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SÃO PAULO – Enquanto o presidente Donald Trump ameaça destruir a Coreia do Norte “caso não tenha outra alternativa” e há previsão de que um novo teste de mísseis seja feito por Pyongyang entre os dias 10 e 11, assessores mais próximos do líder americano alertam sobre os efeitos potencialmente desastrosos de uma guerra. E uma nova pesquisa divulgada pelo portal americano especializado na Coreia do Norte, 38 North, reforçou o quão catastrófico pode ser o impacto de um conflito sobre os vizinhos do regime. As informações são da Bloomberg e Newsweek.
Caso Kim Jong Un lance um ataque nuclear em Seul (Coreia do Sul) e Tóquio (Japão) – ambos na zona de perigo -, 2,1 milhões de pessoas poderiam morrer e outras 7,7 milhões ficariam feridas, de acordo com o relatório.
A análise foi feita por Michael J. Zagurek Jr., consultor especializado em bases de dados e modelagem computacional, e é baseada na análise da tecnologia atual de armas e força da bomba da Coreia do Norte. Zagurek assume que Kim tem um arsenal de 20 a 25 ogivas e a capacidade de colocá-los em mísseis balísticos.
De acordo com o relatório, o número de vítimas dependeria da confiabilidade de detonação da ogiva do míssil norte-coreano. “Múltiplas detonações de armas nucleares em Seul e em Tóquio com base nas atuais estimativas sobre o potencial da Coreia do Norte podem resultar de 400 mil a 2 milhões de mortes”, escreveu Zagurek.
As ogivas mais antigas da Coreia do Norte têm potência na faixa de 15-25 quilotons (unidade de energia liberada), a mesma potência da bomba de Hiroshima, que devastou a região japonesa em 1945. As estimativas de fatalidade aumentam significativamente se a Coreia do Norte puder atacar com bombas semelhantes às que testou em 3 de setembro, com uma potência provável entre 108 e 205 quilotons, disse Zagurek. O número de mortes poderia variar entre 1,3 milhão e 3,8 milhões.
As preocupações com um conflito nuclear no norte da Ásia aumentaram à medida que Kim Jong-un acelera seu programa de armas nucleares, ao mesmo tempo que Trump ameaça com uma ação militar preventiva. Enquanto a chance de um ataque direto contra os aliados dos EUA, Japão e Coréia do Sul, continua pequena, Zagurek alerta que a história estava repleta de erros de cálculo por “atores racionais” durante situações de crise.
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Assim, apesar da possibilidade da Coreia do Norte fazer um ataque continue baixa, já que o objetivo do regime parece ser a auto-preservação do que a dominação mundial, a credibilidade da ameaça nuclear de Pyongyang é um fator chave para entender como lidar com a nação. No mês passado, o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Ri Yong Ho, disse que pode testar uma bomba de hidrogênio de escala sem precedentes sobre o oceano Pacífico.
Vale destacar que a inteligência japonesa e americana espera uma nova provocação na próxima semana, já que o regime coincide faz testes em dias de eventos significativos. No dia 10 de outubro, será comemorado o aniversário da criação do Partido dos Trabalhadores da Coreia.