Tensão global pode afetar a decisão do Copom de amanhã?

Enquanto o mercado se recupera do baque do sell-off de ontem, especulações sobre Copom ganham força

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SÃO PAULO – O mercado brasileiro começa a se recuperar do sell-off global observado nos últimos dois pregões, quando os investidores do mundo inteiro buscaram proteção em meio aos riscos de uma aceleração no ritmo de aperto monetário do Federal Reserve nos Estados Unidos.

Neste pregão, a volatilidade ainda chama atenção, mas o pessimismo parece ter dado uma trégua, com o Ibovespa ensaiando movimento de recuperação. Às 14h08 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira acumulava variação positiva de 1,17%, a 82.816 pontos, embalado sobretudo pelas ações de Petrobras (PETR3; PETR4), Vale (VALE3), bancos e siderúrgicas.

Apesar da melhora no clima do mercado, a percepção de que dados econômicos norte-americanos mais sólidos pode abrir espaço para uma elevação a mais nos juros do que as três já aguardadas para o ano persiste. “Volatilidade é a regra do jogo”, afirmou Pablo Spyer, diretor da mesa de operações da Mirae Asset Wealth Management. Ele acredita que um novo movimento de baixa será observado nos próximos dias, com a aproximação do feriado de Carnaval. “Ninguém vai querer ficar comprado no índice. Vamos ver muita gente zerando nos próximos dias”.

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À medida que o clima de apreensão global observado na véspera se dissipa, no Brasil os investidores passam dar maior atenção à primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) no ano, que poderá decretar o fim do ciclo de cortes na taxa básica de juros — hoje fixada em 7% ao ano. Do mesmo modo, crescem as especulações sobre como o Banco Central irá se comportar.

Segundo Spyer, o atual nível das curvas de juros futuros indicam uma precificação de 93% do mercado para um corte de 25 pontos-base na Selic amanhã e de 32% na próxima reunião, marcada para março. Os contratos de DI com vencimento em janeiro de 2019 subiam cerca de 1 ponto-base nesta tarde, a 6,83%.

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Para o diretor da Mirae Asset, o movimento recente do mercado não deve influenciar na decisão do Copom, que deverá culminar em um novo corte de 25 pontos-base na Selic. Por outro lado, ainda não se sabe quais serão os efeitos para a próxima reunião dos diretores do BC. “Ainda precisamos ver os desdobramentos. Ninguém sabe exatamente o que está acontecendo lá, mas a volatilidade está altíssima”, afirmou. 

Para analistas ouvidos pela Bloomberg, o aumento da volatilidade dos mercados globais pode levar a autoridade monetária brasileira a sinalizar mais claramente o final do ciclo de afrouxamento monetário na quarta-feira (7). Na avaliação de Matheus Gallina, da Quantitas, o BC pode começar a mudar seu diagnóstico para o quadro externo, de cenário benigno para neutro. Ele acredita que os eventos recentes aumentam “marginalmente” a chance de haver a sinalização de que este será o último corte.

“Talvez estejamos ao fim do interregno benigno, como o BC havia sinalizado que poderia ocorrer”, concordou Cristiano Oliveira, do Banco Fibra.

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O analista Eugênio Aleman, do Wells Fargo, entrevistado pela Bloomberg, mostrou-se otimista com os fundamentos globais apesar do colapso dos mercados nos últimos dias. Para ele, o BC não deverá alterar seu comportamento por conta dos eventos recentes.

Sérgio Vale, da MB Associados, ressaltou a recuperação da economia brasileira e a possibilidade de impactos menores de eventual reversão norte-americana. Contudo, ponderou: “se houver crise nos EUA, tende a ser menor do que em 2008. Entretanto, a grande dificuldade de uma recessão nos EUA é que há poucas portas de saída e isso pode estressar mais o mercado”.


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.