Ibovespa vira para alta com Petrobras e bancos; dólar cai após IPCA e decepção com payroll nos EUA

Índice firma alta após abertura marcada por incertezas geopolíticas
Painel de ações (Crédito: Shutterstock)
Painel de ações (Crédito: Shutterstock)

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SÃO PAULO – Após uma sessão negativa com o mercado preocupado com o andamento da reforma da Previdência no Congresso Nacional e as concessões do governo para conquistar maior apoio parlamentar, o Ibovespa iniciou a sexta-feira (7) sinalizando nova sessão de cautela, mas logo virou para alta, seguindo a recuperação de algumas bolsas internacionais e de commodities como o petróleo. Às 10h52 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira acumulava ganhos de 0,56%, a 64.584 pontos, puxado sobretudo pelas ações de Petrobras (PETR3; PETR4) e bancos. No pregão, além de indicadores econômicos importantes, os investidores observam o aumento de tensão em nível geopolítico, após o lançamento de 59 mísseis do governo Donald Trump a bases aéreas do governo Bashar al-Assad na Síria, em retaliação a um ataque químico.

No mesmo horário, os contratos de juros futuros com vencimento em janeiro de 2018 recuavam 4 pontos-base, a 9,765%, ao passo que os DIs com vencimento em janeiro 2021 caíam 4 pontos-base, a 9,91%. Contribui para o movimento dos juros a divulgação da variação dos preços em março pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 0,25% no mês passado, em linha com a estimativa mediana do mercado segundo levantamento da Bloomberg. A taxa é a mais baixa para o mês desde 2012. Em 12 meses, o índice acumula variação de 4,57%, mesmo número estimado pelos economistas. Também foi o menor resultado para o primeiro trimestre desde o Plano Real.

O dólar comercial, por sua vez, opera em queda de 0,44% ante o real, a R$ 3,1318, depois que o relatório sobre o mercado de trabalho norte-americano revelou menor criação de vagas do que o esperado em março, o que não endossa a necessidade de mais altas de juros além das duas já precificadas pelo mercado para este ano. “O relatório do mercado de trabalho tirou força dos falcões que queriam três altas de juros neste ano, mas o mercado não está completamente entusiasmado por causa da cena geopolítica”, disse um gestor de uma corretora nacional. Os contratos de dólar futuro com vencimento em maio operavam em queda de 0,41%, sinalizando cotação de R$ 3,146.

Confira os destaques desta sessão:

Destaques da Bolsa

Do lado corporativo, as ações da Vale (VALE3; VALE5) abriram com queda superior a 2%, em meio à derrocada do minério de ferro. Acompanham o movimento negativo as ações da Bradespar (BRAP4) — holding que detém participação na Vale — e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4), Metalúrgica Gerdau (GOAU4), Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3). A commodity spot (à vista), negociada no porto de Qingdao com 62% de pureza, fechou em forte queda de 6,76%, a US$ 75,45 a tonelada, enquanto o contrato futuro de minério de ferro negociado na Bolsa de Dalian fechou em baixa de 6,90%, a 526 iuanes. Esse movimento de forte queda ocorre após ser divulgado um relatório do governo da Austrália prever que o preço da commodity pode terminar o ano a US$ 65 a tonelada. Posteriormente, espera-se uma queda para US$ 51, agravado pelo impactado combinado do crescimento da oferta e da demanda mais suave. Com isso, os ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora brasileira, negociados no pré-market da Nyse (New York Stock Exchange), tem um forte movimento de queda, com baixa de 2,29%, a US$ 8,95.

As ações da Braskem (BRKM5) desabam nesta manhã, com forte volume financeiro, em meio à notícia de que o México investiga contratos entre a Pemex, petroleira estatal de Petróleos Mexicanos, e a Odebrecht, segundo informações do Valor. A Braskem, contudo, informou nesta manhã, por meio de fato relevante, que o acordo firmado por ela com o DOJ e SEC em dezembro de 2016 não contém relato ou admissão de prática de qualquer ato ilícito relacionado à sua atividade no México, inclusive ao contrato de fornecimento de etano naquele país.

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 RAIL3 RUMO S.A. ON 8,77 +1,98 +42,83 8,15M
 PETR4 PETROBRAS PN 14,78 +1,72 -0,61 116,44M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 13,77 +1,55 +2,76 1,73M
 ELET3 ELETROBRAS ON 16,21 +1,50 -28,93 1,68M
 NATU3 NATURA ON 29,92 +1,42 +30,64 6,43M

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRKM5 BRASKEM PNA 30,94 -5,50 -9,66 81,95M
 BRAP4 BRADESPAR PN 20,17 -2,84 +35,82 33,59M
 JBSS3 JBS ON 9,39 -1,16 -17,63 10,11M
 VALE3 VALE ON 28,60 -1,07 +11,37 44,89M
 VALE5 VALE PNA 27,07 -0,84 +15,98 177,61M
* – Lote de mil ações
1 – Em reais (K – Mil | M – Milhão | B – Bilhão)

 

Payroll nos EUA
Os empregadores dos EUA contrataram o menor número de trabalhadores em 10 meses em março, mas a queda na taxa de desemprego para a mínima de quase 10 anos de 4,5% indica que o mercado de trabalho continua a apertar. O relatório de emprego fora do setor agrícola mostrou abertura de 98 mil vagas no mês passado, o menor número desde maio passado, com o setor de varejo fechando postos de trabalho pelo segundo mês consecutivo, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira.

Houve a abertura de mais de 200 mil postos em janeiro e fevereiro, como as temperaturas excepcionalmente quentes antecipando as contratações em setores sensíveis ao clima como construção e lazer. Em março, as temperaturas caíram e uma tempestade atingiu o nordeste. A taxa de desemprego caiu 0,2 ponto percentual, para 4,5%, o menor nível desde maio de 2007.

Economistas consultados pela Reuters projetavam a criação de 180 mil empregos no mês passado e que a taxa de desemprego permaneceria em 4,7%. O resultado fraco do relatório pode levantar preocupações sobre a saúde da economia, especialmente dados os sinais de que o crescimento anualizado do Produto Interno Bruto desacelerou para cerca de 1,0 por cento no primeiro trimestre, depois de expandir 2,1 por cento no quarto trimestre.

Reforma da Previdência

O mercado segue de olho nas articulações para a aprovação da reforma da Previdência, após o governo autorizar o relator da reforma na Câmara dos Deputados a fazer 5 mudanças na proposta.  Diante da constatação de que não teria condições de aprovar a reforma da Previdência como está, o governo federal admitiu nesta quinta-feira alterar a proposta em pelo menos cinco pontos mais sensíveis, que podem reduzir economia com a reforma em 115 bilhões de reais ao longo de 10 anos.  O governo aceitou alterar as regras de transição, as normas para aposentadoria rural, o acúmulo de pensões, aposentadorias especiais para professores e policiais e os Benefícios de Prestação Continuada.

Segundo a Folha de S. Paulo. a equipe econômica vê concessão precoce na reforma da Previdência. Em reunião, o ministro da Fazenda Henrique Meirelles defendeu que era muito cedo para concessões pelo risco de a proposta já chegar fragilizada ao plenário; Temer respondeu que era mais importante atingir o consenso antes da votação na comissão. De acordo com o jornal, Meirelles saiu da reunião contrariado. Vale destacar que a consultoria de risco político Eurasia mantém a probabilidade de 70% de aprovação da reforma da Previdência no Congresso mesmo após noticiário recente sobre dificuldades do governo. 

Carteira InfoMoney

Nesta sexta-feira, às 14h (horário de Brasília), Thiago Salomão estará ao vivo na InfoMoneyTV para apresentar a Carteria Recomendada InfoMoney para o mês de abril.

(com Reuters)


Responsável pela cobertura de política do InfoMoney, coordena o levantamento Barômetro do Poder, apresenta o programa Conexão Brasília e o podcast Frequência Política.