Bolsas em baixa, refletindo resistência alemã a resgate grego e queda do petróleo

Merkel diz que líderes da União Europeia não devem criar "ilusões" para os mercados quanto a ajuda; bancos dos EUA são zumbis?

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SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em baixa nesta segunda-feira (22), em linha com os mercados futuros dos EUA. As cotações do petróleo e do ouro caem, favorecendo o dólar, que se valoriza frente às principais divisas do mundo: euro, libra esterlina e iene.

Sem indicadores relevantes na agenda norte-americana, olhos atentos a Dennis Lockhart, presidente do Federal Reserve regional de Atlanta, que fará discurso sobre perspectivas para a economia no Conselho de Assuntos Mundiais em Naples, Flórida. 

Reformas e ilusões
A Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o projeto de reforma do sistema de saúde proposto pelo presidente Barack Obama, por 219 votos a 212. “É uma vitória para o povo norte-americano”, disse Obama, em entrevista na Casa Branca. Entretanto, alterações que foram aprovadas em seguida ainda necessitam do crivo do Senado, onde certamente a resistência republicana eclodirá.

De Washington para Berlim, Angela Merkel, chanceler alemã, afirmou que os lideres da União Europeia não devem criar “ilusões” para os mercados financeiros quanto a um aporte do bloco para resgatar a Grécia, caso necessário. “A Grécia não é insolvente, então a questão sobre a assistência não é o que precisamos falar agora”, disse, em entrevista à rádio Deutschlandfunk. “Falamos a mercados que sempre respondem a sinais. Acho importante não criarmos ilusões”.

Nova Zona do Euro?
Em reflexo das palavras de Merkel, Wolfgang Münchau – colunista do Financial Times – avalia que a chanceler alemã não preza pela união monetária da Europa. “Eu não estou prevendo uma catástrofe. Estou somente destacando que as escolhas presentes no âmbito político são inconsistentes com a sobrevivência da Zona do Euro nesta forma atual”, argumenta o colunista, que ressalta ainda a falta de companheirismo na região.  

Barreiras contra câmbio fixo
Em sua coluna no The New Tork Times, Paul Krugman – Nobel de Economia – defende a imposição de barreiras temporárias à importação de produtos chineses, dado que Pequim se mantém resistente em desvalorizar o yuan. “É difícil ver uma mudança de política na China, a não ser que seja ameaçada com ação similar”, completa o Nobel, que defende um tributo próximo a 25%, caso os chineses não façam nada. Quanto a uma represália através da depreciação do dólar, Krugman observa que Pequim não desejaria reduzir o valor de suas reservas estrangeiras denominadas em dólares.

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Bancos zumbis
John Hussman, dono do Hussman Funds, acredita que a “descrição substancial” permitida pela FASB (Financial Accounting Standards Board) na forma que os bancos relatam seus ativos nos balanços contábeis pode criar zumbis à frente. “Permitir que estes ativos mortos permaneçam nos lucros contábeis como se estivessem vivos é precisamente o motivo que criou os bancos insolventes zumbis no Japão, que continuaram operando por uma década com recursos públicos, mesmo enquanto o mercado de crédito estagnou”, completa Hussman.

Demanda chinesa crescente
Para Khalid A. al-Falih, CEO (Chief Executive Officer) e presidente da Saudi Aramco, petrolífera estatal da Arábia Saudita, a China é o mercado crescente para o petróleo, à medida que responde por mais de um terço da expansão da demanda neste ano. “Nós acreditamos que isso é uma transição de longo prazo”, diz o executivo, em referência às tendências demográficas e econômicas em voga.

Por aqui
No Brasil, o Banco Central divulgou o Relatório Focus, com as projeções das instituições financeiras sobre os principais índices macroeconômicos do País. Mais tarde, às 10h00, o BaCen anunciará a Nota do Setor Externo, que contém informações sobre o balanço de pagamento e as reservas internacionais.

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Já o Ministério do Desenvolvimento publicará a balança comercial semanal, às 11h00. Além disso, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou a prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercados) do segundo decêndio de março, com inflação de 0,91% no período.

No front corporativo, há o início das negociações referentes à oferta primária das ações da OSX; o início do período de reserva das ofertas primária e secundária da Ecorodovias e o encerramento do período de reserva da oferta primária da Gafisa. Por fim, as seguintes empresas realizarão teleconferências com seus acionistas: Saraiva (10h30), Copel (11h30), General Shopping (14h00).