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SÃO PAULO – Há alguns tipos de investimento que parecem bons demais para ser verdade. Quem nunca leu uma reportagem que prometia ganhos espetaculares em um período curtíssimo de tempo, ou ouviu uma conversa sobre conhecidos ficando milionários com o mercado financeiro?
Entretanto, como a maioria das coisas, o que parece ser bom demais para ser verdade geralmente o é. Uma das classes de ativos que tende a iludir investidores de primeira viagem são as opções.
Assim como muitos dos ativos que oferecem lucros astronômicos, as opções estão atreladas, muitas vezes, a um risco de se perder tudo tão rápido quanto se conseguiu, ou até mesmo montante superior ao seu patrimônio – fato ignorado por investidores amadores, seduzidos pelos ganhos fáceis do mercado.
Veja a seguir a história de quatro investidores que apostaram em opções – e suas opiniões depois da experiência. As identidades foram preservadas.
O cauteloso
O investidor cauteloso começou a investir em opções quando já operava a um bom tempo no mercado de renda variável – e começou estudando, investindo pouco, fazendo testes e remuneração de carteira. Seu modelo de investimentos é: “nunca se joga alto com opções, ainda mais inicialmente”.
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Por ser cauteloso, esse investidor não fez fortuna com o mercado de opções – mas também não perdeu montantes impressionantes. “No geral saí ganhando, mas foi inexpressivo. Prefiro outras operações enquanto não possuo o nível de conhecimento adequado ou tempo disponível na frente do computador durante o pregão”, explica o investidor.
Mesmo sem histórias marcantes, o investidor recomenda operar com opções. Entretanto, para ele, essas operações são as que mais exigem do investidor, que precisa ter conhecimento, experiência, autocontrole e racionalidade. “No mundo virtual do homebroker, a diferença entre opção e ação é simplesmente o código de cada uma – o que passa a impressão de ganhos simples e magníficos, e não alerta para os perigos dessa operação”, aponta. E sentencia: “Não adianta ficar magoado com as opções por perder dinheiro. Afinal a culpa pela perda não é do papel, é do broker”.
O insistente
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Esse investidor operava com ações no estilo ‘buy and forget’ – aquele que compra ações e, uma vez por mês, olha para ver como está. Mas em 2008, as coisas mudaram: os ganhos de anos desapareceram com a crise. Assim, ele decidiu tentar as opções. “Como a maioria dos novatos, encarei as opções como se fossem ações com maior volatilidade – o que elas não são”, explica. Como a maioria dos novatos, o investidor acreditou que poderia ganhar dinheiro em pouco tempo, comprando opções na baixa e vendendo na alta. “E como a imensa maioria dos novatos, me dei mal”.
Algumas histórias marcaram a experiência do investidor com opções. A primeira delas foi, coincidentemente, sua primeira operação. “No auge da crise, quando a bolsa caía 15% num dia e subia 10% no dia seguinte, separei pouca coisa e comprei algumas opções de valor baixo. Em poucas horas, a opção dobrou de valor, e vendi com 100% de lucro”. Feliz com o resultado, ele arriscou mais. “Acho que nem sabia quando venciam as opções que eu comprava”, lembra. “Para valerem alguma coisa no vencimento, a ação precisaria subir mais de 20% em uma semana. Mas eu não sabia disso”. Resultado: as opções viraram pó, e o investidor perdeu todo o dinheiro aplicado.
Depois do tombo, o investidor resolveu investir tempo para aprender de verdade sobre as opções – em especial, sobre as estratégias de investimento que esse tipo de aplicação oferece. “Aprendi que, se por um lado, a ‘compra a seco’ apresenta oportunidades de ganhos espetaculares, com o risco de perder tudo que você investiu, estratégias como o ‘lançamento coberto’ oferecem a chance de lucrar pequenos valores constantemente”. Assim, o investidor mudou sua estratégia – mas segue investindo em opções. Ele afirma que é importante considerar que as opções demandam tempo, estudo e paciência. “Esqueça os ganhos fantásticos, abra uma planilha e simule o quanto você poderá ter se você conseguir ganhos de 2% ao mês por 10 anos”, conclui.
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O desiludido
Assim como há os que fazem fortuna com opções, há aqueles que perdem tudo nesse tipo de operação. Foi o que aconteceu com o investidor desiludido. Depois de dois anos no mercado, ele começou a mexer com opções atraído pela possibilidade de altos ganhos. No começo, investia R$ 2 mil ou R$ 3 mil, mas em menos de meio ano as operações já eram de R$ 10 mil ou R$ 20 mil.
Esse investidor chegou a ganhar R$ 20 mil em um dia. “Achei que ia ficar rico em um ano”, explica. Entretanto, sem disciplina, o investidor perdia R$ 30 mil no dia seguinte. A sua operação mais marcante foi quando o mercado subiu, e o investidor tinha uma venda a descoberto de R$ 20 mil. “Fiquei achando que o mercado ia voltar – três dias depois, eu estava R$ 80 mil negativo na corretora”. Segundo o investidor, por pura sorte, o mercado reverteu a alta e despencou. “Acabei ficando com R$ 7 mil de lucro nessa operação”. Entretanto, a sorte não ajudou por muito tempo. “As coisas foram piorando, e quando eu vi, não tinha mais dinheiro na corretora”, afirma.
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Depois disso, o investidor não opera mais com opções – mesmo que a vontade ainda exista. “Tenho alguma coisa no mercado à vista, mas pouco. Não valeu a pena pra mim”, aponta. Para o investidor, não foi a falta de conhecimento que o prejudicou, mas sim a falta de controle e disciplina. “Já tinha estudado sobre isso, li livros, fiz cursos, mas nada disso é suficiente sem disciplina”, afirma.
O calejado
O investidor calejado começou a operar com opções depois de um ano no mercado de risco, seguindo o grupo de traders que operavam com ele. Assim como muitos investidores, começou aplicando pouco, mas, em pouco tempo, já tinha 10 vezes seu capital alavancado. “Todo mundo sabe que opção quebra o investidor – mas você acha que com você vai ser diferente”, afirma.
“Eu conhecia bem o mercado, as estatísticas, e é uma ferramenta muito interessante, completa, com diversas fórmulas e estratégias”, explica. Entretanto, ele ressalta que em opções, é possível modelar matematicamente 99% dos eventos – e o outro 1%, apesar de estaticamente improvável, também pode acontecer. “Aí, os movimentos são muito brutos, e não há muito que fazer”, afirma. Em um desses movimentos, uma variação grande dos papéis da Telemar, o investidor viu o quão importante é considerar o 1% – perdeu R$ 1,64 milhão em poucos dias.
Entretanto, o investidor vê essa quebra como positiva. “Senão, teria quebrado quando a Petrobras descobriu o poço de Tupi, e a ação variou 150% – seriam R$ 20 milhões, R$ 30 milhões. Seria impagável”, afirma. Já recuperado, o investidor segue operando com opções, mas com mais cautela – que devia ser exercida por todos. “Perdi muito, foram 3 anos jogados fora – mas, ao mesmo tempo, aprendi muito do que sei hoje com essas operações”, afirma.
Para ele, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) deveria restringir o acesso a esse tipo de derivativos. “A maioria erra ao se alavancar em opções, que já são alavancadas por natureza – devia haver um curso, alguma restrição, porque uma queda de 2% na opção já é suficiente para ‘matar’ a opção, e muita gente não sabe disso”, explica.