Analistas recomendam compra para ações da BM&F Bovespa

Para eles, empresa deve apresentar crescimento em seu volume de negociações e expandir parcerias

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SÃO PAULO – Com perspectivas otimistas para o mercado de capitais brasileiro este ano, analistas acreditam no potencial de valorização das ações da BM&F Bovespa (BVMF3) e recomendam compra.

Segundo Henrique Caldeira, analista do Barclays, o case BM&F Bovespa oferece uma boa combinação para este ano, por ser um investimento atrativo, com forte potencial de valorização a longo prazo e de crescimento no volume das negociações.

“Nós vemos aumento do potencial com os investidores acreditando em benefícios crescentes a longo prazo, vindos de produtos inovadores e do processo de sofisticação e internacionalização”, comenta.

Caldeira destaca que a combinação de novas plataformas de negociações implementadas no último ano e a possibilidade de investidores estrangeiros realizarem depósitos de margem de derivativos, acabam contribuindo para a perspectiva de crescimento do volume de negociações em 2010.

“Em nosso cenário-base, incorporamos uma média diária de volume (ADV) com crescimento de 35% em 2010, o equivalente a R$ 7,1 bilhões, ante R$ 6,8 bilhões visto no quarto trimestre de 2009”, explicam.

O Barclays recomenda compra para o case BM&F bovespa e projeta um preço-alvo de R$ 15,50, com potencial de valorização de 12,23% em relação ao último fechamento, quando o papel teve valorização de 2,37%.

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Elevação da recomendação
Acreditando também em 2010 como um bom ano para a BM&F Bovespa, estão os analistas do Bradesco. Eles elevaram na última terça-feira (5) a recomendação das ações da empresa para “outperform” (acima da média do mercado), passando ainda seu preço-alvo de R$ 15,40 para R$ 15,70.

“Os volumes de ativos financeiros negociados devem ser fortes este ano, impulsionados no curto prazos por IPOs e follow-nos, e à longo prazo pelo aumento da participação de pessoas físicas nas negociações”, falam.

Além disso, eles assinalam que no curto prazo outros motores do avanço de volume serão a maior volatilidade nas taxas de juros e o aumento da participação de algotraders.

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O Bradesco estima lucro líquido de R$ 1,366 bilhão para a BM&F Bovespa em 2010 e R$ 1,755 bilhão em 2011, crescimentos respectivos de 2,9% e 2,2% nas perspectivas em comparação às anteriormente estimadas pelo banco.

Herança de 2009
Para Mariana Taddeo, analista da Link Investimentos, o ano de 2010 deve ser ainda melhor que 2010, não só pela continuidade de atratividade dos papéis da empresa, mas também pelas parcerias consolidadas no ano passado e os avanços tecnológicos nas operações.

Na área tecnológica, a analista aponta o início das operações com o DMA, uma plataforma para negociações direto ao mercado, que permitiu a entrada de investidores de alta freqüência no mercado, conhecidos como high frequency ou algotraders. “O aumento da participação desses investidores, impulsionado principalmente com o uso do DMA via co-location, é o principal driver de crescimento de volume tanto no mercado de ações como de derivativos”, expõe.

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No caso deste último (derivativos), a analista prevê ainda uma maior participação dos investidores via roteamento de ordens com o Globex, da CME, a partir do primeiro trimestre de 2010.

Além disso, ela avalia que os volumes devem ser melhores que em 2009, quando (no início do ano), sofreu quedas consideráveis no número de negociações, que refletiram também em desvalorização de sua ação.

“Ainda no final de 2008, os volumes sofreram forte redução tanto na Bovespa quanto na BM&F, e se mantiveram fracos no primeiro trimestre de 2009, refletindo uma maior aversão ao risco de países emergentes, patrimônio de assets mais reduzido e desalavancagem de grandes players”, comenta.

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“No caso da BM&F, ela não sofreu tanto em termos de volume porque no começo do ano, com o início dos cortes da Selic, os contratos de taxa de juros foram bastante negociados e conseguiram dar uma segurada em volume”, explica.

Parcerias
Outro ponto destacado por Mariana como importante para a atuação da BM&F Bovespa no mercado brasileiro de ativos é sua parceria recente com a Nasdaq. No final de dezembro, a bolsa brasileira anunciou acordo com a norte-americana para a criação de um sistema de roteamento de ordens.

A proposta é criar uma via de mão-dupla pela qual investidores norte-americanos possam comprar e vender ações de companhias listadas na bolsa paulista e vice-versa. O sistema será desenvolvido pela Nasdaq e é previsto para entrar em operação no segundo semestre do ano.

Ainda com relação às parcerias, Mariana destaca que a bolsa brasileira também pretende firmar novos acordos de negociações com bolsa latino-americanas, para que estas possam listar BDRs (Brazilian Depositary Receipts) no mercado nacional.

Entre os países escolhidos pela bolsa para discutirem as parcerias estão o México, o Chile, Colômbia, Argentina e Peru. O entendimento para integração das operações, que era previsto para avançar já em 2009, é fruto de uma reunião da Fiab (Federação Ibero-Americana de Bolsas) ocorrida no Uruguai em 2008.

Top pick
Com essas premissas, a Link Investimentos recomenda outperform (perfomance acima do mercado) para o papel BVMF3, com preço-alvo de R$ 15,20, um potencial de valorização de 12,92% em relação ao último fechamento.

A ação também é considerada top pick do setor de serviços financeiros e está na carteira 10+ para 2010 da Link, que lista as dez principais ações para este ano.

Riscos
Contudo, mesmo com perspectivas boas, a BM&F Bovespa não está isenta de riscos. Mariana, da Link, aponta dois principais pontos a serem observados atentamente em 2010: a questão regulatória e a taxação à entrada de capital estrangeiro.

No caso do primeiro, ela cita como exemplo a proposta de regulamentação para Block Trades (compra de muitos papéis de um mesmo tipo) em mercado de balcão, que está em análise na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Para Mariana, se aprovada, a regulamentação acirraria a concorrência com a bolsa brasileira neste tipo de operação.

Já, no caso da taxação à entrada de investimentos, a analista aponta medidas à la IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), implantado no ano passado para conter a forte entrada de capital estrangeiro e a valorização do real ante o dólar.

Além disso, o analistas Henrique Caldeira, do Barclays, lembra que os países emergentes estão mais expostos aos compradores tradicionais e por isso, é preciso acompanhar de perto a movimentação da indústria de gestão de ativos. A recuperação desta indústria em 2009 foi a condição-chave para sustentar o crescimento de volume, especialmente para restaurar os maiores níveis de atividade”, fala. Por isso, qualquer movimento adverso nos mercados pode influenciar a fuga de capital para mercados mais “sofisticados”.