Quinta-feira é de queda nas bolsas e commodities, em resposta ao Fed

Autoridade comentou estratégias de saída e sinalizou possível aperto monetário; agenda e noticiário também trazem tensões

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SÃO PAULO – A quinta-feira (17) é negativa nas bolsas europeias e nos mercados futuros de Wall Street, penalizados pela queda de papéis de petrolíferas e mineradoras. Isto porque, face às declarações do Federal Reserve na noite passada, o dólar tem forte movimento de alta nesta manhã, trazendo depreciação aos preços das commodities.

Como esperado, o comitê presidido por Ben Bernanke manteve inalterado o juro básico norte-americano, mas o foco esteve direcionado às mensagens enviadas pela autoridade. O Fed mostrou-se mais otimista quanto ao mercado financeiro e anunciou que a maior parte de seus programas de empréstimos emergenciais deverá terminar em fevereiro.

Simultaneamente, embora ainda siga penalizada, a economia estaria mostrando sinais de melhora, sobretudo no mercado de trabalho e nas tendências de consumo entre as famílias dos EUA, deflagrando assim uma expectativa de um aperto monetário por vir.

Desta forma, o dólar opera em seu maior patamar frente ao euro nos últimos três meses e sobe também em relação ao iene. O mercado cambial afeta o mercado de commodities, com petróleo, ouro e cobre sendo negociados em queda. Trajetória negativa também foi registrada pelas bolsas asiáticas.

Agenda do dia
Ainda que a reação dos investidores às mensagens do Fed direcione os mercados nesta manhã, a quinta-feira também tem sua agenda própria, com diversos indicadores de peso. Às 11h30 (horário de Brasília), olhos atentos ao Initial Claims, com previsão de nova queda no número de auxílios-desemprego na passagem semanal.

Às 13h00, duas divulgações simultâneas: o Leading Indicators referente a novembro e o Philadelphia Fed Index do último mês do ano, quando a atividade industrial na região da Filadélfia deve ter sofrido leve queda na passagem semanal.

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Noticiário
Ainda que o Fed seja, de fato, a maior referência negativa sobre os mercados de ações, o noticiário também não fica para trás. Na quarta-feira passada, a S&P cortou o rating da Grécia e alertou para a possibilidade de novas reduções, caso o país não diminua seu déficit orçamentário que, atualmente, é de mais que o triplo da média dos membros da União Européia.

O temor pesa sobre o clima nas praças europeias, assim como indicadores divulgados no Reino Unido. As vendas no varejo por lá registraram uma queda inesperada em novembro, após seis meses de resultados positivos. Já na França, recomendações pessimistas de analistas prejudicam o desempenho do índice CAC.

Nos EUA, o Citigroup captou US$ 17 bilhões com sua oferta de ações. O montante pode impressionar, mas é bem inferior ao esperado, dada a baixa precificação dos ativos distribuídos. Em resposta, o Tesouro dos EUA disse que irá esperar pelo menos 90 dias para vender sua fatia no banco.

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Brasil
No Brasil, o dia é de atenção ao cenário inflacionário. Logo pela manhã, o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor – Fipe) apontou na segunda medição do mês uma inflação de 0,17%, 0,03 ponto percentual abaixo da primeira semana. Já o IGP-10 (Índice Geral de Preços) dos últimos trinta dias até 10 de dezembro registrou deflação de 0,07%.

A despeito dos bons números, o mercado de juros futuros poderá demonstrar certa tensão quanto ao cenário inflacionário brasileiro. Isto porque a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) demonstrou significativa alteração na retórica da autoridade, mais preocupada quanto a uma futura alta dos preços e sinalizando, desta forma, possíveis elevações na taxa Selic.

Bolsa
Na bolsa brasileira, o destaque do dia fica com a estreia das ações ordinárias do Fleury no âmbito de seu IPO (Initial Public Offering). Os papéis da companhia foram precificados a R$ 16,00, dentro das projeções dos coordenadores da oferta.

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Além do clima externo desfavorável, os analistas do BB Investimentos pedem atenção também ao giro de negócios do Ibovespa, que tem se mostrado fraco nos últimos dias, em “um claro sinal de cansaço”. A equipe vê suportes nos 68 mil pontos e, do outro lado, forte resistência nos 70 mil pontos.

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