Ibovespa foge da indefinição externa, sobe 0,70% e marca a oitava alta seguida

Ata do Fed é bem recebida, mas investidores ainda avaliam indicadores e trazem instabilidade a Wall Street; MMX sobe forte

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A quarta-feira (6) foi de instabilidade nos principais mercados globais, que voltaram suas atenções a indicadores dos EUA e à ata do Fed – que foi bem recebida pelos investidores. Contudo, afetados ainda por um movimento de realização de lucros, os índices em Wall Street encerraram com sinais opostos.

O Ibovespa, entretanto, superou a instabilidade externa e avançou 0,70%, a 70.729 pontos, renovando sua máxima desde 5 de junho de 2008. Vale mencionar que esta é a oitava sessão consecutiva de valorização do índice. O volume financeiro totalizou R$ 7,19 bilhões.

Bolsa
Os papéis da MMX estão entre as principais valorizações da sessão, assim como os ativos de CCR, Duratex e BM&F Bovespa. O bom desempenho das ações da Petrobras e da Vale, principais blue chips brasileiras, também ajudou a manter o Ibovespa em alta nessa sessão.

Por outro lado, varejistas como Lojas Americanas e Lojas Renner deram continuidade ao movimento de queda da véspera, e seguem entre as baixas do índice. Os papéis de Cosan, ALL e LLX também figuraram entre os principais recuos desta tarde.

Um dos destaques do dia fica para as operadoras de shopping centers. Após o Deutsche Bank afirmar que a consolidação do setor deverá guiar o crescimento dessas empresas, os papéis de JHSF e BR Malls registraram forte valorização.

Notícias de fusões e aquisições também movimentaram o mercado doméstico. Após os rumores de que a Parmalat seria comprada pela JBS, a Laep, controladora da primeira, veio a público dizer que não confirma nenhum negócio com o frigorífico, se isentando da responsabilidade pela brusca movimentação de seus BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Os papéis das três empresas avançaram nesta quarta-feira.

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Além disso, a OSX Brasil enviou comunicado acerca da aquisição de uma FPSO de óleo e gás, em fase final de construção na Coreia, e a Totvs anunciou na noite passada a compra da M2I Serviços de Implantação de Software e da M2S Serviços de Suporte.

Noticiário
A principal referência da sessão, a minuta da reunião de dezembro do Federal Reserve, mostra que o comitê continua acreditando em uma recuperação lenta da economia norte-americana. Mesmo com indicadores superando projeções, o Fed manteve sua visão de uma recuperação lenta e gradual da economia, restrita especialmente pelo mercado de trabalho – que segue fragilizado.

Os membros do FOMC se mostraram bastante divididos sobre as previsões de inflação no longo prazo. De acordo com a ata, a preocupação do mercado com a política monetária norte-americana pode elevar as expectativas de inflação. Assim, os participantes concordaram que a política da autoridade dos EUA deve conseguir responder de maneira eficaz a qualquer mudança significativa no cenário macroeconômico, e que o Fed deve ser capaz de comunicar suas decisões a respeito de sua estratégia de saída.

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A pauta econômica norte-americana não trouxe dados muito animadores nesta sessão. O mercado de trabalho, que tem registrado um bom desempenho nas últimas semanas, decepcionou ao mostrar – através do ADP Employment – que foram fechadas 84 mil vagas no setor privado do país na passagem entre novembro e dezembro, enquanto as estimativas apontavam um recuo de 75 mil postos.

Ainda na principal economia do mundo, o ISM Services alcançou 50,1 pontos em dezembro, desempenho pior do que o esperado, mas acima do visto no mês anterior. Por fim, os estoques de petróleo surpreenderam ao registrarem avanço de 400 mil barris na última semana de 2009.

No plano doméstico, a agenda também trouxe referências de peso. A produção industrial brasileira recuou 0,2% na passagem de outubro para novembro, mas avançou 5,1% na comparação anual, na qual mantinha até então uma sequência de 12 meses de resultados negativos. Já o IPC-Fipe ( Índice de Preços ao Consumidor) marcou em dezembro inflação de 0,18%, abaixo da variação de 0,30% projetada pelo mercado no último relatório Focus.

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Dólar
Mantendo a tendência vista na véspera, o dólar comercial fechou esta quarta-feira em alta pela segunda sessão consecutiva,cotado na venda a R$ 1,735 – alta de 0,23%.

Por aqui, o Banco Central voltou a comprar dólares no mercado à vista. A captação ocorreu através de leilão, realizado entre 15h41 e 15h51, a uma taxa de corte aceita em R$ 1,7325. A autoridade monetária ainda comunicou que comprou US$ 3,486 bilhões em dezembro, totalizando desde maio de 2009 – início do ciclo de intervenções – um montante de US$ 27,477 bilhões.

O fluxo cambial acumulado em dezembro ficou positivo em US$ 1,986 bilhão, conforme dados publicados pelo Banco Central do Brasil. O saldo do fluxo financeiro manteve sua performance positiva, contabilizando superávit de US$ 3,120 bilhões. Na contrapartida, o saldo comercial registrou déficit de US$ 1,135 bilhão.

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Somando esses resultados, o fluxo cambial acumulado em 2009 teve superávit de US$ 28,732 bilhões. O saldo comercial contribui de forma positiva com o resultado, em US$ 9,924 bilhões. Da mesma forma, o fluxo financeiro fica positivo em US$ 18,808 bilhões.

Renda Fixa
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em queda na BM&F Bovespa nesta quarta-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,34%, queda de 0,09 ponto percentual em relação ao fechamento anterior.

No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 134,35% de seu valor de face, alta de 0,22% frente ao fechamento anterior.

O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 191 pontos-base, queda de 5 pontos em relação ao fechamento anterior.

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