Governo estuda liberar aplicações no exterior para conter baixa do dólar

Medida visa permitir que fundos de investimento multimercados possam investir mais que 20% do seu capital no exterior

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SÃO PAULO – O Governo Federal já estuda novas medidas com o intuito de conter a expressiva desvalorização do dólar em relação à moeda brasileira, segundo reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (20).

A intenção das novas medidas é equilibrar o fluxo cambial brasileiro, contendo a excessiva valorização do real. Dentre as novas propostas está autorizar os fundos de investimentos multimercados a aplicar todo o patrimônio no exterior, volume atualmente limitado a 20%. A medida voltaria o olhar do mercado interno para o exterior e flexibilizaria a saída de moeda estrangeira do País.

Medidas anteriores

Em outubro último, o anúncio da taxação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) com alíquota de 2% sobre investimentos estrangeiros em ações e títulos de renda fixa foi a primeira medida imposta pelo governo para tentar conter a alta do dólar.

No entanto, a contínua desvalorização da moeda em relação ao real fez com que, na última quarta-feira, a autoridade monetária brasileira voltasse a intervir por meio da tributação de IOF de 1,5% sobre as ações de empresas brasileiras que são negociadas no mercado internacional. Agora o governo se demonstra ainda preocupado com a questão e já estuda novas medidas.

Visibilidade do mercado brasileiro

O desempenho e recuperação da economia brasileira em relação à crise mundial é um elemento positivo para o País, que conseguiu resistir a um dos períodos econômicos mais turbulentos da história. Contudo o aumento do apetite ao risco por ativos brasileiros é algo que também causa alguns desconfortos para o atual governo.

É válido ressaltar que somente no mês de novembro a moeda norte-americana já acumula desvalorização de 2,84%, fato que causa impactos desfavoráveis à economia do País, pois prejudica as exportações ao encarecer produtos. Além disso, há a preocupação crescente acerca da formação de uma bolha nos ativos brasileiros, devido ao intenso fluxo de capital estrangeiro.