Deutsche Bank eleva preço-alvo para ADRs da Vale e revê preços de minérios

Para o banco, mudança no modelo de negociação de preços para o mercado spot deverá remodelar indústria siderúrgica e mineradora

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SÃO PAULO –  O Deutsche Bank reviu o preço-alvo dos ADRs  da Vale (VALE3, VALE4) em 12 meses de US$ 36 para US$ 39, levando em conta as novas perspectivas para os valores do minério de ferro. De acordo com Rodrigo Barros e Jorge Beristain, analistas do banco, havia expectativa de reajuste dos preços da commodity em 60% no segundo trimestre deste ano. No entanto, a instituição reviu seu modelo, incorporando uma alta de 65% nos preços para o período de abril a junho.

Posteriormente, os preços seriam reajustados em 10% no trimestre seguinte. Já para os últimos três meses do ano, o Deustche Bank espera contração de 15% nos valores do minério de ferro vendidos pela Vale. O banco ainda afirma que um cenário alternativo de alta de 90% já no próximo trimestre, como sugerido pela Sumitomo Metals, impactaria em um lucro por ADR de US$ 2,56, quando no cenário-base a estimativa fica entre US$ 2,06 e US$ 2,26 de lucro por ADR. 

Mudanças significativas
No entanto, mais do que o preço de reajuste, a mudança no sistema de negociação dos valores para a commodity tende a ter um efeito duradouro tanto para o minério de ferro quanto para as indústrias de siderurgia, avaliam os analistas do Deutsche Bank. A mudança de um benchmark anual para negociações no mercado spot trimestralmente pode ter como resultado, em última instância, precificação diária da commodity no futuro, por exemplo.

Siderúrgicas integradas ganharão competitividade
Essa tendência, afirma o banco, poderia limitar os ganhos das siderúrgicas não integradas. Por enquanto, o Deutsche Bank exemplifica, o período lucrativo do setor vem de temporadas em que os preços do aço aumentam, mas o das matérias-primas continuam fixados. Caso as negociações do minério de ferro e do carvão acontecessem em bases diárias, as mineradoras poderiam demandar preços maiores. 

Assim, as empresas do setor de siderurgia que possuam minas dessas commodities poderão ter preços mais competitivos do que o de seus pares não integrados. Além disso, em tempos de demanda aquecida por aço, essas empresas serão favorecidas, já que suas competidoras terão que se esforçar apenas para pagar as matérias-primas. 

Fontes alternativas
Uma das consequências, aponta o banco alemão, seria o desenvolvimento de fontes alternativas de minério de ferro de mineradoras menores, por exemplo. De acordo com o Deutsche Bank, o investimento necessário atualmente para a abertura de uma nova mina é de US$ 100,00 por tonelada.

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Segmentação do mercado por qualidade
Outro produto dessa mudança de sistema de negociação seria a capacidade da Vale de cobrar um prêmio por qualidade (o minério com mais de 62% de ferro), o que, na avaliação do banco, seria um ponto bastante positivo para a mineradora brasileira. Chamado de “valor em uso”, a Vale obteria cerca de 50% dos ganhos que as siderúrgicas têm usando um minério de maior qualidade. Além disso, esse componente daria menor volatilidade aos preços praticados pela Vale, de acordo com a avaliação dos analistas do Deutsche Bank.

Siderúrgicas chinesas
Por último, a segmentação entre as grandes produtoras de aço da China e as pequenas siderúrgicas tenderá a ficar mais explicíto. Enquanto as grandes companhias do setor eram beneficiadas pelo benchmark, a mudança para as negociações trimestrais tenderá a “eliminar a vantagem de custos consistente que as grandes siderúrgicas chinesas tinham em relação às empresas de médio e pequeno porte”, conclui o relatório do banco alemão.