Fundos de renda fixa veem sua participação no PL diminuir gradativamente

Segundo dados da Anbima, participação da categoria na indústria passou de 40% para 27% nos últimos 10 anos

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SÃO PAULO – Apesar da infinidade de alocações existentes na indústria de fundos de investimentos, os dados mostram a preferência dos fundos de renda fixa, responsáveis por 27,31% do patrimônio líquido total dos fundos do País (atualmente em R$ 1,407 trilhão, segundo dados recentes da Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Contudo, a história mostra que essa categoria tem visto sua hegemonia no mercado diminuir gradativamente com a passagem dos anos.

Em dezembro de 1998 – quando surgiram as categorias Curto Prazo, Referenciado DI e Previdência -, a participação dos fundos de renda fixa no patrimônio total do Brasil era de 46,83%. Ou seja, nos últimos 12 anos, a fatia desses investimentos sobre o PL total diminuiu 19,52 pontos percentuais.

Se essa porcentagem diminuiu nesse período, então é porque outras categorias passaram a ter maior representatividade sobre o dinheiro total investido no Brasil. Entre novos tipos de fundos que surgiram nos últimos anos e um crescimento maciço de algumas dessas categorias, os dados da Anbima deixam claro que esse mercado tem passado por uma forte segmentação.

Breve histórico dos fundos
Antes de analisarmos o porquê dessa fragmentação no mercado brasileiro de fundos, vamos primeiro entender como o patrimônio líquido dessa indústria se comportou ao longo de sua história. Os dados da Anbima mostram que, até o ano de 1983, o setor era composto unicamente por fundos de ações, que obviamente respondiam pela totalidade do capital investido.

No entanto, a partir de 1984, surgiu a categoria renda fixa, que fechou aquele ano já com 47,58% da fatia do PL total, contra 52,42% dos fundos de ações. Esse percentual foi aumentando cada vez mais, chegando a alcançar 96,81% em dezembro de 1992, ante 3,19% das ações.

Em 1995, surgiram duas categorias de fundos: os multimercados e os cambiais, que fecharam aquele ano com participação de 13,24% e 0,37%, respectivamente. Ajudando ainda mais a amenizar a supremacia da renda fixa na indústria do País, em 1998 mais três categorias apareceram – curto prazo, referenciado DI e previdência. Por fim, os “off shore” em 2002 e os fundos de participações em 2008 completam a lista atual de categorias dos fundos.

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A tabela abaixo mostra como a participação do patrimônio líquido total foi se dissolvendo à medida que novas categorias entraram na indústria de fundos do País. Vale mencionar que, apesar de não expressas na tabela abaixo, as categorias FIDC, Imobiliário e Dívida Externa também têm uma parcela pequena do PL da indústria de fundos nacional. 

% do PL –
histórico 
 Renda 
Fixa
 Ações 

Multi
 mercados 

 Cambial   Refer. DI   Curto 
 Prazo 
 Previdência   Off Shore   Particip.  PL TOTAL
(em R$ bi) 
2000 40,92% 8,12% 14,95% 1,36% 30,46% 3,32% 0,78% — — R$ 297,104
2001 37,42% 7,14% 22,46% 2,12% 29,34% — 1,44% — — R$ 344,413
2002 32,86% 8,87% 25,77% 1,68% 24,58% — 2,89% 3,15% — R$ 356,056
2003 33,44% 7,93% 27,51% 1,31% 18,86% 2,72% 4,32% 3,56% — R$ 515,957
2004 30,16% 8,27% 28,6% 0,78% 17,99% 3,64% 5,81% 3,56% — R$ 613,701
2005 39,64% 8,34% 17,23% 0,29% 20,23% 2,74% 6,86% 2,55% — R$ 739,179
2006 33,76% 10,17% 22,68% 0,14% 17,81% 2,48% 7,94% 2,71% — R$ 939,356
2007 30,25% 15,48% 23,57% 0,06% 14,59% 2,39% 8,01% 3,08% — R$ 1.158,0
2008 28,94% 10,11% 23,45% 0,07% 16,18% 3,22% 9,81% 2,1% 2,21% R$ 1.135,4
2009 26,35% 11,85% 23,72% 0,05% 13,97% 3,38% 10,5% 3,57% 2,78% R$ 1.418,2
03/03/2010 27,31% 11,76% 23,18% 0,05% 13,49% 3,7% 10,47% 3,62% 2,78% R$ 1.406,0

Fonte: Anbima

Dissolvendo a participação
De 1995 até os dias de hoje, os fundos multimercados passaram de 13,24% para 23,18%, o que mostra uma expansão de quase 100% de sua participação sobre o patrimônio líquido total existente nos fundos brasileiros. Outra categoria que abocanhou uma fatia mercado foi a referenciado DI, que, após estrear no mercado de fundos com 27,6% do PL total, responde atualmente por 13,5% do montante total.

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Contudo, a maior evolução é vista nos fundos de previdência. De 1998 pra cá, a parcela deles sobre o capital total investido no País passou de 0,1% para 10,47%. No mesmo período, os fundos de curto prazo também viram sua importância no mercado crescer gradativamente ao longo dos anos.

De fato, a renda fixa continua sendo o principal destino do capital na indústria brasileira de fundos. Mas, analisando os dados históricos, com a gradual diminuição de sua participação sobre o PL total ao mesmo tempo em que os multimercados expandem sua fatia de mercado, essa hegemonia pode estar ameaçada nos próximos anos, acompanhando o desenvolvimento do mercado e dos investidores brasileiros.


Idealizador e apresentador do canal Stock Pickers