Analistas divergem em suas recomendações para Cemig

Enquanto alguns destacam riscos políticos e aquisições como pontos negativos, outros acreditam na boa governança da empresa

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SÃO PAULO – Com pontos positivos e negativos fortes, analistas divergem sobre recomendação de investimento para ações da Cemig – Companhia Energética de Minas Gerais (CMIG4). Riscos políticos e estratégia de aquisições estão entre os principais pontos de divergência sobre a empresa.

Segundo o analista Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, investir em Cemig não é uma boa estratégia de mercado neste momento. Ele explica que a empresa é “arriscada” principalmente por sua política agressiva de aquisições.

“Acreditamos que a política de aquisições vai se manter em 2010, especialmente dado o momento político. Com essa estratégia de aquisições combinada com a deterioração nas margens de lucratividade da empresa, por causa da elevação dos custos com pessoal, vemos que a Cemig não seja um bom papel para este ano”, explica Corrêa.

Para ele, além das aquisições, as perspectivas políticas para o estado de Minas Gerais também não contribuem para o case de investimento da companhia elétrica, trazendo mais um aspecto negativo, em sua visão.

Corrêa conta que, nos últimos anos, a Cemig vinha se beneficiando de um governador considerado market friendly (“amigo do mercado”). Porém, o analista explica que qualquer mudança na linha de pensamento e atuação da gestão estadual (que atualmente é comandada por Aécio Neves), pode trazer riscos para a empresa.

“Ainda mais no caso de entrar um governador mais intervencionista, tipo Hélio Costa [PMDB]”, comenta referindo-se ao principal oponente do candidato do governo atual Antonio Anastasia (PSDB).

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Em pesquisa realizada pelo Datafolha no final de dezembro, Costa contava com o intervalo de 31% a 37% das intenções de voto, enquanto Anastasia tinha apenas 13%.

Outros problemas
“Acredito que o principal problema neste assunto é a falta de garantia de continuidade da gestão à favor do mercado, que gera incerteza no campo político”, comenta também Márcio Yamachira, da Gradual Investimentos.
 

Além da instabilidade política, Yamachira destaca ainda outro movimento que pode contribuir negativamente para a recomendação da Cemig: o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte.

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Na noite passada, o presidente da companhia elétrica de Minas Gerais, Djalma Morais, confirmou a participação da empresa na disputa pela construção da usina de Belo Monte. O anúncio foi feito durante encontro com o governador Aécio Neves.

Conforme conta o analista da Gradual, o problema da participação da Cemig na disputa está no valor que deverá ser fechado no leilão. “O fato negativo não é a entrada no leilão, mas a taxa de retorno dele que, devido à forte competição, não vai ser muito atraente”, explica Yamachira.

O programa de construção da usina de Belo Monte faz parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal e terá capacidade para gerar 11 mil megawatts para a rede elétrica do país.

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Recuperação da demanda
Apesar de alguns eventos serem considerados de risco para o investimento em CMIG4, o analista da Gradual também aponta aspectos positivos da empresa. “Temos visto uma recuperação de demanda de eletricidade bastante forte, principalmente do setor industrial”, coloca.
 

A notícia, além de ajudar o setor como um todo, é importante para a Cemig à medida que a empresa possui uma parte importante de sua receita de energia vinda do setor industrial. “A demanda deve continuar esse ano, com o mercado revisando para cima projeção de PIB e recuperação de demanda do segmento”, projeta.

Além disso, outro aspecto positivo da empresa de Minas é seu perfil diversificado de atuação e investimentos, que mistura serviços de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

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Neste ponto, Yamachira explica que caso haja mudança nos reajustes de tarifas, com reformulação dos cálculos ou pressão dos governos para repasses menores de custos, a empresa acaba saindo na frente.

“Por atuar em diversos segmentos e ter um mix de receitas mais diversificado, a Cemig não seria tão prejudicada comparado a outras empresas públicas do setor, como as distribuidoras apenas”, sublinha.

A Gradual adota recomendação “neutra” para as ações da Cemig, com um preço-justo de R$ 35,00 para CMIG4 no final de 2010, representando um potencial de valorização de 17,17%, ante o último fechamento (R$ 29,87), quando os papéis registraram alta de 1,95%.

“Compra”
Enquanto o plano de aquisições da Cemig é visto como negativo por Ricardo Corrêa, da Ativa, outro analista, Osmar Camilo, da Socopa Corretora, acredita que a empresa tem espaço para crescer ainda mais.

“Apesar de se colocar em dúvida se essa estratégia [de aquisições] pode interferir na geração de caixa da companhia, eu acredito que não. Eu vejo espaço no balanço da empresa para mais aquisições e aumento da dívida caso precise, sem comprometer a estrutura de capital”, analisa Camilo.

O economista explica que a boa gestão da empresa, com práticas avançadas de governança, transparência e comunicação com o mercado, assim como seu histórico de aquisições responsáveis, sustentaram “sua forte posição de caixa e estrutura de capital saudável, o que lhe permite captar no mercado”, fala.

“Ela até pode ter um risco menor de uma aquisição que não seja interessante, mas o histórico é de aquisições que agregaram valor e não destituíram valor”, afirma ao recomendar o papel como um bom investimento de longo prazo.

Para a Socopa, o CMIG4 é a ação top pick do setor de energia elétrica da BM&F Bovespa. Com recomendação de compra, a corretora estabeleceu um preço-alvo de R$ 40,00 para setembro de 2010, com potencial de crescimento de 34%.