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SÃO PAULO – A greve dos bancários da CEF (Caixa Econômica Federal), que chega ao 20o dia nesta terça-feira (13), está prejudicando os negócios de financiamento imobiliário.
De acordo com o diretor jurídico da ABMH (Associação Brasileira de Mutuários da Habitação), Lúcio de Queiroz Delfino, no caso dos processos em andamento, com fase final de contratação do financiamento, não foram identificados problemas, o que não pode ser dito em relação aos novos contratos que poderiam ser fechados.
“Em novos financiamentos, tivemos queixas de clientes que não conseguiram fazer simulação e dar entrada na documentação, porque há agências fechadas e não há pessoas para atender”, informou.
Quem pretende liquidar uma dívida relativa a um financiamento imobiliário na CEF também enfrenta problemas, já que é preciso emitir uma guia específica do próprio banco, além de fazer o pagamento em uma das agências. Nestes dois últimos casos, Delfino explicou que a greve deve causar repercussão por mais três meses, depois de terminada.
Em nota, a CEF disse que, até o momento, o banco não verificou alteração na média de contratação diária, que continua próxima a 4 mil unidades.
Prejuízos
O prejuízo para quem pretende liquidar uma dívida é que são cobrados juros até o momento da liquidação. Quanto mais tarde a pessoa paga, por conta da greve, mais terá de desembolsar. A média dos juros cobrados nestes casos é de 1% ao mês, o que significa que, em uma dívida de R$ 5 mil, a pessoa terá um prejuízo de R$ 50.
No caso dos financiamentos novos, o prejuízo fica para aquela pessoa que quer vender o imóvel, mas terá de ocupá-lo por mais tempo do que planejava, pagando pelo IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) e condomínio, além de outros custos.
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Ainda no caso de novos financiamentos, as pessoas que precisam entregar a documentação podem ser prejudicadas financeiramente pela greve, já que os documentos têm prazo de validade de 30 dias. O valor dos documentos chega a ser de cerca de R$ 100.
Em qualquer situação, o que Delfino indica aos interessados em fazer um financiamento ou resolver seus débitos é “não cruzar os braços”, procurando agências bancárias alternativas, outros canais (telefone, internet, por exemplo) e, se preciso, buscando um advogado para tratar de seus direitos. No caso de prejuízo financeiro, se comprovado, é possível recorrer à Justiça e ser ressarcido.
O banco e a greve
A greve preocupa a situação dos financiamentos imobiliários pelo papel da CEF neste segmento. Para este ano, o banco prevê emprestar R$ 38,5 bilhões em recursos, um volume 65% superior ao apurado no ano passado.
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Entre janeiro e setembro deste ano, o financiamento habitacional da CEF cresceu 82%, em comparação com igual período do ano passado, chegando a um montante recorde de R$ 27,1 bilhões emprestados.
Sobre a greve, os bancários exigem igualdade de direitos entre os funcionários – eles alegam que quem foi contratado após 1998 tem menos direitos -, ampliação das contratações, política de valorização salarial e profissional no PCC (Plano de Cargos Comissionados), reconhecimento do cumprimento das metas sociais e PLR (Participação em Lucros e Resultados) maior.
“A greve continua para pressionar a direção da Caixa a retomar as negociações e apresentar uma proposta para as reivindicações específicas. A direção do banco tem de observar além do resultado financeiro. Como banco público, os trabalhadores cumprem diversas metas sociais e merecem reconhecimento pelo empenho empregado. Há tarefas que não aparecem no balanço da instituição, mas que propiciam um saldo social imenso”, disse o presidente do sindicato da categoria em Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino.
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Na quarta-feira (14), os bancários fazem uma assembleia, a partir das 16h, para deliberar sobre a continuidade do movimento.