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SÃO PAULO – A semana foi de alta nos principais mercados globais, que voltaram suas atenções para dados da economia norte-americana. Entre as principais referências, o Livro Bege do Fed revelou uma recuperação modesta dos EUA, e o Relatório de Emprego, que veio acima das expectativas dos analistas.
No plano corporativo, destaque para o Bank of America Merrill Lynch, que vai devolver ao governo dos EUA os US$ 45 bilhões recebidos em empréstimos do programa Tarp (Troubled Asset Relief Program), e para o Pão de Açúcar, que anunciou a compra da Casas Bahia nesta sexta-feira.
Assim, o Ibovespa encerrou a semana com alta de 0,78%, a 67.603 pontos. Essa foi a quarta semana consecutiva de valorização do índice, que no ano acumula avanço de 80,3%. O Pão de Açúcar liderou as altas da semana, com valorização de 13,62% no período, refletindo o anúncio da aquisição da Casas Bahia. Vale mencionar que a Globex, controlada do Grupo, viu seus papéis subirem 94,15% no período.
As ações ordinárias da Souza Cruz, por outro lado, acumularam desvalorização de 6,82% e encabeçaram a lista das maiores perdas do Ibovespa no período. O movimento dos papéis reflete levantamento organizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no qual constatou-se que o Brasil tem atualmente 24,6 milhões de fumantes – porém, o número de pessoas que largaram o cigarro ultrapassou o de fumantes, num total de 26 milhões.
Em relação às duas ações mais líquidas do índice, a semana foi negativa. Os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras tiveram recuo de 2,49% e 1,29%, respectivamente, enquanto os da Vale caíram 3,13% e 3,61%, na mesma ordem.
Ainda na bolsa brasileira, a BM&F Bovespa publicou seu balanço mensal, mostrando um giro financeiro de R$ 1,76 trilhão nos mercados do segmento BM&F em novembro – uma queda de 26% frente ao volume alcançado em outubro. O segmento Bovespa também registrou queda no volume e no total de negócios, que ficaram em R$ 122,99 bilhões e 7.243.282 contratos. Além disso, investidores pessoa física passaram os estrangeiros em participação no volume total negociado na BM&F Bovespa.
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Noticiário
O Fed realizou pela primeira vez uma operação “repo” a fim de testar uma eventual retirada dos estímulos monetários concedidos. Além disso, o presidente da instituição, Ben Bernanke, defendeu no Comitê Bancário do Senado norte-americano as medidas de combate à crise econômica aplicadas pelo banco central, afirmando que o Fed deve-se manter independente e ter poderes suficientes para manobrar políticas anticíclicas. O chairman disse ainda que não vê a formação de bolha nos ativos norte-americanos.
Ajudando a melhorar o humor dos investidores, parte da dívida do fundo Dubai World deverá ser reestruturada. Enquanto isto, na China, o setor industrial registrou em novembro seu maior ritmo de expansão em mais de cinco anos.
Além disso, o BCE (Banco Central Europeu) manteve a taxa básica de juro do continente em 1,00% ao ano, em decisão já prevista pelo mercado. O destaque ficou por conta da sinalização de medidas para retirar os estímulos implementados durante a crise.
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Indicadores
Os indicadores dos EUA – positivos e negativos – foram o foco da semana. Além do Relatório de Emprego, saíram ainda o ISM Services, que decepcionou, assim como a produtividade da mão-de-obra norte-americana e o número de postos de trabalho no setor privado. Dados do mercado imobiliário vieram acima do esperado, assim como volume de encomendas à indústria. Já o número de pedidos de hipotecas avançou 2,1% na última semana.
No plano doméstico, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) apontou alta de 0,29% nos preços em novembro. Mas o destaque ficou por conta do crescimento de 2,2% da produção industrial brasileira na passagem de setembro para outubro. A produção da indústria nacional avançou em 10 das 14 regiões pesquisadas no período. Já o total de veículos vendidos em novembro recuou 14,5% na comparação com outubro.
Já a balança comercial registrou um saldo positivo de US$ 615 milhões no mês de novembro. Com o desempenho, o superávit no acumulado do ano passou para US$ 23,202 bilhões.
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Cenário corporativo
No plano corporativo externo, destaque para a seguradora AIG (American International Group), que anunciou a conclusão da venda de duas subsidiárias ao Federal Reserve de Nova York, reduzindo sua dívida com o banco em US$ 25 bilhões. A Kraft Foods também fez nova oferta pela Cadbury, desta vez diretamente a seus acionistas.
Por aqui, as petrolíferas atraíram atenções. Enquanto a OGX Petróleo informou descoberta de hidrocarbonetos em bloco na Bacia de Campos, além do desdobramento de suas ações, a Petrobras anunciou a assinatura de contratos no valor de R$ 8,9 bilhões para a construção de refinaria em Pernambuco. O CEO (Chief Executive Officer) da estatal, José Sergio Gabrielli, afirmou ainda que o plano de investimentos de US$ 174,4 bilhões previsto para até 2013 pode aumentar.
Além disso, a Caixa Econômica Federal anunciou a aquisição de 35% do capital social do Banco PanAmericano, enquanto o governo do Estado de São Paulo anunciou que vai abrir licitação para a venda das participações societárias que mantém direta ou indiretamente em empresas privadas, como a Transmissão Paulista.
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Também foi aprovado o PL 29, que permite, entre outros pontos, a entrada das operadoras de telecomunicações no segmento de TV a cabo, além de permitir no Brasil a presença de companhias com participação 100% estrangeira.
Por fim, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) comunicou que investiga a aquisição da GVT pela Vivendi. Ainda no âmbito legal, está em fase final o processo instaurado pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça que acusa a Redecard de abuso de poder em operações de comércio eletrônico.
Câmbio e renda fixa
O dólar comercial encerrou a semana cotado na venda a R$ 1,726, um declínio de 1,03% em relação à última sexta-feira. O Banco Central informou que o fluxo cambial acumulado até o dia 27 de novembro ficou positivo em US$ 3,558 bilhões, acentuando a tendência de entrada de moeda estrangeira no País. A autoridade monetária brasileira também divulgou dados referentes às suas reservas internacionais, que acumulava até a data US$ 236,163 bilhões.
No mercado de renda fixa, os juros futuros encerraram em alta na BM&F Bovespa nesta sexta-feira. O contrato com vencimento em janeiro de 2011, que apresenta maior liquidez, encerrou apontando taxa de 10,45%, avanço de 0,17 pontos entre as semanas.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado a 136,55% de seu valor de face, queda de 0,79% na mesma base de comparação.
O risco-país, calculado pelo conglomerado norte-americano JP Morgan, fechou cotado a 205 pontos-base, queda de 21 pontos entre as semanas.
Veja os indicadores previstos para a segunda semana de dezembro
Dentro da agenda para a segunda semana de dezembro, os investidores estarão atentos às vendas ao varejo norte-americano no mês de novembro, além de dados sobre o orçamento público e sobre a balança comercial dos EUA.
Dentro do cenário nacional, o destaque fica com a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que decidirá o rumo da Selic, além da divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) referente ao terceiro trimestre.