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SÃO PAULO – Se as décadas de 1980 e 1990 foram positivas para os investidores, o mesmo não pode ser dito da década de 2000 com a mesma certeza. Os últimos anos trouxeram retornos menores na renda variável, e mesmo em renda fixa, o caminho foi cheio de instabilidades.
Considerando o cenário da década, a Morningstar elegeu três gestores de fundos – de renda fixa, ações norte-americanas e ações internacionais – que conseguiram não somente superar seus semelhantes em desempenho, mas também ofereceram bons ganhos absolutos no período.
A avaliação considerou ainda os riscos assumidos, além da força do gestor e da estratégia. “Também achamos que gerar muito dinheiro para muitas pessoas é um feito maior do que gerar uma quantia absurda de dinheiro com uma quantidade pequena de ativos – ou seja, o tamanho dos ativos gerenciados também foi considerado”, afirma Karen Dolan, diretora de análise de fundos da Morningstar.
Bill Gross: Renda Fixa
“Nenhum outro gestor de fundos fez mais dinheiro do que Bill Gross”, afirma a Morningstar. Enquanto a média de retornos anualizada em 10 anos dos fundos de renda fixa ficou em 5,5%, os rendimentos da Pimco – gerida por Gross – marcaram 7,7%. Isso significa que, em 10 anos, seus investidores ficaram US$ 47 bilhões mais ricos, considerando o retorno agregado em dólares do dinheiro investido no fundo no período.
O fundo, que começou a década com aproximadamente US$ 32 bilhões em ativos, encerrou 2009 com US$ 200 bilhões sob sua gestão – a maior gestora de títulos do mundo. Só no ano passado, os investidores colocaram mais de US$ 50 bilhões no Pimco Total Return.
De acordo com a Morningstar, Gross se manteve à frente da competição tomando “as decisões certas no momento certo”. Apesar do estrago das hipotecas no mercado, os títulos de renda fixa atrelados a hipotecas tiveram uma das melhores performances do fundo. Outros exemplos da gestão de Gross são apostas na curva de yield, negócios nos mercados emergentes e bonds estrangeiros.
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Apesar de destacar que Gross não obteve seu sucesso sozinho, dando crédito à equipe da Pimco, a Morningstar afirma que, por sua gestão, fica claro que Gross é um dos melhores investidores do nosso tempo.
Bruce Berkowitz: Ações norte-americanas
Quando Berkowitz fundou a Fairholme, em dezembro de 1999, lançar um fundo com estratégia de value investing era considerado loucura por grande parte da indústria de fundos, que estava mais preocupada em aproveitar o bom momento das ações de tecnologia e telecomunicações.
Com o estouro da bolha .com, os fundos que investiam em ações da economia antiga tiveram ganhos espetaculares – foi o caso de Berkowitz. Seu fundo mantém o perfil de investimento quase inalterado – empresas com fluxo de caixa sólido, e com timing preciso para suas apostas. Berkowitz se aproveitou da onda de energia, por exemplo – chegou a ter 35% das aplicações no setor. Entretanto, enquanto outros corriam para investir em ações de energia, o gestor vendeu seus ativos – pouco antes de as ações caírem em 2008.
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Outras operações de Berkowitz destacadas pela Morningstar são suas aplicações em ações do setor de saúde – investimentos controversos devido a incertezas regulatórias, mas que foram compensados com fartos ganhos em 2008 e 2009, ampliando seus ganhos anualizados em 10 anos para 13,2% – em comparação a 0,01% de sua categoria – e fazendo com que o gestor fosse escolhido também como gestor do ano de 2009 pela Morningstar.
David Herro: ações internacionais
“Eclético, do contra, e certo”. É assim que a Morningstar resume a estratégia de David Herro, do Oakmark, eleito gestor de ações internacionais da década.
Herro se foca em 50 ou 60 ações e aposta em setores individuais ou mercados específicos quando acredita que existam barganhas. Com isso, ambos os fundos gerenciados por ele são relativamente compactos e não se parecem com seu benchmark ou com os demais fundos da categoria. No momento, por exemplo, o fundo tem grande parte dos investimentos em mídia, além de uma aposta muito maior do que o normal na Suíça. No final de 2008, ele aplicou em empresas de produtos de luxo, em um momento em que os investidores saiam em disparada do setor.
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A estratégia de value do gestor, classificada de corajosa pela Morningstar, não vem sem riscos significativos, e ambos os fundos já tiveram anos bastante ruins – compensados em seguida. Em 2007, por exemplo, tanto o Oakmark International quanto o Oakmark International Small Cap tiveram os piores desempenhos de suas categorias, porque Herro ignorou o rali das empresas de energia e commodities. Entretanto, com isso, em 2008 os fundos se adaptaram bem à crise, e conseguiram uma forte recuperação em 2009, com retornos de 56% e 58%, respectivamente.
Considerando os retornos atualizados dos últimos 10 anos, fica clara a escolha da Morningstar: o Oakmark International obteve retornos de 8,2%, frente a 3,2% da categoria, enquanto o Oakmark International Small Cap ofereceu rentabilidade de 10,1%, em comparação a 6,1% da categoria.
Imagens: Pimco, Forbes e Oakmark