Frigoríficos devem ter bom 2010, com menores custos e exportações em alta

Brasil Foods, JBS e Marfrig têm recomendação acima da média do mercado; demanda externa e interna devem melhorar

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SÃO PAULO – Custos menores, exportações brasileiras em alta e conjuntura econômica positiva. Os três fatores combinados levam a previsões muito favoráveis para o setor de frigoríficos do País, que teve um ano de 2009 marcado por forte consolidação e resultados em queda, após preços baixos e desaceleração da economia. 

A analista Mariana Peringer, do Banco do Brasil, destaca a liderança do Paísl nas exportações de carne bovina e de frango. “A estimativa oficial é de crescimento de 20% das exportações do Brasil de carne bovina, 8,5% da carne suína e 6% de frango”, cita a analista.

Também com foco na demanda externa, os analistas Renato Prado e Ronaldo Kasinsky, da Fator Corretora, afirmaram que a “retomada consistente do nível de atividade mundial, e consequentemente o aumento da demanda e da recomposição dos estoques” levam a perspectivas otimistas para o setor.

Mas não é apenas pela demanda de fora que o setor deve performar bem em 2010. “Nossas expectativas também são positivas para o mercado interno’, afirma Mariana Peringer, citando a recuperação da renda e do consumo no Brasil. “As projeções mostram crescimento de 2,9% no consumo de carne suína e 3,4% no consumo de carne de frango”, diz Mariana, afirmando que este cenário deve favorecer as empresas no País. 

Relembrando 2009
Durante o ano, o setor sofreu com preços menores – afetando sobretudo a carne de frango – e queda do volume em função da desaceleração da economia em todo o mundo. Os analistas do Fator lembram que, com forte correlação com a renda, o segmento de carne bovina sofreu mais em termos de volume, com redução tanto das exportações quanto do consumo interno.

“A redução nos preços de exportação dos produtos in natura foi o fator mais negativo para o setor em 2009”, afirmam Prado e Fernandes. Com isso, as margens operacionais das empresas diminuíram e as vendas despencaram com relação a 2008. Ainda assim, empresas como Brasil Foods, Minerva e Marfrig devem encerrar 2009 com lucro líquido.

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Consolidações
Mas a principal marca de 2009 para o setor foram as consolidações das grandes empresas. No primeiro semestre do ano, a fusão da Sadia e da Perdigão deu origem à Brasil Foods (BRFS3), uma das maiores empresas do setor de alimentos do mundo, líder de mercado em diversos tipos de produtos industrializados e com forte diversificação das operações.

Já a JBS (JBSS3) incorporou o Grupo Bertin e comprou a Pilgrim’s Pride, uma das maiores empresas de carne de frango dos EUA, tornando-se o maior frigorífico no País em termos de faturamento. Houve ainda a compra da Seara pelo Marfrig (MRFG3), com a empresa se tornando uma das maiores concorrentes da Brasil Foods no mercado doméstico.

Com todos esses eventos, Mariana avalia que os grandes players do setor já se consolidaram como líderes e inclusive como grandes competidores no mercado internacional. “Os que passaram pela crise passaram bem, não vejo espaço para algo como [a fusão de] Sadia e Perdigão”. Entretanto, a analista do BB lembra que os pequenos produtores ainda estão com dificuldades, então “pode haver consolidação no sentido dos líderes adquirindo menores”.

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Vantagens competitivas
Uma das principais vantagens é que, por contar com oferta interna de grãos, as empresas brasileiras acabam tendo custos de frete menores, sobressaindo-se neste aspecto diante dos competidores internacionais. Ainda com relação ao custo dos insumos, em 2010 o setor deve se beneficiar de preço mais barato dos grãos, que são matéria-prima do setor.

“Enquanto para o agronegócio o cenário de supersafras e margens mais apertados é negativo, para os frigoríficos a notícia é boa, pois diminui os custos com insumos”, afirma Mariana, que lembra que tanto para suíno e frango, cuja ração é composta de milho e soja, como para o bovino, que é criado no pasto mas alimentado com ração na fase final, haverá redução dos custos.

Câmbio
A apreciação do real é citada pelos analistas do Fator e da Link como um dos principais fatores a serem acompanhados em 2010, pois um câmbio valorizado prejudica a rentabilidade das exportações e aumenta a competitividade de produtos norte-americanos. 

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Por outro lado, Rafael Cintra, da Link Investimentos, lembra que o real desvalorizado pode aumentar o endividamento das empresas. “O que prejudica não é o dólar valorizado ou desvalorizado, mas essa volatilidade’, resume Mariana. 

Ressalvas
Cintra frisa que, se antecipando a um cenário favorável para 2010, alguns países já começaram a aumentar a produção de carnes, mas como alguns compradores investiram no aumento da produção doméstica para diminuir a dependência dos produtos importados, os estoques estão elevados.

“Esse desequilíbrio entre oferta e demanda poderá dificultar grandes aumentos de preços no curto prazo”, afirma o analista.

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O tema da sustentabilidade é lembrado pelos analistas do Fator como um desafio para o setor, que deverá se preocupar mais com a “otimização na utilização de grãos, plástico e principalmente água”.

Brasil Foods
Um consenso é que o principal ponto positivo da empresa são as sinergias operacionais geradas pela fusão. Além disso, o analista da Link cita o reconhecimento internacional das marcas e a liderança em vários segmentos de produtos processados no mercado doméstico, além da redução da alavancagem financeira devido à maior geração de caixa.

Outro ponto crucial é o pricing-power, “a capacidade de impor preços no segmento de produtos industrializados no mercado interno”, citada pelos analistas do Fator, juntamente com a recuperação do preço da proteína. Tanto para a Link como para o Fator, a recomendação é de compra da ação. 

Marfrig
O principal ponto positivo da empresa, que possui forte diversificação, com atividades desde o processamento até a distribuição, é o amplo mix de produtos, que diminui exposição da empresa a flutuações de segmentos específicos.

A melhora no perfil do endividamento através da contratação de linhas de longo prazo é citada pelo analista da Link como ponto positivo. Uma ressalva a esse respeito é que a maior parte de sua dívida – 74,6% do total – está em moeda estrangeira, ainda segundo o analista. Até o dia 18 de dezembro, os papéis tiveram valorização de 148,13%. 

JBS
Com maior penetração e acesso a todos mercados consumidores, Rafael Cintra destaca a menor alavancagem financeira entre os produtores de carnes do Brasil e as margens crescentes e sustentáveis da JBS. O endividamento de 38,7% no curto prazo é citado como um dos pontos negativos, mas ainda assim a empresa tem recomendação de outperform (performance acima da média do mercado) pela Link.

 Até o dia 18 de dezembro, as ações da empresa tiveram valorização de 94,5%, acima do índice, mas abaixo das outras empresas do setor – Minerva e Marfrig. 

Minerva
As ações da empresa tiveram forte alta em 2009, com valorização de 239,64% até o dia 18 de dezembro. O principal ponto positivo citado por Rafael Cintra é o aumento recente de capital, que fortaleceu o caixa da companhia, e a habilidade comercial para aproveitar oportunidades.

Entretanto, Cintra lembra que o Minerva (BEEF3) “não possui diversificação internacional, como os demais concorrentes”, e lista ainda o conservadorismo nas aquisições, que pode comprometer a competitividade. Ainda assim, a recomendação da corretora é outperform.

A concentração de plantas no Brasil, que pode afetar capacidade de exportação em função de problemas sanitários, é citada por Fernandes e Kasinsky da Fator como um dos riscos dos investimentos. Já a “perspectiva de alto crescimento do segmento de produtos processados, com maiores margens”, é o principal ponto favorável. Pesando os dois lados, a Fator prefere manter a recomendação de manutenção das ações do Minerva.