“Queda do dólar deve ser vista como uma oportunidade de compra”, afirma diretor de câmbio

Nos níveis atuais, operação oferece um "risco x retorno" bastante atrativo

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SÃO PAULO – Na última terça-feira (3), o Tesouro anunciou a segunda operação de captação externa do ano (veja mais aqui), que foi considerada um sucesso pelos investidores pelo custo menor da operação e o resultado acima do esperado, fato que abriu uma janela de oportunidade para as emissões de títulos por parte das empresas brasileiras. Por conta dessa onda de captações, os investidores começaram a vislumbrar o aumento do fluxo de dólares no mercado e isso pressionou a moeda norte-americana nesta semana, movimento perfeito para quem está em busca de uma oportunidade de compra.

Para o diretor de operações de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo, apesar da expectativa de maior entrada de dólares com as captações corporativas, os investidores não podem se esquecer das recentes sinalizações do Federal Reserve sobre o aumento dos juros e o início da redução do programa de estímulos, contraponto importante do fluxo da moeda. Na última semana de setembro, a presidente Janet Yellen confirmou a leitura de que promoverá nova alta dos juros na reunião de dezembro e que a taxa deve subir antes da inflação atingir o objetivo de 2%, ou seja, um pouco mais cedo do que o previsto pelo mercado.

Além disso, Bergallo lembra que ainda existem os riscos do front político, em especial ao andamento da reforma da Previdência, tema que foi deixado de lado pelo governo em vista dos esforços para barrar a segunda denúncia contra Michel Temer. No programa Conexão Brasília (veja aqui), Paulo Gama, analista político da XP Investimentos, afirmou que não vê avanço da pauta neste ano como prometido inúmeras vezes por Henrique Meirelles. O próprio presidente de Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou na última sexta-feira que será difícil aprovação no Congresso e que o governo não possui 380 votos para a aprovação do texto.

Oportunidade de compra
Colocando tudo isso na conta, o diretor de operações de câmbio da FB Capital afirma que a faixa de R$ 3,10 é o patamar de fundo do dólar e a queda acompanhada neste mês, que levou o dólar comercial para a casa de R$ 3,13, “deve ser vista como uma oportunidade de compra para o investidor”, já que neste níveis o “risco x retorno” da operação está bastante favorável.

A visão de que o dólar está próximo de um bom ponto de entrada também é compartilhada pelo diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. Segundo ele, o teste da região de R$ 3,10 é uma oportunidade de compra para o dólar, ao passo que R$ 3,18 é o limite para novas vendas ou se desfazer de posições compradas.

Visão contrária

Prevendo que novas empresas deverão ir ao mercado internacional para captar recursos e apostando em um maior gradualismo pelo Federal Reserve, que deve manter farta liquidez externa, o BNP Paribas não descarta a chance do dólar atingir R$ 3,00 até o final do ano. Vale lembrar que até o momento a grande captação foi feita pela Braskem (BRKM5), que arrecadou US$ 1,75 bilhão em uma emissão de bônus de cinco e dez anos, com a demanda superando a casa de US$ 8 bilhões. 

De olho nessa janela de oportunidade em potencial, Iochpe-Maxion e Banco do Brasil pretendem lançar títulos no mercado internacional, ao passo que a estatal tem planos de levantar, pelo menos, US$ 750 milhões em bônus de até dez anos.