Brasil poderá sofrer “pressão cambial astronômica”, diz superintendente do BNDES

País deve tomar medidas adicionais para reduzir interesse do capital estrangeiro; IOF é considerado "um belo caminho"

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SÃO PAULO – De acordo com o superintendente da área de pesquisa e acompanhamento econômico do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Ernani Torres, o Brasil vivenciará uma “pressão cambial astronômica” em um período de um a dois anos, devido ao forte fluxo de capitais para o País.

Para conter este problema, Torres informa que são necessárias medidas adicionais para reduzir o apetite do capital especulativo, além da já anunciada taxação sobre o capital externo com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). As declarações foram feitas durante entrevista após um seminário no Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas).

Torres acredita que o País é considerado uma das “principais trincheiras da nova bolha especulativa internacional”, e esta pressão cambial pode fazer com que a competitividade industrial das empresas brasileiras diminua e o déficit nas transações correntes do País aumente.

IOF como saída

O superintendente do BNDES elogiou a decisão do Ministério da Fazenda de taxar o capital externo com IOF – e disse acreditar que o valor do tributo poderá até aumentar, caso o governo considere necessário.

“O IOF foi um belo caminho e não sei se haverá aumento do imposto, mas o governo poderá criar medidas regulatórias, por exemplo”, comenta, acrescentando que “novas medidas terão que ser tomadas”.

Produto Interno Bruto

Apesar dos riscos, Torres mostrou-se otimista com a economia brasileira, utilizando como base as expectativas em relação ao PIB (Produto Interno Bruto). Para ele, haverá importante recuperação no terceiro e quarto trimestres deste ano, com expansão do PIB de 5,5% a 6 % em 2010.