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SÃO PAULO – Antes classificada como “vítima” do pacote de medidas anunciado pelo governo na última quinta-feira (15), as ações da Cielo (CIEL3) passaram a disparar nesta terça-feira (20) e figuraram como maior alta do Ibovespa, após o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, não trazer detalhes sobre descontos para quem utilizar diferentes formas de pagamento.
Os papéis da administradora de cartões subiram 4,98%, a R$ 27,19, após atingirem na máxima do dia alta 5,17%, a R$ 27,24. Em três pregões, as ações acumulam ganhos de 10,9% na Bolsa.
O movimento ocorre após derrocada de 6,5% em apenas 30 minutos na quinta-feira passada, após proposta do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, de permitir que os varejistas cobrem preços diferentes dependendo do meio de pagamento utilizado – na prática, ele vai “legalizar” o desconto que algumas lojas concedem para quem pagar com dinheiro. Essa mudança seria implementada por medida provisória, segundo informou Meirelles.
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Contudo, ao anunciar as “medidas estruturais” esperadas nesta terça-feira, Ilan não trouxe detalhes sobre essa mudança de prazo de pagamento. “as discussões de prazo de pagamento ficam para o futuro”, disse o chefe do BC durante coletiva.
Segundo o analista da XP Investimentos, Marco Saravalle, a disparada da ação hoje é natural após a notícia pois após o anúncio de quinta o mercado só esperava o pior. “Não é uma medida fácil de ser implementada. Seria uma medida drástica e ainda não se sabe se terá muito impacto para a economia. Não é uma decisão que será tomada sozinha. Ainda será preciso muita discussão”, explica o analista.
Vale lembrar que a Cielo já vem sofrendo na Bolsa nas últimas semanas também por questões envolvendo a concorrência no setor. “O mercado precificou o pior e agora respira após o Ilan não dar detalhes sobre o prazo de pagamento”, conclui Saravalle.