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SÃO PAULO – Entre o “susto do S&P” e a euforia de Wall Street, contaminada pela aprovação da reforma tributária de Trump e a expectativa de recuperação da economia dos EUA, o Ibovespa dispara nesta quinta-feira (21) e às 15h38 (horário de Brasília) operava em alta de 2,26%, atingindo a faixa de 75 mil pontos, enquanto o dólar futuro registra ligeira alta de 0,02%, aos 3.300 pontos. Entre as blue chips, destaque para as ações dos bancos, em especial os papéis do Itaú (ITUB4), que sobem 4% neste momento, assim como as ações da Petrobras (PETR4) também ajudam neste movimento positivo. Além disso, os papéis da Embraer (EMBR3) disparam mais de 20% após rumores de que a Boeing pode comprar a empresa.
O mercado passou por momentos de stress no final da manhã após notícia da Bloomberg dizer que a agência de classificação de risco Standard & Poor’s tomará uma decisão sobre o rating do Brasil até semana que vem. Por volta das 11h30 (horário de Brasília), instantes após a notícia, o dólar futuro com vencimento de janeiro saltou até R$ 3,319, enquanto o Ibovespa caiu 200 pontos em 2 minutos, quando marcou a mínima do dia (até então) em 73.265 pontos, mas aos poucos esse pessimismo foi deixado de lado e o otimismo das bolsas dos EUA tomou conta do mercado brasileiro.
Segundo informações da Bloomberg, a S&P disse aos integrantes da Fazenda, em reunião realizada ontem, que deve tomar sua decisão sobre o rating soberano brasileiro na próxima semana. De acordo com a fonte da Bloomberg, a S&P disse que não anuncia decisões sobre ratings em ano eleitoral. Contudo, logo depois da notícia, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que não foram discutidas alterações no rating brasileiro nas reuniões com as agências de classificação de risco.
Segundo Wagner Parente, diretor superintendente da consultoria Barral M. Jorge, o fato do rebaixamento pode servir para reforçar o discurso dos governista pela aprovação das reformas: “talvez haja um aumento da mobilização do empresariado, inclusive de setores que ainda não se posicionaram”, disse o diretor, que lembra que um rebaixamento tem impacto direto no encarecimento do crédito.
Além das questões envolvendo o rating brasileiro, o mercado digere o RTI (Relatório de Trimestral de Inflação), com o BC “cravando” mais um corte da Selic em fevereiro, como ao PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA abaixo do esperado no terceiro trimestre, que sugere que o Fed seguirá com sua política monetária expansionista e reforça a importância do plano de Trump. Destaque também para o IPCA – 15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) de dezembro, que encerrou o ano abaixo do piso da meta de inflação, três fatores que ajudam manter o otimismo no mercado.
Inflação em foco
O IPCA-15, que é considerado uma prévia da inflação oficial do país, acelerou de 0,32% para 0,35% na passagem de novembro para dezembro, em linha com o esperado pelo mercado. Com o resultado, o índice acumulado em 12 meses apontou inflação de 2,94%, encerrando o ano abaixo do piso da meta de inflação e comprova o comportamento benigno dos preços neste ano, elevando a probabilidade do IPCA também ficar abaixo de 3%. Além da divulgação do índice de inflação, os investidores digerem o RTI, com as atualizações das projeções econômicas do BC. A autoridade monetária elevou sua expectativa para o PIB (Produto Interno Bruto) do ano que vem de 2,2% para 2,6%, assim como reduziu as projeções para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano de 3,2% para 2,8%, abaixo dos 2,9% previstos na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Sobre a Selic, o BC “cravou” um corte da Selic na reunião de fevereiro, lembrando que o mercado trabalha com uma redução de 25 pontos-base, para 6,75% ao ano: “o Copom entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural (…) para a próxima reunião, caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária”, aponta o documento. Com relação ao IPCA projetado para o ano que vem, a autoridade monetária espera inflação de 4,2%, em linha com o projetado na ata da última reunião do Copom e muito próxima da meta central do governo de 4,5%. “O cenário básico para a inflação tem evoluído, em boa medida, conforme o esperado. O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis confortáveis ou baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”, descreve o BC. PIB dos EUA abaixo do esperado
A terceira (e última) revisão do PIB norte-americano referente ao terceiro trimestre apontou para um crescimento de 3,2%, ligeiramente abaixo da previsão dos analistas de 3,3%, que era o valor referente a segunda revisão. Embora aquém do esperado, esse foi o ritmo mais rápido desde o primeiro trimestre de 2015 e marcou uma aceleração da taxa de 3,1% do segundo trimestre. Com o resultado abaixo do esperado, os deputados republicanos voltaram a destacar a importância da aprovação da reforma tributária de Trump na última quarta-feira (20). A proposta, que deve entrar em vigor em 1º de janeiro do ano que vem, prevê uma redução de 35% para 21% dos impostos pagos por empresas e simplifica as categorias de pagamento de imposto de renda, que diminuem das sete atuais para quatro, sendo a máxima de 37%, resultando em um corte de impostos de até US$ 1,5 trilhão no período de 10 anos. Destaques do mercado
Do lado positivo, destaque para as ações da Eletrobras, que sobem após ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, afirmou que o projeto de lei que autoriza a privatização da estatal está na reta final de análise, além dos papéis da Embraer. As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são: As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são: Candidaturas para 2018 Garantiu, no entanto, que o nome escolhido será de alguém com o compromisso de dar continuidade às reformas: “quem vier a ser candidato terá que defender as reformas e, ao defender as reformas, estará cravado no programa dele o governo Temer”, declarou o peemedebista, que não se vê disputando as eleições de 2018. Vale ainda ressaltar a entrevista do ex-presidente Lula a diversos jornais na manhã da última quarta, que é destaque nesta quinta. Ele afirmou que não quer ser visto como radical. “Eu não vou ser mais radical. Estão dizendo que estou mais radical. Não tenho cara de radical nem o radicalismo fica bem em mim. Estou é mais sabido”, afirmou. Lula pregou um estado forte, afirmando que não pode perder a sua capacidade de ter influência nas decisões econômicas do país. “O Estado não é neutro. O Estado é indutor.” Bolsas mundiais
As bolsas dos EUA sobem com os analistas otimistas com os impactos da reforma tributária de Trump na economia. O Credit Suisse reforçou seu otimismo para o mercado norte-americano e elevou o preço-alvo para S&P 500 no ano que vem de 2.875 para 3.000 pontos, o que representa um potencial de valorização de 12% em relação ao último fechamento. Na avaliação do banco de investimento, a reforma tributária, que deve entrar em vigor a partir de 1º de janeiro de 2018 após ser aprovada na última quarta-feira (20), terá um efeito positivo sobre o PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano e automaticamente na previsão de lucro das empresas. Segundo as contas, o LPA (Lucro por Ação) das companhias deve crescer 8% sem as medidas, de modo que essa projeção avança para 17,4% com os benefícios econômicos da reforma tributária. A proposta prevê uma redução de 35% para 21% dos impostos pagos por empresas e simplifica as categorias de pagamento de imposto de renda, que diminuem das sete atuais para quatro, sendo a máxima de 37%, resultando em um corte de impostos de até US$ 1,5 trilhão no período de 10 anos. No mercado de commodities, o petróleo se sustenta perto de US$ 58 após queda de estoques nos EUA, enquanto os metais em Londres operam praticamente estáveis. Já o minério na China sustenta ganhos semanais, com os contratos futuros negociados em Dalian registrando alta. Às 15h38, este era o desempenho dos principais índices: *Dow Jones (EUA) +0,43% *S&P (EUA) +0,35% *Nasdaq (EUA) +0,28% *CAC-40 (França) +0,62% (fechado) *FTSE (Reino Unido) +1,05% (fechado) *DAX (Alemanha) +0,31% (fechado) *Hang Seng (Hong Kong) -0,07% (fechado) *Xangai (China) +0,40% (fechado) *Nikkei (Japão) -0,11% (fechado) *Petróleo WTI -0,19%, a US$ 57,98 o barril *Petróleo brent +1,83%, a US$ 64,39 o barril *Bitcoin -6,40%, a R$ 60.000 (confira a cotação da moeda em tempo real) *Contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dalian +0,95%, a 532 iuanes (nas últimas 24 horas)
C?d.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
EMBR3
EMBRAER ON
20,40
+23,71
+29,22
79,97M
WEGE3
WEG ON EJ
24,55
+5,36
+61,34
26,82M
ELET6
ELETROBRAS PNB
20,86
+5,25
-14,42
18,81M
ELET3
ELETROBRAS ON
17,98
+4,84
-14,86
62,94M
ITUB4
ITAUUNIBANCOPN EJ
42,77
+4,32
+31,15
698,89M
C?d.
Ativo
Cot R$
% Dia
% Ano
Vol1
SMLS3
SMILES ON
71,85
-0,62
+72,96
35,21M
BRKM5
BRASKEM PNA
42,90
-0,44
+28,84
52,23M
ESTC3
ESTACIO PARTON
33,27
-0,39
+114,23
69,09M
CIEL3
CIELO ON
23,07
-0,26
+2,37
66,70M
VIVT4
TELEF BRASILPN
50,19
-0,16
+19,00
65,29M
* – Lote de mil a??es
1 – Em reais (K – Mil | M – Milh?o | B – Bilh?o)
Em entrevista para a rádio BandNewsFM, o presidente Michel Temer também falou sobre o cenário eleitoral para o ano que vem. Temer afirmou não saber quem será o candidato que terá o apoio do governo, como será a aliança, nem se seu próprio partido, o PMDB, terá candidatura própria.