Com alta de 18%, bolsa tem o melhor trimestre da década

Apesar da segunda queda semanal, mercado acumulou alta de 5% em setembro

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SÃO PAULO – Depois de seis pregões consecutivos de baixa, o Ibovespa reagiu ao teste da faixa de 73 mil pontos e encerrou a sexta-feira (29) em alta de 0,99%, aos 74.293 pontos, reagindo positivamente ao resultado do núcleo do índice de preços PCE (Personal Consumption Expenditures) dos EUA, que ficou abaixo do esperado e pode frear o ímpeto do Fed em aumentar os juros.

Apesar da recuperação, o mercado amargou a segunda semana seguida de queda (-1,45%), o pior desempenho desde junho deste ano, mas nada que atrapalhasse a performance de setembro, período em que o índice subiu 5% e acumulou o quarto mês seguido de valorização. No terceiro trimestre, o mercado subiu 18%, o melhor resultado trimestral desde 2009.

O índice de inflação, que é a principal referência de preços acompanhada pelo BC dos EUA, registrou avanço de 0,1% na passagem de julho para agosto, enquanto o mercado esperava +0,2%. “O número sugere que o Fed poderá não subir os juros em dezembro, conforme previsto na reunião da semana passada e discurso de Yellen na terça-feira”, afirma o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Júnior. 

Desde a última terça-feira (26), os rendimentos dos Treasuries norte-americanos subiram e atingiram o maior patamar em dois meses por conta do discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, quando confirmou a leitura de que promoverá nova alta dos juros na reunião de dezembro e que os juros devem subir antes da inflação atingir o objetivo de 2%, ou seja, um pouco mais cedo do que o previsto pelo mercado. Porém, com a inflação ainda fraca, o que mostra ociosidade da economia, os investidores começam relevar o tom mais “hawkish” de Yellen, que pode manter o ritmo gradual de aumento dos juros e seguir com sua política monetária expansionista.

Por conta desta expectativa, o dólar futuro com vencimento em outubro registrou desvalorização de 0,61%, aos 3.177 pontos, enquanto os juros futuros com vencimento em janeiro de 2019 fecharam em queda de 3 pontos-base, cotados a 7,27%, ao passo que os contratos de janeiro de 2021 recuaram 5 pontos-base, negociados a 8,80%.

Destaques do mercado

Na ponta positiva, destaque para as ações da Kroton, que subiram forte com a possível compra das operações da Somos Educação (veja mais aqui), enquanto os papéis da Suzano recuaram seguindo o movimento do dólar e corrigindo a alta de 5% da última quinta-feira.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
 CSNA3 SID NACIONALON 9,61 +5,84 -11,43 112,27M  
 KROT3 KROTON ON 20,05 +4,97 +53,60 202,23M  
 SMLE3 SMILES ON 80,48 +4,60 +93,44 54,97M  
 QUAL3 QUALICORP ON 37,90 +3,38 +103,23 60,92M  
 RAIL3 RUMO S.A. ON 12,09 +3,33 +96,91 134,51M  

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1 Links
 SUZB5 SUZANO PAPELPNA 18,31 -2,45 +32,40 123,47M  
 TIMP3 TIM PART S/AON 11,55 -1,20 +48,39 22,71M  
 CMIG4 CEMIG PN 7,98 -0,87 +6,32 55,12M  
 EMBR3 EMBRAER ON 17,89 -0,72 +13,32 45,25M  
 FIBR3 FIBRIA ON 42,85 -0,70 +37,67 288,56M  

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE3 VALE ON 31,87 +0,38 485,96M 720,23M 24.901 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN 43,35 +0,86 425,12M 377,75M 19.951 
 PETR4 PETROBRAS PN 15,30 -0,26 423,09M 649,34M 24.197 
 FIBR3 FIBRIA ON 42,85 -0,70 288,56M 88,66M 9.904 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 21,04 -0,10 267,51M 279,25M 15.740 
 USIM5 USIMINAS PNA 7,78 +2,50 253,51M 200,00M 20.152 
 BBDC4 BRADESCO PN 35,05 +1,42 241,07M 310,64M 16.544 
 BBAS3 BRASIL ON 34,90 +1,07 230,45M 272,54M 15.934 
 KROT3 KROTON ON 20,05 +4,97 202,23M 147,80M 34.731 
 BRFS3 BRF SA ON 45,67 +0,18 197,85M 124,65M 8.735 

* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

Agenda de indicadores

O destaque ficou por conta da divulgação do núcleo do índice de preços PCE nos EUA, que ficou abaixo do esperado pelo mercado, mas o dia ainda reserva números importantes. Na China, às 22h00, o Caixin divulgará o PMI industrial da China de setembro, importante indicador para medir o nível da atividade econômica do gigante asiático e que pode influenciar na cotação do minério de ferro, vetor para as ações da Vale.

Por aqui, os dados da Pnad Contínua apontaram que o desemprego ficou em 12,6% no trimestre encerrado em agosto, resultado em linha com a expectativa do mercado. Confirmando a expectativa, o déficit primário do setor público ficou em R$ 9,53 bilhões em agosto, abaixo dos R$ 15 bilhões previstos e após déficit de R$ 16,1 bilhões no mês anterior.

Além disso, na noite de ontem, o CMN (Conselho Monetário Nacional) decidiu não alterar a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) para o próximo trimestre, que ficou em 7%, contrariando a expectativa de corte para 6,5%. Vale lembrar que, a partir do próximo ano, os novos financiamentos do BNDES deixarão de ser regidos pela TJLP e serão corrigidos pela TLP (Taxa de Longo Prazo).

Vitória de Temer

O governo Temer contabilizou uma vitória política no final da tarde de ontem após o deputado aliado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) ter sido escolhido relator de denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República). Por outro lado, essa vitória pode ter um efeito colateral, uma vez que a escolha do nome reabriu a crise no PSDB. 

O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), ignorou os apelos do líder do PSDB, Ricardo Trípoli (SP), para que, desta vez, não escolhesse um tucano para a relatoria. Na primeira denúncia, o relatório que livrou o presidente foi produzido pelo deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) e a bancada ficou dividida no plenário. 

Hora da decisão para o Ibovespa

Com a perda de 74.318 pontos na última quarta-feira (27), o Ibovespa confirmou um OCO (Ombro-Cabeça-Ombro) pelo gráfico de 60 minutos (confira a análise neste link), mas deveria encontrar maior pressão de compra ao teste da média móvel exponencial de 21 dias por conta da sua tendência principal de alta, movimento confirmado nesta sexta-feira com a alta de 1% e o repique até a “linha de pescoço” do padrão de baixa, o que já era esperado e será decisivo para o rumo do mercado em outubro – veja análise completa.