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SÃO PAULO – À medida que se aproxima o último encontro do Copom (Comitê de Política Monetária) neste ano, o mercado volta a conjeturar sobre o rumo da política monetária no País. Mais uma vez, a projeção dos analistas é unânime: a taxa Selic deverá ser mantida a 8,75% ao ano.
Se confirmada, a decisão, a ser anunciada na quarta-feira, representará um ciclo de três manutenções consecutivas na taxa básica de juro brasileira, cujo patamar atual é o menor de sua história. Com tamanho consenso quanto à deliberação, o foco fica mesmo para o teor do comunicado que lhe acompanha.
Enquanto que a decisão em si não deve surpreender, seu comunicado, em contrapartida, recebe projeções menos homogêneas por parte dos analistas, com uns esperando “um pouco mais do mesmo” e outros esperando uma mudança no tom do Copom. O que está por trás da disparidade de tais visões? As expectativas de cada equipe para o cenário inflacionário brasileiro.
Defesa da desaceleração do crescimento do PIB
Por sua vez, o que está por detrás das expectativas dos analistas para a inflação no País são suas perspectivas para o crescimento da economia brasileira. A equipe do Bank of America, por exemplo, é uma das que espera uma desaceleração na trajetória de alta do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil a partir já do último trimestre deste ano.
“Enquanto que os níveis de investimento devem permanecer robustos nos próximos trimestres, acreditamos que todo o restante da economia já passou pela fase principal de recuperação e agora deve converter-se a um ritmo mais consistente com ‘níveis normais’ de atividade”, afirma a equipe do BofA.
Aliado a este cenário, os analistas do banco norte-americano veem uma trajetória benigna dos índices de preços ao consumidor nos próximos trimestres, podendo até mesmo manterem-se abaixo do ponto médio da meta estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional).
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Desta forma, a equipe prevê mais um comunicado sem muitas novidades, talvez com uma redação idêntica à da última reunião em 21 de outubro, cuja nota, por sua vez, também já havia sido igual à reunião anterior, de 2 de setembro, reafirmando a visão de que o atual patamar da taxa de juro é consistente com o cenário de inflacão e atividade econômica.
Os que se preocupam com inflação
Não são poucos os analistas que discordam da visão do Bank of America. Para a equipe da SulAmérica Corretora, “a ata da reunião deverá mostrar-se mais preocupada com os condicionantes da inflação, dado o forte crescimento da demanda agregada em meio a um fechamento mais rápido do hiato do produto”.
Os analistas do Santander concordam. “O baixo patamar da inflação ainda decorre de efeitos defasados da fragilidade econômica. Ao ritmo atual, não deve demorar muito para que surjam gargalos de oferta e incentivos à remarcação de preços em ritmo não compatíveis com a meta inflacionária”, argumentam.
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O hiato do produto consiste em medir o desvio do PIB corrente de fato frente a seu potencial. Estimativas mostram que, ao ritmo de crescimento atual de cerca de 2% por trimestre e, consequentemente, de 8% ao ano, uma situação de aperto seria constatada já a partir de 2010, “com consequente reversão da trajetória inflacionária e necessidade de ação de política monetária quase que imediata”, nas palavras da equipe do Santander.
Os moderados
A visão da LCA Consultoria segue pelo mesmo caminho. Para a equipe, mesmo com o “deslanchar dos investimentos”, o nível de utilização de capacidade instalada da indústria segue aumentando progressivamente, junto a um acréscimo também na demanda agregada. Assim, embora a ociosidade de alguns setores da economia doméstica – notadamente o de fabricação de bens intermediários e de capital – sirva para conter os preços no atacado industrial, a LCA prevê uma reversão para uma política monetária contracionista no segundo semestre do ano que vem.
De qualquer forma, ainda há muito tempo para se observar o comportamento dos indicadores econômicos brasileiros. Deste modo, a LCA acredita que o Copom deva evitar alterações significativas na redação de seu comunicado. “Mas num contexto de consolidação de um ritmo relevante de recuperação da atividade econômica doméstica, as chances de que a autoridade comece a mudar sua retórica crescem progressivamente”, afirma a consultoria.
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Para a LCA, ainda que o comunicado da próxima quarta-feira venha idêntico ao último, mudanças sutis podem começar a pontuar outros documentos divulgados pela autoridade, como o Relatório Trimestral de Inflação, a ser anunciado na próxima quinta-feira (10), e a ata desta reunião, com divulgação agendada para o próximo dia 17.