Com baixo risco, debêntures da BNDESpar são alternativa para investidores

Rendimento maior do que títulos públicos em papel "quase do governo" e boa liquidez são alguns dos fatores positivos

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SÃO PAULO – Mais acessível ao investidor de varejo, a oferta pública de debêntures simples – não conversíveis em ações – da BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimentos Econômico e Social (BNDES), oferece uma opção de diversificação nas aplicações de renda fixa. O período de reserva foi prorrogado para a próxima sexta-feira (11).

A oferta dá continuidade a outras emissões realizadas em 2006 e 2007, e faz parte do Segundo Programa de Distribuição de Debêntures da BNDESpar. No valor de R$ 1 bilhão e valor mínimo de R$ 1 mil, a oferta teve campanha publicitária voltada para o público de varejo – na linha de ofertas como a da Oi, Anhanguera e Vivo, todas realizadas em 2009.

Títulos públicos

Segundo um gestor de renda fixa, que não quis se identificar devido ao período de silêncio imposto pela oferta, os debêntures do BNDESpar são uma boa alternativa aos títulos federais no tesouro direto, oferecendo um spread positivo em relação às NTN-Bs e NTN-Fs. “É um risco semelhante, com um pouco de remuneração a mais”, aponta.

Há duas opções diferentes de remuneração: uma com juros prefixados – que serão pagos integralmente em 1º de janeiro de 2013 – e a outra com atualização pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acrescido de juros fixos – pagos anualmente a partir de 15 de janeiro de 2012 até 2015.

De acordo com um analista, cuja identidade será preservada devido ao período de silêncio imposto pela oferta, a primeira série, pré-fixada a uma taxa de juro, pode ser comparada ao contrato de DI Futuro de janeiro de 2013, que no fechamento da última terça-feira marcou taxa de 12,44%. “Considerando ainda a sobretaxa do bookbuilding aplicada em cima desse DI, que será no máximo de 0,80%, a debênture provavelmente será mais líquida para se posicionar em vencimento de 2013”, destaca.

O analista aponta ainda uma comparação com a NTN-F de mesmo prazo, que atualmente paga 12,59%, mas tem pouca liquidez, assim como o DI – o que, nesse caso, é uma vantagem para as debêntures, que tem possibilidade de compra e venda diária. “Além disso, o processo de investimento é bem mais simples para o leigo”, conclui.

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Os mesmos pontos positivos valem para a segunda emissão, que pode ser comparada a NTN-B de Maio de 2015. “Essa NTN-B está pagando 6,80% + IPCA. A sobretaxa do bookbuilding (máximo de 0,70%) será aplicada em cima desse DI”, explica o analista. “Acho que o risco de taxa de juro é para o bem – ou seja, as taxas oferecidas parecem elevadas, dada nossa perspectiva de Selic não tão alta quanto o mercado pensa”.

Risco e liquidez

Uma das principais vantagens apontadas pelos analistas é o baixo risco dos ativos. Para Lauro Campos, superintendente de análise de crédito da SulAmérica, o fato de o papel ser “quase do governo” deve ajudar com que a oferta seja bem recebida pelos investidores. “Você tem uma nova alternativa de investimento, com um quase governo – já que o controlador é a União, e que vai pagar um premio pela liquidez no mercado”, destaca

Vale lembrar que a agência de classificação de risco Moody’s conferiu aos papéis a melhor nota no mercado (Aaa.br), reforçando o baixo risco dos ativos.

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Segundo Campos, a existência de um formador de mercado – no caso, constituído pelos principais coordenadores da oferta (BB Investimentos, Banco Bradesco e Caixa Econômica Federal) – também traz uma vantagem ao investidor, pois oferece um mercado secundário, com preços de compra e venda diariamente. “Os dados das emissões anteriores mostram que até outubro, pelo menos, houve negociação em 100% dos dias”, aponta.

As debêntures são favorecidas também por uma taxa de custódia reduzida no mercado local para clientes do varejo – que, de acordo com o analista, é irrisória. Investidores cujas debêntures da BNDESpar sejam o único ativo na BM&F Bovespa pagarão apenas a taxa cobrada pela instituição, de R$ 6,90 semestrais. Já investidores que possuam outras aplicações não terão cobrança adicional.

Entretanto, o analista destaca que uma das vantagens apontadas em relação à oferta – pagamento de menor imposto de renda na fonte – não é uma vantagem em relação aos demais. “Ela paga 15% só porque o vencimento está acima de 720 dias, assim como todos os outros de mesmo prazo”.

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Outras ofertas

Apesar de não oferecerem uma comparação perfeita, vale mencionar algumas emissões de debêntures feitas recentemente – em especial algumas semelhantes a da BNDESpar.

A Anhanguera Educacional, por exemplo, anunciou oferta pública inicial será de 200 mil papéis, com valor unitário de R$ 1 mil cada. Os papéis também serão vendidos em duas séries: a primeira tem com vencimento em 3 anos, remuneração referenciada no CDI, mais spread máximo de 2,65% ao ano; a segunda tem prazo de 5 anos, com correção pelo IPCA e prêmio de 3 pontos percentuais acima dos juros pagos pela NTN-B que vence em 2015.

A Vivo também anunciou emissão de 600 mil debêntures, com valor nominal de R$ 1 mil cada. Os papéis terão vencimento em 15 de outubro de 2019 e serão vendidos em três séries, com novo acordo de juros previsto para 2012, 2013 e 2014, e remuneração prevista de até 110% (para a primeira série) e 115% (para a segunda série) da variação do CDI. Já a terceira série será corrigida pelo IPCA e pagará spread máximo de 1,30% sobre o cupom das NTN-Bs com vencimento em 2015.