Para EPFR, 2009 foi ano recorde para fundos emergentes e de bonds

Fundos de ações europeus também têm bom desempenho, enquanto norte-americanos têm saídas de capital recorde

Publicidade

SÃO PAULO – Na indústria global de fundos, o cenário do final de 2009 não tem quase nada em comum com aquele visto nos seus primeiros meses. O ano, que começou com investidores se refugiando na segurança dos fundos money market, que investem em ativos de dívida de curto prazo, e nos fundos de ações norte-americanos, acabou trazendo recordes – mas não aqueles que poderiam ser antecipados no começo do ano.

De acordo com a EPFR Global, que monitora o mercado mundial de fundos, os dois grupos de fundos citados acima tiveram sua maior saída de capital anual em 2009 (medida em dólares), apesar dos bons resultados no início do ano. Os fundos money market, por exemplo, tiveram captação negativa de US$ 520 bilhões em 2009.

Já alguns grupos que não iam tão bem no início de 2009 se destacaram e tiveram entrada recorde de capital no ano – exemplos são fundos de bonds de alto retorno, bonds norte-americanos, fundos de commodities e fundos setoriais de tecnologia. Fundos de ações de mercados emergentes também se destacaram, assim como fundos de ações da Ásia (exceto Japão) e Europa.

A consultoria destaca, contudo, que os dados são preliminares – o balanço do ano será divulgado em 16 de janeiro. De maneira geral, a EPFR afirma que os fundos de ações de mercados emergentes tiveram entradas de capital de US$ 70 bilhões no ano, enquanto seus semelhantes dos mercados desenvolvidos tiveram captação negativa de US$ 61 bilhões.

Emergentes
Nas últimas semanas do ano, os investidores se mostraram mais interessados em uma exposição diversificada, colocando dinheiro nos fundos de ações dos GEM (Global Emerging Markets). Em dezembro, esse grupo captou US$ 4,4 bilhões – muito acima dos US$ 1,25 bilhão captados pelos fundos de Ásia (exceto Japão), América Latina e EMEA juntos.

Apesar da diminuição do ritmo de captação no final do ano, os fundos de ações da Ásia (exceto Japão) tiveram um ano recorde em termos de aplicações, com entradas de capital de US$ 25 bilhões. O grande interesse na China também ajudou o desempenho dos fundos de ações dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) – que, apesar do bom resultado no ano, não deve atingir seu recorde.

Continua depois da publicidade

Os fundos de ações da América Latina, por sua vez, parecem ter ficado próximos de bater seu recorde de 2007. Para a consultoria, o forte interesse no Brasil foi ofuscado por problemas no México, Argentina e Venezuela.

Renda fixa
O ano se provou positivo para os fundos de títulos do governo. Os fundos de bonds norte-americanos tiveram fluxo positivo de capital todas as semanas do ano, e registraram entrada de capital acima de US$ 1 bilhão pela 25ª semana consecutiva nos últimos dias de 2009. Na última semana de 2009, os fundos de bonds globais captaram mais de US$ 1 bilhão pela 16ª semana consecutiva – levando o total captado no ano para próximo de US$ 100 bilhões.

Da mesma maneira, os fundos de bonds de alto retorno e os fundos de bonds de mercados emergentes tiveram bons resultados na última semana do ano. “Os fundos dos mercados emergentes continuam a se beneficiar de um consistente aumento do apetite por risco desde o segundo trimestre”, aponta a consultoria.

Continua depois da publicidade

Fundos de ações
Os fundos de ações monitorados pela EPFR Global mostraram resultados díspares. Enquanto os fundos de ações norte-americanos tiveram seu pior ano (medido em dólares), com saídas de capital de US$ 89 bilhões, os fundos de ações europeus registraram fluxo de capital positivo pela primeira vez em 7 anos, com US$ 3 bilhões.

Entre os fundos norte-americanos, o pior desempenho – em termos de captação – ficou com os fundos de ações large caps, prejudicados pela alta dos ativos, temores sobre o enfraquecimento do dólar e um maior apetite por risco, que levou os investidores a buscar opções com maior retorno e maior risco.

Os fundos de ações japoneses mostraram recuperação no final do ano, mas não foi suficiente para apagar o desempenho ruim nos meses anteriores – afetado pela valorização do iene e da situação política do país asiático. Assim, o grupo encerrou 2009 com saídas de capital de US$ 7,8 bilhões.

Continua depois da publicidade

Os fundos de ações globais, mais diversificados, absorveram US$ 40 bilhões desde julho – entretanto, com o mau resultado no início de 2009, o grupo ficou longe de sua marca de 2007, quando captou US$ 88 bilhões.

Setores
Entre os fundos setoriais, os fundos de commodities aparecem na liderança das captações durante 2009, com antecipação de crescimento futuro, expectativas sobre a China e temores sobre o dólar. Com isso, os fundos absorveram US$ 289 milhões na última semana do ano, levando o total acumulado em 2009 para US$ 17 bilhões – o que representa dois terços do capital absorvido por fundos setoriais no ano.

O ano também foi positive para os fundos de tecnologia, que absorveram US$ 4,2 bilhões. O resultado de fundos de petróleo & gás também foi positivo, ainda que em dezembro o grupo tenha registrado captação negativa apesar de seu potencial de crescimento. Com captação de US$ 6 bilhões no ano, o grupo teve seu melhor desempenho desde 2005.

Continua depois da publicidade

Os fundos do setor financeiro, por sua vez, tiveram um dois piores desempenhos entre os fundos setoriais, com saídas de capital de US$ 1,3 bilhão. Os fundos de saúde e biotecnologia, contudo, foram pressionados pela reforma do sistema de saúde norte-americano e ocupam o primeiro lugar em saídas de aplicações no ano, com retiradas de US$ 5 bilhões.