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SÃO PAULO – Em meio à euforia do mercado com o placar do julgamento do ex-presidente Lula, o Ibovespa supera pela primeira vez o nível histórico dos 83.000 pontos nesta quarta-feira (24), acompanhando uma forte alta das ações da Petrobras (PETR4). Mas, enquanto os papéis sobem mais de 4%, as opções de compra da petroleira chegam saltam aos olhos dos investidores, com valorização de até 100%.
Esse era o caso dos contratos PETRB99, que têm preço de exercício em R$ 19,75 e vencimento no dia 19 de fevereiro (representado pela letra “B” no código). Segundo a cotação das 16h33 (horário de Brasília), essas opções registravam alta de 95,24%, a R$ 0,41, depois de atingirem na máxima do dia ganhos de 104%, a R$ 0,43.
Esses contratos ganhavam força diante da maior probabilidade de darem exercício, com as ações da estatal registrando alta de 4,21% no mesmo momento, a R$ 19,06. Para isso ocorrer, o “strike” (preço de exercício) precisa ser inferior ao preço da ação no dia do vencimento.
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A mesma situação era vista nos contratos PETRB49 e PETRB69, com preços de exercícios em R$ 19,50 e R$ 19,00. No mesmo momento, essas opções disparavam 88,46% e 77,50%.
Quem aproveitou esse rali?
Vendo um bom potencial de valorização em Petrobras, o analista Fernando Góes, da Clear Corretora, recomendou na quarta-feira passada (17/01) uma trava de alta em Petrobras. A montagem foi feita com os contratos PETRB69 e PETRB49, com o custo de R$ 0,10. Nessa operação, o investidor compra a opção mais curta (no caso, PETRB69) e venda a mais longa (PETRB49).
Com o rali da estatal, essa estrutura é negociada hoje a R$ 0,22. Isto é, dando um ganho até o momento de 120%.
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A expectativa do analista é que essa operação renda pelo menos 300%, podendo chegar a um ganho de até 500%.
O que é mercado de opções?
A opção é um derivativo negociado no mercado financeiro. E como qualquer derivativo, seu preço “deriva” da oscilação do ativo ao qual ela se lastreia – no caso de uma opção de ação, o contrato varia de acordo com as oscilações desta ação na Bovespa. Quem compra uma opção está adquirindo o “direito” de comprar ou vender alguma ação a um preço previamente estabelecido (chamado “preço de exercício”, ou “strike”) até um vencimento estabelecido. Já quem vende a opção tem a obrigação de atender a exigência daquele que comprou o contrato.
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Tomando como exemplo o caso da Petrobras citado na matéria: quem comprou a opção de compra PETRB69 pode escolher se quer exercer ou não seu direito de comprar as ações PETR4 a R$ 19,00 no dia 19 de janeiro; já quem vendeu a opção de venda terá a obrigação de comprar estas ações caso o detentor da opção exerça seu direito.
Embora o mercado de opções seja muito utilizado para operações de “hedge” (proteção), o baixo custo para acessar este mercado – muitas opções chegam a custar R$ 0,01 por contrato – atrai muitos especuladores que buscam rentabilidades explosivas em um curto espaço de tempo. No entanto, é preciso ter ciência dos riscos embutidos nestes investimentos, já que o investidor corre o risco de perder 100% do capital investido caso a opção que ele comprou não torne-se financeiramente interessante para ser exercida até o vencimento dela – o que no jargão deste mercado é dito que a opção “virou pó”.