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SÃO PAULO – A semana se inicia com olhares cautelosos sobre o desempenhos dos mercados. Para analistas, as notícias da semana passada ainda devem repercutir nos próximos dias.
Para os analistas da Gradual Corretora, apesar de a forte alta da bolsa brasileira e o intenso fluxo de capital ao país gerarem uma “incômoda sensação que já avançamos demais”, é importante destacar que esses patamares têm fundamentos relevantes.
“No caso do Brasil, a Bovespa reflete o estado geral do ânimo com o País”, falam. “Mesmo com nosso setor externo fragilizado pelo real forte e as exportações em compasso de espera, estamos com reservas relevantes e um fluxo de investimentos em carteira e diretos num montante interessante”, comentam.
Mas os eventos adversos ainda podem influenciar os mercados, como destaca a equipe de analistas da Ágora Corretora. Para eles, a semana deverá ser marcada por maior volatilidade, com os desdobramentos acerca do Fundo Dubai World e também pela expressiva agenda de indicadores nos Estados Unidos.
O eco de Dubai
De acordo com Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, a falta de tendência ainda deve persistir, com possibilidade de novos períodos de volatilidade elevada.
“O fato de Dubai relembrou aos investidores que ainda existem rescaldos da crise financeira, o que adiciona cautela e aversão a risco nesta proximidade de final de ano”, comenta.
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Para ele, isso pode causar uma pequena desaceleração nos preços dos ativos domésticos, principalmente porque a curto prazo esses investimentos ainda apresentam um bom retorno.
Mas, os analistas do Santander destacam que as próprias incertezas advindas do Oriente Médio mostram o quão frágeis são os pilares de sustentação das crenças e da própria retomada do crescimento nos países desenvolvidos.
“Ainda que tudo tenha ocorrido de forma tão diferente desta vez, o mercado espera que a saída da recessão nos Estados Unidos, por exemplo, terá dinâmica semelhante à ocorrida em 1990”, falam.
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Apenas um soluço
Já para os analistas da Rosenberg & Associados, a notícia representa menos uma preocupação específica em relação à Dubai e mais um “soluço” no comportamento atual dos mercados.
“Por isso, não haverá motivos para se preocupar com este fato, uma vez que o movimento é de correção e não de aversão”. Mas, eles atentam que os preços ainda estão desalinhados.
Na mesma linha, os analistas da Ágora, acreditam que o desempenho da bolsa brasileira na semana passada mostrou que a dificuldade financeira do conglomerado de Dubai pode ser limitado e não ter efeito intenso a nível global. “Ressaltamos ainda que os bancos brasileiros não estão expostos ao fundo de Dubai”, falam.
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Black Friday
Outra situação que repercute nos mercados internacionais neste início de semana é a avaliação sobre o desempenho das vendas no varejo nos EUA durante a “Black Friday”, termômetro da força do consumo para o Natal.
De acordo com dados da ShopperTrak, as vendas subiram apenas 0,5% no dia, tendo desempenho inferior ao que esperavam os comerciantes. A National Retail Federation (Federação Nacional de Varejistas) estima que os consumidores gastaram em média 8% a menos na Black Friday e no final de semana subsequente, o que representa US$ 343 por pessoa.
“O retorno efetivo dos mercados norte-americanos após o feriado de Ação de Graças será um importante sinalizador de como os investidores globais absorveram estes dois eventos relevantes”, fala Campos Neto, economista do Banco Schahin.
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Agenda
Para esta semana, as atenções estarão voltadas para a agenda norte-americana, uma vez que a brasileira está fraca. No Brasil, o destaque será o setor industrial [IBGE e Anfavea], que deve mostrar evolução positiva, segundo analistas, além do resultado mensal da balança comercial.
Nos EUA, os indicadores mais importantes serão os números do mercado de trabalho referentes a novembro (payroll e taxa de desemprego); o Livro Bege do Fed (Federal Reserve), por ter a leitura atualizada da autoridade monetária sobre as condições econômicas do país; índices ISM de atividade industrial e de serviços; Chicago PMI; e vendas pendentes de imóveis.
Na Zona do Euro, o destaque será a decisão de juros do BCE (Banco Central Europeu), além de dados de atividade (desemprego e vendas no varejo) e a divulgação da prévia da inflação. Na China, serão conhecidos os índices PMI de atividade industrial em novembro.