunda-feira (23), Ibovespa fechou praticamente estável, com variação positiva de 0,06%, a 85.602 pontos, mantendo distância da resistência técnica dos 86 mil pontos. No radar dos investidores, o recente movimento de valorização das commodities, em vez de motivar uma valorização de ativos brasileiros, trouxe no mercado internacional preocupação sobre uma possível onda inflacionária, o que incitaria posição mais agressiva das autoridades monetárias, com destaque para o Federal Reserve. O giro financeiro negociado na B3 neste pregão foi de R$ 8,809 bilhões.
Devido à forte alta do petróleo neste mês, cresce a expectativa por um aumento da inflação por todo o globo, já que os combustíveis são um componente inflacionário que afeta toda a cadeia de transportes, o que implica, por exemplo, em maior preço de alimentos. Com uma maior pressão inflacionária, cresce a probabilidade de o Federal Reserve elevar os juros norte-americanos mais rapidamente e reduzir a liquidez no mercado.
Em função da segurança oferecida, os Treasuries normalmente têm demanda elevada em períodos de maior instabilidade nos mercados acionários. Nestes momentos de postura mais cautelosa por parte dos investidores, os rendimentos (yields) dos títulos recuam e o que aumenta é o PU (Preço Unitário) do ativo.
Com o ambiente de maior aversão a risco no mercado e uma busca por “ativos mais seguros”, o dólar encerrou o dia em alta de 1,21% ante o real, cotado a R$ 3,4528 na venda. O dia também foi de alta para os contratos de juros futuros, em meio ao ambiente global mais propenso a pressões inflacionárias.
Além disso, os investidores digerem os dados do último Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. Depois de 11 quedas seguidas, os analistas elevaram a expectativa para a inflação este ano de 3,48% para 3,49%, ao mesmo tempo em que reduziram pela quarta vez consecutiva a expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2,76% para 2,75%.
Veja os destaques deste pregão e a agenda para o resto da semana:
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Destaques do mercado
Do lado acionário, os papéis da Hypera (HYPE3) — ex-Hypermarcas — lideraram as perdas dentro do índice, com rumores que a empresa irá trocar o comando da empresa. Na ponta positiva, os papéis da Kroton subiram depois do anúncio da compra da Somos Educação (SEDU3) por R$ 4,57 bilhões.
As maiores altas, dentre as ações que compõem o Ibovespa, foram:
| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| KROT3 | KROTON ON | 14,21 | +5,26 | -22,28 | 234,47M |
| LAME4 | LOJAS AMERICPN | 19,68 | +3,36 | +15,96 | 173,61M |
| MGLU3 | MAGAZ LUIZA ON ED | 99,87 | +3,05 | +24,84 | 123,94M |
| PCAR4 | P.ACUCAR-CBDPN | 74,60 | +2,90 | -4,98 | 232,32M |
| SMLS3 | SMILES ON | 69,29 | +2,65 | -8,55 | 99,73M |
As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Ibovespa, foram:
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| Cód. | Ativo | Cot R$ | % Dia | % Ano | Vol1 |
|---|---|---|---|---|---|
| HYPE3 | HYPERA ON | 31,72 | -5,60 | -9,05 | 217,43M |
| NATU3 | NATURA ON | 32,23 | -2,63 | -1,56 | 48,12M |
| USIM5 | USIMINAS PNA | 10,99 | -2,31 | +20,77 | 100,88M |
| FLRY3 | FLEURY ON | 26,70 | -2,20 | -7,32 | 51,07M |
| BBAS3 | BRASIL ON | 36,94 | -1,81 | +16,99 | 345,45M |
As ações mais negociadas, dentre as que compõem o Ibovespa, foram :
| Código | Ativo | Cot R$ | Var % | Vol1 | Vol 30d1 | Neg |
|---|---|---|---|---|---|---|
| PETR4 | PETROBRAS PN | 22,48 | +0,54 | 819,85M | 1,06B | 43.784 |
| VALE3 | VALE ON | 47,50 | -0,27 | 558,76M | 670,35M | 25.071 |
| BBAS3 | BRASIL ON | 36,94 | -1,81 | 345,45M | 340,94M | 17.956 |
| ITUB4 | ITAUUNIBANCOPN | 50,98 | +0,18 | 343,02M | 520,25M | 15.221 |
| KROT3 | KROTON ON | 14,21 | +5,26 | 234,47M | 137,70M | 31.392 |
| PCAR4 | P.ACUCAR-CBDPN | 74,60 | +2,90 | 232,32M | 65,34M | 4.954 |
| HYPE3 | HYPERA ON | 31,72 | -5,60 | 217,43M | 82,61M | 26.433 |
| BBDC4 | BRADESCO PN | 34,25 | -0,03 | 191,70M | 404,89M | 20.940 |
| ABEV3 | AMBEV S/A ON | 23,45 | +0,09 | 189,36M | 302,01M | 21.796 |
| LAME4 | LOJAS AMERICPN | 19,68 | +3,36 | 173,61M | 93,40M | 18.184 |
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão) IBOVESPA
Agenda doméstica da semana
Entre os destaques na agenda econômica, na próxima quarta (25) o Banco Central divulga a Nota do Setor Externo do mês de março às 10h30. A GO Associados projeta superávit de US$ 600 milhões na balança de transações correntes no mês.
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Na sessão seguinte, o Banco Central divulga às 10h30 os dados do mercado de crédito referentes ao mês de março: a expectativa é pela continuidade do quadro de melhora gradual nas concessões de crédito. Também na quinta, às 12h, a Secretaria do Tesouro Nacional informa o resultado fiscal de março do governo central, que inclui o Tesouro Nacional, o Banco Central e a Previdência. A GO Associados estima déficit primário de R$ 20,3 bilhões no mês.
Na sexta-feira (27), o IBGE divulga às 9h o resultado de março da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). “Dando continuidade ao movimento de melhora em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, porém piora na margem, esperamos que a taxa de desemprego alcance 12,9% no primeiro trimestre”, destaca a Rosenberg Consultores Associados.
O noticiário corporativo também está bastante movimentado, com atenção para a intensificação da divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2018: Santander (SANB11), Telefônica Brasil (VIVT4), Suzano (SUZB3), Bradesco (BBDC4) e Embraer (EMBR3) divulgam seus números para o período, enquanto o grande destaque fica para a Vale (VALE3), que revela os seus dados na próxima quarta-feira (25) depois do fechamento do mercado.
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Agenda externa da semana
Já o indicador externo mais importante da semana será a divulgação do PIB do primeiro trimestre dos EUA, que ocorre na sexta-feira (27) às 9h30. “O primeiro trimestre é geralmente mais fraco por causa de efeitos sazonais, mesmo assim, o resultado deve mostrar um crescimento anualizado próximo a 3%. Os investidores estarão monitorando o resultado para avaliar o ritmo das altas das taxas de juros nos EUA ao longo do ano”, aponta a GO. Na agenda americana, bens duráveis e vendas de casas novas também chamam a atenção.
Destaque ainda para a reunião do BCE (Banco Central Europeu) na quinta-feira. Segundo a GO Associados, não se espera uma mudança nas taxas de juros no bloco europeu, que deve permanecer em território negativo, mas o BCE deverá dar nova sinalização e detalhe sobre o fim do seu programa de recompra de ativos, que deve ocorrer ainda este ano. Na sexta-feira (27) o Bank of Japan deverá também manter a taxa de juro no seu nível atual, ligeiramente em território negativo.
Ainda no exterior, vale ficar de olho nas falas do presidente dos EUA Donald Trump. Após algumas sessões de certo alívio, sem novas tensões causadas por comentários de Trump sobre a guerra comercial ou a questão Síria, o petróleo registrou perdas após um tuíte do presidente americano, que escreveu na manhã de sexta que os preços do petróleo artificialmente altos não serão aceitos, o que levou à queda dos contratos futuros da commodity. Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.
Barbosa mostra força novamente
Durante o fim de semana, vale destacar pesquisa divulgada pelo website Poder360 mostrando Jair Bolsonaro e Joaquim Barbosa liderando os 2 cenários estimulados de 1º turno, enquanto no 2º turno Bolsonaro derrotaria Geraldo Alckmin e Barbosa venceria Bolsonaro. Em cenário com apenas 7 candidatos, os números são os seguintes: Bolsonaro 22,4%, Barbosa 16,3%, Gomes 8,4%, Marina 8,2%, Haddad 7,4%, Dias 6,3% e Alckmin 5,5%. Em cenário mais amplo, esses são os resultados: Bolsonaro 20,0%, Barbosa 12,9%, Marina 10,0%, Gomes 9,0%, Alckmin 8,0%, Dias 6,0%, Haddad 3,9%, Manuela D’Ávila 2,0%, Collor 1,0%, Afif 1,0%, Boulos 1,0% e Amoêdo 0,5%.
Com Barbosa ganhando força, o possível candidato do PSB passou a ser assediado por embaixadas e agências de investimento. Enquanto isso, destaca o mesmo jornal, com a indefinição sobre a candidatura que pode emergir do PT, caciques do centrão no Nordeste começaram a sondar as direções de suas siglas sobre a possibilidade de declararem apoio a Ciro Gomes (PDT). Ex-governador do Ceará, o pedetista é conhecido na região.
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