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SÃO PAULO – O dólar futuro ganha força na tarde desta quinta-feira (16), após cair 2% ontem, em meio ao noticiário negativo sobre contas públicas com a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) e à percepção de que a maior parte da reação ao Federal Reserve mais “dove” (suave) foi vista na última quarta-feira.
Às 12h39 (horário de Brasília), o dólar comercial registrava alta de 0,20%, a R$ 3,1097 na venda, depois de ter testado na mínima do dia o patamar de R$ 3,0936. O contrato futuro do dólar DOLJ17 – com vencimento em abril de 2017 -, por sua vez, subia 0,42%, a R$ 3,133.
Mais cedo, o BC divulgou o resultado do seu leilão de rolagem de swap, que foi retomado hoje: foram colocados todos os 10.000 contratos para rolagem do vencimento de abril. Se mantiver o ritmo e não realizar o leilão no último dia de março, o BC pode deixar vencer US$ 4,2 bilhões de um total de US$ 9,7 bilhões que vencem na virada do mês. No vencimento anterior, o BC deixou US$ 4,55 bilhões sem rolar.
Viva do lucro de grandes empresas
Segundo Leonardo Monoli, sócio e diretor da Jive Asset, o volume da rolagem poderia causar uma distorção momentânea e pontual no câmbio, mas fácil de ser digerido pelo mercado, de modo que não é algo que mude a tendência da moeda. Ele lembra que o Fed confirmou ontem um discurso mais “dove” (suave) para a elevação de juros nos Estados Unidos, levando a uma boa performance de maneira geral para os mercados emergentes”, disse Monoli.
Já o diretor de câmbio da Wagner Investimentos, José Faria Junior, disse que viu com naturalidade essa rolagem parcial do BC: “o mercado já esperava que o BC teria apenas 11 dias para atuar”. Para ele, pode haver um efeito semelhante ao visto no mês passado. Isto é, pode ajudar a manter o dólar mais fraco de hoje até o fim do mês, mas pode pesar no dia 31 devido à retirada de um volume muito maior.
Ele menciona ainda que o movimento de hoje segue o exterior, com o dólar canadense caindo também um pouco agora, após o grande movimento ter vindo ontem. Do ponto de vista interno, ele vê a derrota do governo no STF e a declaração de aumento de impostos como sinais negativos. “Também sigo muito preocupado com o cenário político, já que a reforma da Previdência vai passar desfigurada. Ainda acho que isto pesa pouco no mercado”, comentou.