A nova opção dos fundos de investimento internacional: Brics

Países emergentes tomam o lugar antes ocupado pela Europa e Japão como opção favorita dos fundos internacionais

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SÃO PAULO – “O Brasil é o país do futuro e sempre será”. A já clássica piadinha proferida pelos pessimistas de plantão parece ter perdido sentido nos últimos anos, já que a economia nacional mostra os sinais de sua força. A última crise financeira está aí para provar o mérito dos resultados das políticas promovidas nos últimos anos. Como não poderia deixar de ser, com a melhora do cenário, aumentou a procura estrangeira por investimentos no País. 

Populares nos EUA, fundos de investimento internacionais são uma opção para os investidores que procuram diversificar seu portfólio, procurando aplicações interessantes em outros países. Ao longo da última década, países como o Brasil, a Índia e a China têm tomado o lugar que antes era ocupado pela Europa ocidental e, em alguns casos, o Japão, conforme matéria da MorningStar.

Não muito tempos atrás, nos anos 1990, este fundos focavam sua atuação nos mercados desenvolvidos, que na época se resumiam, com a exclusão dos EUA, aos exemplos citados acima. Contudo, estas opções deixaram de ser tão atrativas ao longo das duas últimas décadas.

O Japão viu crescer a rejeição de seus ativos depois do episódio da crise asiática nos últimos anos do século XX. Apesar de ainda aparecer em alguns portfólios e ser visto como um bom player da economia asiática, não se compara com as posições vistas nos anos 1980, quando a economia japonesa aparecia como a nova força econômica do mundo.

Logo, os fundos estrangeiros começaram a apresentar uma predominância de papéis do velho continente. Aliás, havia até certa resistência contra a entrada de opções extra-Europa. Como será que as coisas mudaram, então?

Com o passar do tempo, os exóticos e distantes mercados da Europa foram ficando cada vez mais próximos, sendo que, atualmente, investidores norte-americanos podem negociar diretamente nas bolsas dos EUA ações de grandes empresas europeias, como é o caso do Banco Santander e da Nokia, para citar apenas alguns exemplos. Dessa forma, já não fazia mais sentido para estes fundos internacionais manterem grandes posições nestas empresas no mercado europeu, uma vez que seus clientes tinham acesso a elas no mercado doméstico.

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Crescer e aparecer
Paralelamente ao fortalecimento das empresas europeias, alguns países do terceiro mundo, antes encarados com certo ceticismo como opção de investimento, começaram a atrair a atenção dos investidores com suas perspectivas de crescimento. Sob a nova alcunha de mercados emergentes, Brasil, China, Índia e Rússia passaram a ser nomes cada vez mais recorrentes nos portfólios. 

Para citar um exemplo, o megainvestidor, George Soros, notório por sua leitura diferenciada dos mercados e por seus investimentos ousados, disse em um de seus livros recentes que viu na China “a oportunidade de uma vida”.  Para ele, o país “está se recuperando (da crise) e seu ritmo de crescimento será mais rápido do que do resto do planeta”. 

No Brasil, por sua vez, a grande participação dos investidores estrangeiros no dia a dia do mercado acionário é impossível de ser ignorada. Por exemplo, no maior IPO (Initial Public Offering) do ano passado, da filial brasileira do Banco Santander (SANB11), a participação estrangeira atingiu 80%. Na oferta da antiga Visanet, atualmente Cielo (CIEL3), a participação de investidores não residentes no País foi de 57%. Isto tudo em um ano que a economia nacional estagnou, de acordo com o consenso dos analistas.

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A bola da vez do mercado internacional parece ser os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), que já ocupam o centro das discussões sobre a economia global e parecem ser mais confiáveis do que os EUA.

Talvez o futuro tenha chegado. É hora de rever as piadas.