Bolsas operam em baixa, com receio sobre bancos e de olho no Employment Report

Destaca-se taxa de desemprego nos EUA, que deve avançar para 10,3%; fantasma da Enron ronda bancos de Wall Street?

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SÃO PAULO – As bolsas europeias operam em baixa nesta sexta-feira (4), tendência diferente da vista no outro lado do Atlântico, onde os mercados futuros dos EUA operam indefinidos. As cotações do petróleo e do ouro recuam, enquanto o dólar se valoriza frente ao iene, mas sucumbe ao euro e à libra esterlina.

Às 11h30 (horário de Brasília), todos os olhos do mundo devem voltar-se aos EUA, onde será anunciado o Employment Report de novembro, que é composto pelos seguintes indicadores: Taxa de Desemprego, Nonfarm Payrolls, com o número de postos gerados ou extintos; Average Workweek, com as horas trabalhadas semanais; e Hourly Earnings, com a remuneração por hora trabalhada.

Também haverá divulgação do Factory Orders (13h00), que mede o volume de pedidos feitos à indústria como um todo – bens duráveis e não duráveis. Simultaneamente, há os discursos dos presidentes regionais do Federal Reserve da Filadélfia, Charles Plosser; e de St. Louis, James Bullard.

BofA oferta, BCE se preocupa

Um dia após o Bank of America Merrill Lynch afirmar que pagará os US$ 45 bilhões emprestados emergencialmente pelo governo dos EUA, a instituição obteve US$ 19,3 bilhões em oferta de ações. Os papéis foram precificados em US$ 15,00 cada, desconto de cerca de 4% em relação ao fechamento da última quarta-feira (2). O montante é o maior já levantado na história do setor bancário norte-americano.

De Nova York à Atenas, o membro do comitê do BCE (Banco Central Europeu) Erkki Liikanen afirmou que a recuperação econômica será um “caminho repleto de pedras”, dado que, “quando os estímulos foram retirados e as companhias iniciarem a redução de estoques novamente, provavelmente deverá haver um recuo na atividade econômica”.

Febre do ouro

A despeito da intenção revelada de diversificar suas reservas estrangeiras, a China não deverá comprar ouro indiscriminadamente. “Nós devemos manter em mente os efeitos de longo prazo quando consideramos o que usar como reservas”, afirmou Hu Xiaolian, vice-presidente do People’s Bank of China. “Devemos nos atentar à formação de bolhas em certos tipos de ativos”, completou.

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Em contrapartida, com um viés mais de curto prazo, o BNP Paribas acredita que o ouro deverá continuar com seu rali atual por pelo menos mais dois meses, à medida que serve como ativo seguro em tempos voláteis. Conforme o banco francês, o “quase default” do fundo Dubai World serviu como um impulso à febre do ouro, ao passo que mostra quão vulnerável um investimento de maior risco pode ser.

Nova Enron?

Para Nomi Prins, ex-diretora do Goldman Sachs, os bancos de Wall Street fazem alguns jogos perigosos de contabilidade, dado que é curiosa a volta rápida aos grandes lucros. “As manobras contábeis impossibilitam saber o quadro consistente dos bancos, pois não há como notar a diferença entre ‘dinheiro real’ (de serviços aos clientes) e ‘dinheiro de jogo’ (operações de trading, utilizadas com subsídios do Estado)”, discorre Prins.

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Credor de última instância pode dar calote

“Dívidas soberanas – a próxima crise?”. A afirmação intitula relatório do Citigroup, no qual o analista Michael Hart considera a possibilidade de um default generalizado nos países desenvolvidos. “Provavelmente, os resultados serão uma inflação galopante e uma depreciação da libra e do dólar”, dispara Hart, ao projetar o horizonte provocado pela política flexível nos bancos centrais do Hemisfério Norte.

Indústria

No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou a Pesquisa Industrial Mensal com a produção física regional de outubro.

Novela começa

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Conforme matéria publicada no Wall Street Journal, o tripé oligopolista composto pelas mineradoras Vale, BHP Billiton e Rio Tinto pressiona as siderúrgicas chinesas por um aumento de 10% a 25% nos contratos para o minério de ferro, dando início à novela dos contratos benchmark, cujo término deverá ser em abril do próximo ano.

Por outro lado, Michael Widmer, analista de mineração do Bank of America Merrill Lynch em Londres, acredita que “as mineradoras estão operando na capacidade máxima e a produção siderúrgica mostra sinais de recuperação”.