Entrevista: Demian Fiocca, à frente do Nossa Caixa, conta próximos passos do banco

"Trouxe dois novos diretores, que irão cuidar das prioridades atuais do banco: a expansão do crédito e a integração com o BB", diz

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SÃO PAULO – “A empresa tem a missão pública de dar suporte à economia. Na crise, ampliamos a oferta de crédito, enquanto grande parte do sistema privado contraiu”, afirma o presidente do Banco Nossa Caixa, Demian Fiocca.

A expansão do crédito permanece como uma das principais missões do banco, mas agora este se prepara para se expandir onde há lacunas ou oportunidades. Em setembro, a instituição financeira reestruturou sua administração e fundou duas novas diretorias, de Integração e de Mercado de Capitais.


Fiocca: “É hora de reposicionamento”

“Eu trouxe novos diretores, que irão cuidar de duas das grandes prioridades do banco: a expansão do crédito e o processo de crescente integração com o Banco do Brasil”, explicou. A diretoria de Mercado de Capitais irá permitir que o Nossa Caixa opere com mais rapidez produtos e ferramentas de crédito hoje ofertados em larga escala por seus concorrentes.

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Segundo Fiocca, hoje, uma instituição financeira não sobrevive pura e simplesmente da oferta de crédito. “As empresas do setor operam cada vez mais em instrumentos do mercado de capitais, como as debêntures e o FDIC (Fundo de Investimentos em Direitos Creditórios)”, analisa.

Frentes de expansão
O objetivo da empresa é se expandir em três grandes nichos: pessoas físicas, por meio do crédito consignado; grandes e médias empresas, com boa classificação de risco; micro e pequenas empresas, via convênio com Banco do Brasil.

Questionado sobre o risco de inadimplência na relação com este último grupo, já que, em um cenário de redução da liquidez na economia, as MPEs são as primeiras a sofrerem, Fiocca minimizou o problema. “Trabalhamos com um sistema autorizado de bastante robustez quanto ao resultado da inadimplência”.

O sistema de proteção do banco contra os maus pagadores tem produzido resultados positivos. Em março, o Nossa Caixa registrou taxa de inadimplência de 4,4%. Em junho, esse percentual foi de 4%. “E a taxa continua estável”, explica.

Nova era para o sistema financeiro
Para Fiocca, o País está inserido em um cenário diferente, o que deve colaborar com o alcance das metas da instituição. “Saímos do patamar de 10% da Selic e isso marca um novo contexto para o sistema financeiro”. A trajetória de queda da Selic tem nome, para o executivo: oportunidade. As chances são altas de a oferta de crédito crescer, acompanhada pela curva de ascensão do próprio banco.

“Apesar de contarmos com uma grande rede de agências e um número substancial de funcionários, existe potencial de crescimento”, observa. “No caso do financiamento a MPEs, a relação crédito/caixa é muito baixa. Precisamos promover a expansão rápida e em grande volume, por meio de encontros com as empresas e publicidade, por exemplo”, explica.

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Os reforços
Fiocca conta como se deu a escolha de José Cláudio Rego Aranha, para comandar a recém-criada área de Mercado de Capitais. “Identifiquei um alto executivo que havia se aposentado do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), com grande experiência no mercado de capitais”, lembra.

O segundo reforço foi Celso Antunes da Costa, para a diretoria de Integração. “Precisamos alinhar produtos e processos do BB e pensei que seria muito importante contratar uma pessoa sênior, preferencialmente que já tivesse comandado uma integração entre grandes empresas. Felizmente, encontrei um executivo com currículo melhor impossível, que havia passado por quatro integrações. Meu objetivo é aprender com aquilo que outros já fizeram”.

A integração com o BB
Foi realizada uma análise de sobreposição de agências do Banco do Brasil e do Nossa Caixa. Fiocca conta que o resultado mostrou que há uma relação de complementaridade favorável, de forma que o fechamento de unidade é improvável. “São cerca de 1,3 mil agências e havia redundância em apenas 30 casos. Utilizamos muitos critérios, entre os quais número de pessoas atendidas e localização. Trinta é um número insignificante”, opina. “O momento agora é de reposicionamento e fortalecimento da atuação do banco em São Paulo”, completa.