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SÃO PAULO – Com as boas perspectivas para a rentabilidade da Vale (VALE3, VALE5) em 2010, a Bradespar (BRAP4) acaba ganhando por tabela. Segundo analistas, a holding que detém participação na Valepar é uma boa estratégia para investidores alocarem recursos em Vale.
De acordo com Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, por ser uma empresa de participações, a primeira premissa a ser analisada pelo mercado é o desempenho e perspectivas para os ativos que compõem sua carteira de investimentos.
“Como a Vale, que é a principal empresa em que a Bradespar investe, possui boas projeções para este ano, não tem como não recomendar a própria Bradespar, já que é um papel que reflete quase puramente o desempenho da mineradora”, comenta Galdi.
O analista explica que para se fazer a análise do case de investimento da Bradespar, é preciso analisar os valores relativos de suas participantes, que atualmente são Vale e CPFL. No caso desta última, sua fatia é pequena, de 5,9% em ações ordinárias.
Já, no tocante à gigante de mineração, a Bradespar é dona de aproximadamente 11,2% do capital votante da empresa e 5,7% do capital total, conforme explica Galdi. Sua representação na mineradora se dá de forma indireta, através da participação de 17,4% na Valepar, controladora da Vale.
“Como a Bradespar possui em sua carteira ações da Vale e da CPFL, ao avaliar seu valor com os das companhias que compõem sua carteira, vemos que ela tem um desconto que quase 11%, o que nos faz recomendar compra para o papel”, explica o analista.
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A SLW recomenda compra para o papel da Bradespar e estima um preço-alvo de R$ 50,50, com potencial de valorização de 20,88% em relação ao último fechamento (R$ 41,78).
Investimento
O analista da SLW explica que este desconto em relação ao valor de mercado da empresa e suas participações pode tornar atrativo para o investidor até mesmo migrar sua alocação em Vale para Bradespar.
Além disso, ele explica que existem dois tipos de investidores da Brasdespar: os de curto prazo e os de médio e longo prazos. Como explica Galdi, os investidores do primeiro caso veem os ativos da Bradespar como um meio de investir em Vale de forma indireta.
Para estes acionistas, quando a ação da Bradespar se valorizar (e não tiver o mesmo desconto que possui agora) eles acabam saindo. Porém, os de médio e longo prazos visam, de acordo com o analista da SLW, a própria empresa Bradespar.
“Estes vão olhar as perspectivas para a empresa no futuro, qual seu potencial, quais serão seus movimentos de compra e venda e vão investir na própria Bradespar e não somente em sua carteira de participações”, comenta.
Neste ponto, Galdi alerta que o futuro da Bradespar ainda é incerto, por conta de sua intenção de vender sua participação na CPFL. “Se ela é uma holding, ela deve ter várias participações; e, vendendo CPFL, ela ficará apenas com a Vale. Ninguém sabe qual poderá ser o futuro da companhia”, comenta.
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Além disso, ele aponta também a própria pressão do governo em cima da companhia, movimento evidenciado no ano passado, quando o governo brasileiro apoiou a compra da fatia da Vale na Bradespar pelo megaempresário Eike Batista.
Na época, o Brasdesco, banco que controla a Bradespar, recusou a oferta de Batista. Com isso, Batista acusou o próprio presidente da Vale, Roger Agnelli, de interferir nas negociações e impedir o negócio.
Peso-Vale
Por sua forte dependência do desempenho de Vale, o analista da Link Investimentos, Leonardo Alves, também aposta no potencial de valorização das ações da Bradespar. “Nossa recomendação de outperform para a Bradespar basicamente é por conta do bom momento que a Vale tem pela frente”, comenta.
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A corretora recomenda “outperform” (desempenho acima do mercado) para BRAP4 e preço-alvo de R$ 52,80, cerca de 26,38% de potencial de valorização. Entre as principais premissas para a Vale está a recuperação da demanda para o setor minerador.
“O mercado de minério de ferro, em especial, está bastante forte, com demanda e preço subindo, o que pode trazer boa rentabilidade para a empresa nos próximos resultados”, fala.
Alves também comenta que a procura por outros metais também está em alta, principalmente por conta das compras da China. Em dezembro, as importações de minério de ferro do gigante asiático subiram 80% em relação ao mesmo mês de 2008, com compra de 62,16 milhões de toneladas.
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Além disso, Alves aponta como positivo para a Bradespar seu baixo custo administrativo, próprio de uma holding, e a possível venda da fatia de CPFL em sua carteira.
“O mercado até vê de certo modo como negativa esta participação porque ela [Bradespar] apenas possui uma parte da empresa e não tem o controle, o que traz menos valor para o negócio em relação a Vale”, destaca o analista da Link.
Ele fala que apesar da Bradespar também não possuir o controle acionário da Vale, ela faz parte do controle indireto e acaba tendo um poder grande nas decisões da mineradora.
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Desvalorização
Apesar das boas expectativas, para o analista Rodrigo Ferraz, da Brascan Corretora, os papéis da Bradespar não são mais tão atrativos. “Nossa recomendação é de underperform [abaixo do mercado] para BRAP4, uma vez que temos um preço-alvo de R$ 37,04 por ação e a mesma fechou ontem [dia 11] cotada a R$ 41,78”, fala.
Ele explica que algumas vezes é interessante investir em Bradespar como veículo para capturar a rentabilidade da Vale. Esses são os casos, segundo o analista, em que a resultante da soma dos ativos líquidos da Bradespar apresentar desconto “fora do normal” em relação à sua cotação de mercado.
Porém, ele conta que de uma forma geral, a Brascan prefere investir diretamente em Vale que em Bradespar, “uma vez que fazendo-o ficamos expostos apenas ao negócio mineração, sem questões adicionais relacionadas a gestão da Bradespar ou uma eventual dissolução da empresa”, explica Ferraz.