Diretor de petrolífera que já subiu 100% este ano diz que ações estão baratas e podem subir ainda mais

Após sofrer junto com a OGX quando se chamava HRT, companhia mudou de rumo e hoje acha que suas ações estão até baratas

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SÃO PAULO – A fama da OGX – e sua incrível derrocada – é conhecida por todos no Brasil, mas o que poucas pessoas de fora do mercado lembram é que uma outra petrolífera viveu um drama tão grande quanto a empresa criada por Eike Batista. Fundada em 2008, a HRT Petróleo se afundou em uma grande crise em 2013, que culminou na mudança completa da empresa, de onde surgiu a PetroRio (PRIO3) alguns meses depois.

E mesmo herdando os problemas de seu antigo negócio, a nova empresa começou a mostrar seu poder de recuperação. Se muitos investidores passaram a duvidar do setor de petróleo, a PetroRio mostrou – pelo menos até agora – que consegue ser estável, na medida do possível.

As ações da HRT deixaram de ser negociadas em 26 de junho de 2015, com a estreia da PetroRio a R$ 22,00. Após atingir sua mínima, em janeiro de 2016, a R$ 7,30, as ações PRIO3 já subiram 473%, sendo 177% apenas nos últimos 12 meses. Em 2017 a valorização é de 92,15%, com os papéis hoje a R$ 41,85. 

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Mas o otimismo da diretoria da companhia ainda é alto. “Nossa ação está bem depreciada”, afirma o CFO da PetroRio, Blener Mayhew, em entrevista exclusiva ao InfoMoney. Para ele, a empresa tem conseguido administrar muito bem seus riscos e sua estratégia de crescer via aquisições é um dos grandes trunfos para continuar a se valorizar na B3.

“Nestes três anos de reestruturação, trabalhamos muito para melhorar a nossa gestão, cultura, ter melhores pessoas, assim como um modelo de negócios melhor”, afirma o executivo. “trabalhamos para sair de reestruturação para ativos em produção”, diz. Apesar disso, Mayhew sabe que existem riscos e que “acidentes de percurso acontecem”.

Os três pilares
Qualquer empresa que trabalha com exploração de petróleo tem dois grandes riscos que sempre irá enfrentar: o preço da commodity e a chance de não encontrar um poço produtivo. No primeiro caso, o diretor da PetroRio diz que eles têm uma relação menos direta com os preços. Mayhew explica que os custos da companhia são fixos quanto à exploração, então com o petróleo subindo ou caindo, não muda o quanto a empresa gasta. A diferença é que se o preço da commodity subir, a margem Ebitda (quanto da receita líquida se tornou geração de caixa) deles “aumenta drasticamente”, segundo ele.

E neste momento o otimismo volta a tomar conta. “Já faz três anos que os preços [do petróleo] estão no chão e a gente acha que pior do que está não fica. US$ 50 é um ponto de equilíbrio, e eventualmente irá melhorar”, afirma o executivo. Outro ponto que ele explica é a questão da empresa não depender do cenário econômico: hoje a PetroRio explora seus poços com os mesmos custos e o que realmente importa é o preço do petróleo que ela comercializa.

Porém, há um segundo ponto importante, que é o fato de encontrar ou não petróleo em suas perfurações. Hoje o principal ativo da PetroRio é o Campo de Polvo, na Bacia de Campos, no qual a empresa tem 100% de participação. Hoje, a produção é de 8 mil barris de petróleo por dia com duas unidades offshore: a plataforma fixa Polvo A e o FPSO Polvo.

Neste caso, Mayhew explica que o risco é menor porque já se sabe que existe petróleo no local, mas a dificuldade está em saber se os novos poços serão tão produtivos assim. Até o fim do ano, segundo o executivo, serão mais três perfurações em Polvo.

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“A gente já perfurou poços e encontrou 8 mil barris por dia, mas também já perfuramos locais em que não encontramos nada. Pensando positivamente, se conseguirmos perfurar dois poços com 8 mil barris, a gente conseguiria triplicar nossa produção para 24 mil barris”, afirma. “Há um potencial muito grande de valorização da ação se esta perfuração der certo”, continua o diretor.

Por outro lado, ele explica que a companhia também tem reduzido os riscos caso o pior aconteça. “Se a gente não encontrar nada, nós gastamos US$ 20 milhões, ou seja, não é nada que irá prejudicar a companhia, nada que afeta drasticamente nosso caixa”, afirma. Hoje, o caixa da PetroRio está em R$ 678 milhões, acima do valor de mercado da empresa, de R$ 566 milhões (calculado em 17 de agosto) – o que para muitos investidores se mostra uma barganha na bolsa.

Mas, segundo Mayhew, existe ainda um terceiro pilar que sustenta o grande otimismo com a empresa: estratégia de aquisições. Desde que deixou de ser HRT, a companhia passou a implementar uma proposta de crescimento de sua produção através da aquisição de ativos maduros (já em operação), da implementação de gestão eficiente de reservatórios e re-desenvolvimento (aumento da vida útil do campo). “E esperamos anunciar uma nova aquisição em breve”, adianta o CFO.

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Com esta proposta de equilibrar os riscos e crescer de forma mais “segura” com novas aquisições, a PetroRio vai deixando o pesadelo do passado para trás, afastando os temores do mercado, que ainda lembra muito da HRT e OGX quando olha para as empresas do setor. Mas parece que os investidores estão realmente “apostando” no futuro da companhia junto com seus diretores. 

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.