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SÃO PAULO – As ações da Sanepar (SAPR4) registram um dia de fortes emoções na bolsa. Os papéis saíram do leilão por volta das 12h20 (horário de Brasília) com queda de 5,74%, a R$ 10,84 e voltaram ao leilão por volta das 12h40. Apesar da forte baixa, os papéis amenizaram as perdas em relação à queda registrada mais cedo, de 8,26%, a R$ 10,55, O movimento ocorre após a tão esperada decisão da Agepar (Agência Reguladora do Paraná) sobre a revisão tarifária da companhia, que ocorreu nesta quarta-feira de manhã e que confirmou o “tão temido” diferimento de oito anos para a empresa, que foi um dos motivos para a queda da ação no último mês, em meio ao anúncio da revisão preliminar da Agepar em 9 de março.
Os conselheiros da Agepar optaram por um reajuste de 25,63% com a aplicação do percentual de 8,53% para 2017, com o diferimento em mais 7 anos, aplicando-se assim, de forma linear 2,11% corrigidos pela Selic, a ser aplicado concomitantemente ao reajuste anual. A agência também aprovou a alteração da estrutura tarifária, com a redução do consumo mínimo faturável, de 10 metros cúbicos para 5 metros cúbicos e ainda com o incremento de novas faixas de consumo.
Segundo gestor ouvido pelo InfoMoney, apesar da forte reação dos mercados, a notícia foi positiva e há uma assimetria de valor dos papéis com relação a outras do setor. De acordo com ele, a ação só teria reação positiva caso o diferimento fosse reduzido para quatro anos.
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A “novela da Sanepar”
O reajuste tarifário de Sanepar, um dos grandes calls do mercado, transformou-se em um verdadeiro dramalhão mexicano na bolsa, com reviravoltas emocionantes para os investidores, que apostavam em um processo sem grandes sobressaltos em meio à confiança na governança corporativa da estatal. No início de março, a Agepar não agradou nem um pouco ao propor um reajuste de 25,63%, mas diferido em longos oito anos e com um reajuste inicial de 5,7%, o que levou à percepção de aumento de risco político, colocando em jogo o reajuste nos próximos anos. Após o anúncio, analistas e gestores apontaram que estavam prontos para brigar por um maior reajuste, mas a “call atrapalhada” logo após a revisão e, depois, a entrevista do CEO (Chief Executive Officer) Mounir Chaowiche ao jornal Valor Econômico. que praticamente cruzou os braços para a revisão. Porém, nos últimos dias antes da audiência pública, que aconteceu no dia 24 de março, a Sanepar acabou dando sinais de que lutaria pelo reajuste, o que animou o mercado. A audiência pública também foi vista como positiva pelos investidores da empresa de saneamento. Assim, o mercado ficou na expectativa nas últimas semanas pela reunião do Conselho da Agepar e a sua decisão – que, pelo menos no primeiro momento, não agradou os investidores.