Projeção de declínio para telefonia fixa é driver para Telesp

Telefonia fixa deve perder ainda mais espaço; porém, alguns analistas esperam investimentos da empresa em novos serviços

Publicidade

SÃO PAULO – Fracos resultados operacionais, com queda nas margens e nas assinaturas, ilustram um cenário de cautela para Telesp (TLPP4). Entretanto, mais do que isso, as tendências declinantes para o setor de telefonia fixa – a empresa possui concessão para ser a operadora de telecomunicações em São Paulo, desde 1998 – justificam a recomendação de venda para as ações da empresa pelos analistas.

Além disso, no ano passado, a Telesp passou por problemas com o Speedy que comprometeram seus resultados e o desempenho de suas ações veio abaixo do Ibovespa e do Itel.

“Em 2009 a Telesp viveu seu inferno astral. A pane no serviço de banda larga Speedy, que havia ocorrido em julho de 2008 estava praticamente esquecido quando novos e mais intensos problemas voltaram a comprometer os serviços da operadora”, lembram os analistas do Banco Fator Corretora, Jacqueline Lison e Pedro Gomes. 

Ao todo, foram seis dias que impediram a conexão dos usuários à rede, parcial ou totalmente, em abril do ano passado. Com isso, a Aneel (Agência Nacional de Telecomunicações) proibiu a venda de novas assinaturas do Speedy em 19 de junho, com a comercialização retomada apenas em 26 de agosto do mesmo ano.

O resultado foram lucro e receita líquida em queda, refletindo o impacto da paralisação, com um balanço fraco no terceiro e quarto trimestres. A margem Ebitda ajustada (relação percentual entre geração operacional de caixa e receita líquida) caiu de 41% em 2008 para 37,2% no ano passado, vindo em 35% no quarto trimestre – ou seja, ainda sem mostrar movimento de recuperação comparado aos 36,9% no trimestre imediatamente anterior.

“Adicionalmente, em função da campanha negativa pela suspensão do serviço, projetamos perda equivalente a cerca de 70 mil clientes por mês, exclusivamente relacionados à proibição”, adicionam. Enquanto de julho a setembro a empresa perdeu 277 mil clientes,  nos últimos três meses do ano a queda foi de 58 mil.

Continua depois da publicidade

Riscos e mercado justirticam recomendação de venda
Os resultados fracos são a primeira justificativa de James Rivett, analista do Citigroup, para o case de investimento da empresa. O Ebitda (geração operacional de caixa) veio em R$ 1,395 bilhão, abaixo das estimativas, do trimestre anterior, e também do mesmo período de 2008.

A receita líquida, de R$ 3,99 bilhões, entretanto, veio melhor que os três meses anteriores e ligeiramente acima das expectativas do analista, que atribuiu isso, entretanto, a menores impostos e deduções. 

O segundo risco citado pelo analista do Citi foi o impacto das restrições à venda do Speedy que, em sua visão, não ficou apenas no curto prazo, uma vez que demandou custos adicionais de marketing e promocionais. “Isso deve levar a margem Ebitda a patamar ainda menor”, explica.

Continua depois da publicidade

Desde 2003, cerca de um quarto da melhora que se via no Ebitda vinha do programa de redução da força do trabalho, mas a projeção de que essa melhora deve estar chegando ao fim é o terceiro risco citado por Rivett.

Por fim, sem mudanças na estrutura de capital – vale lembrar que 86% das ações ordinárias da empresa e 89% das preferenciais são controladas pela Telefónica – a Telesp ficará restrita a pagar 100% dos lucros em dividendos aos acionistas – o que implica um dividend yield de 5%, ante cerca de 10% pagos pelos títulos públicos brasileiros.

“Reiteramos nossa recomendação de venda, mantendo o cenário projetado de erosão do market share, margens declinantes e aumento nos gastos com investimentos”, resume Rivett. A recomendação do analista é de venda do papel.

Continua depois da publicidade

O viés negativo, refletido em recomendação abaixo da média do mercado, é compartilhado pelo analista Rodrigo Villanueva, do BofA Merrill Lynch, que cita também a tendência declinante para o negócio da empresa e a valorização limitada para a ação, em comparação com as outras ações em sua cobertura.

Telefonia fixa
Quando se fala em telecomunicações, portabilidade numérica, 3G (terceira geração celular), convergência de plataformas, enfim, inovações são o assunto em pauta, além das questões acerca de regulamentação e consolidações do setor. Assim, o segmento de telefonia fixa lidera projeções mais pessimistas, em função do crescimento dos outros segmentos.

“Do ponto de vista operacional, a telefonia fixa convencional continuará a perder espaço, mesmo que de forma gradual, para os serviços móveis”, afirmam os analistas do Fator, adicionando que, em contrapartida, os serviços de valor adicionado, sobretudo os de banda larga e vídeo, devem continuar a crescer.

Continua depois da publicidade

Com isso, o analista do Citi acredita que a Telesp deve perder market share em função da competição agressiva por preço das operadoras de celular e empresas de televisão a cabo.

Entretanto, algumas opiniões divergem desse cenário pessimista. Para os analistas do Banco Fator, a Telesp deve manter sua estratégia de buscar o crescimento através de serviços de valor adicionado e convergentes, citando como exemplo o ADSL (Linha Digital Assimétrica para Assinante, na sigla em inglês, que consiste em uma tecnologia que permite a transferência digital de dados em alta velocidade por meio de linhas telefônicas comuns) e vídeo.

A analista da Spinelli, Kelly Trentin, também acredita que com a normalização dos serviços do Speedy, a empresa comece a acelerar o crescimen da base de banda larga.

Outro ponto esperado pela equipe do Fator é que a Telesp continue oferecendo planos alternativos de telefonia fixa, mais econômicos, em vista de mitigar a perda de clientes nesse serviço. Assim, mesmo prevendo ainda que a expansão à receita deva continuar limitada, a recomendaço dos analistas é de compra para o papel.